Crise 2.0: Despejos e Suicídios na Espanha

 

Despejos dos imóveis, uma rotina na Espanha

 

 A questão humana numa grande Crise Econômica deveria ser o centro de nossas preocupações, mais ainda dos dirigentes dos países, das grandes nações, mas não é o caso. Nos últimos post aqui, na série sobre a Crise 2.0, tenho buscado relatar este lado mais cruel da crise (Crise 2.0: O Custo Humano da Crise e Crise 2.0: Europa em Luta), o desespero e ausência de esperança. A mais forte contradição do sistema se torna pública e cristalina, o Estado salva os ricos, cumprindo sua função essencial no Capitalismo, enquanto deixa ao léu os pobres e desvalidos.

Nos últimos dia novas notícia sobre a miséria, que aumenta, em lugares que a muito tempo ela já não existia, como nos países centrais da Europa, nos mostra o terrível custo humano da derrocada econômica deste modelo, mas o pior, o arremedo que se faz torna ainda mais dramática a situação. Uma onda de desespero, que levou a um significativo aumento dos suicídios na Espanha, na Grécia, parece não sensibilizar os dirigentes dos países, o que anunciam, para os próximos anos, é mais arrocho.

Hoje, a agência de notícias Dow Jones, publicou que os bancos espanhóis resolveram congelar a retomado das casas e apartamentos no país devido o surto de suicídio, por razões humanitárias  “os maiores bancos da Espanha aceitaram nesta segunda-feira, 12, congelar por dois anos as ordens de despejo em casos de profunda necessidade financeira em meio à comoção causada pelos recentes suicídios de mutuários inadimplentes prestes a serem despejados”. A matéria diz ainda que “a associação espanhola de bancos, conhecida pelas iniciais AEB, informou que, por “razões humanitárias”, as instituições financeiras não buscarão na justiça a execução dos imóveis nos casos dos mutuários mais necessitados”.

Segundo o El País, a banca espanhola, que mostrar uma face mais humana, devido ao ódio que a população lhe devota, principalmente por estar recebendo pesadas ajudas do falido Estado espanhol, mas ao mesmo tempo, usa da famigerada lei de hipoteca para retomar os imóveis. No parlamento há uma tentativa de acordo entre Governo e Oposição para que se pare os despejos, pois virou comoção nacional, mais um ponto de sinal de queda da Espanha. Em algumas cidades, as prefeituras enfrentam os bancos impedindo os despejos, como em Zaragoza, administrada pelos socialista, lá o prefeito não aceita os despejos, alegando que não tem como abrigar os desalojados, nega-se a ceder a força policial para os despejos.

Os números são assustadores, até maiores do que já divulgamos aqui nesta série, conforme nos mostra o artigo, “os tribunais da Espanha ordenaram quase 19.000 despejos somente no segundo trimestre de 2012, segundo o Conselho Geral do Judiciário do país. Desde 2008, quando começou a crise, 203.808 imóveis já foram executados”. Um modelo legal draconiano em que “as leis de hipotecas espanholas são especialmente vantajosas aos bancos e a outros credores. Ainda que um mutuário seja obrigado a deixar o imóvel por inadimplência das parcelas de seu financiamento, a lei espanhola os obriga a saldar a dívida mesmo que o credor já tenha leiloado o imóvel”.

Nas duas últimas semanas dois suicídios chocou o país, momentos antes da chegada de oficiais com ações de despejos, uma mulher, de 53 anos,  se jogou do quarto andar. Num outro caso, o corpo de um homem, também de 53 anos, foi achado na área comum do prédio, quando os oficiais entraram no prédio que seria despejado. Em Bilbao, local da morte da mulher, segundo a Associated Press, ” o magistrado local Juan Carlos Mediavilla disse a jornalistas que “é necessário mudar a lei atual que rege a execução de hipotecas” para evitar que episódios como o de hoje se repitam.

É a mais dura imagem que fica da crise.

 

 

 

 

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