Crise 2.0: O Custo Humano da Crise

 

 

A insistência dos países em profunda crise, com os tais Planos de Austeridade, chega aos raios da loucura, desde que começamos esta série sobre a Crise 2.0, em junho do ano passado, invariavelmente, mês a mês, o aumento do desemprego,a parte mais visível do fracasso desta política, grita alto para que parem, que busquem outro caminho. Mas, os ouvidos moucos, dos dirigentes locais, ignoram solenemente a tragédia humana, atendem bovinamente às ordens da Troika, tornando um inferno, na terra, a vida dos seus povos.

Os dados do desemprego são chocantes, alarmantes mesmo, a Espanha, a quarta maior economia da Zona do Euro, convive com 25,5% de pessoas expulsas do mercado de trabalho, em 2008, não chegava aos 9%, apenas, nos últimos 14 meses, de junho de 2011 a agosto aumentos em 60% o índice. Entretanto, mesmo com a significativa piora, houve um aprofundamento na restrição de benefícios de todas as políticas públicas que pudessem atenuar a desgraça. Os cortes em educação, Saúde, seguridade social foram brutais, em particular na gestão Rajoy, com resultados pífios para a economia, com piora generalizada das expectativas e confiança no país.

A tragédia do desemprego atinge em especial os jovens, na Espanha são mais de 50%, agora, na Grécia que tem desemprego geral de 25,4%, mas, entre os jovens chega aos 58%, em agosto de 2012, no mesmo período no ano anterior era de 45%. Mergulhado na crise, pouco ou nada resta aos jovens senão a migração, desfazer lares, morar com país e avós. Na Espanha nada menos que 500 mil casas e apartamentos foram tomados pelas bancos, ou por inquilinos, há apartamentos vivendo até 4 famílias, os idosos acabam punidos duplamente, pois voltam a ter preocupação com filhos e netos desempregados, além de ter que usar suas pequenas economias e aposentadorias para sustentá-los.

A depressão na velhice tem aumentado de forma alarmante na Espanha, nos últimos 5 anos, é mais um efeito da crise, pesando na vida dos idosos. Esta semana uma reportagem do El País mostrava o cotidiano de um casal de aposentado que tinham posto seu apartamento como garantia de um negócio de um filho, estavam com ordem de despejo, conseguiram um acordo de ficar no imóvel até a morte de ambos, pagando 300 Euros mensais, 1/3 da aposentadoria deles. Estavam revoltados, pois o governo salva os bancos, fecha os olhos para os pobres devedores.

Mesmo neste cenário desolador, os governos de Espanha e Grécia aprovam duros cortes nos orçamentos de 2013, atendendo fielmente os ditames da Troika, mas estes não ficam satisfeitos, como nos conta a agência Dow Jones, que diz que  “o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, elogiou o governo da Grécia por conseguir aprovar mais reformas no Parlamento. No entanto, ele fez alertas velados de que é preciso mais para manter o país nos trilhos e que o BCE não pode fazer isso por si só”.

Sempre querem mais, mas sem colher resultados positivos como admite o presidente do BCE, um dos tripés da Troika, que, na mesma reportagem “Draghi disse esperar que o crescimento na zona do euro continue fraco no restante deste ano e em 2013. Em comunicado, ele afirmou também que a região está fazendo progressos no combate à crise fiscal, mas precisa continuar implementando medidas para reduzir os déficits fiscais e os riscos bancários excessivos. Segundo Draghi, um “progresso visível” foi verificado na melhora dos custos trabalhistas e na redução dos atuais desequilíbrios em conta corrente. No entanto, esforços precisam ser mantidos para a redução dos déficits dos governos locais”.

Inacreditável a insensibilidade diante do que se passa. Até quando?

 

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