Crise 2.0: Austeridade Piora a Economia

 

Austeridade, só falta mesmo entregar a roupa

 

 

Desde que iniciamos esta série sobre a Crise 2.0, fomos enfáticos em denunciar a ABSOLUTA inutilidade dos Planos de Austeridades, que são os mesmos que o FMI assacava contra a América Latina nos anos 80 (Crise 2.0: 30 anos da Crise das Dívidas da América Latina), sem nenhum sucesso, apenas aprofundava as diferenças e piorava radicalmente às condições de de vida dos países que aderiam ao famigerados planos. Insistimos que, quanto mais austeridade, mais longe ficava a solução da crise, que apenas retroalimentava o circulo vicioso da Crise.

Hoje a Agência Dow Jones, publica uma pequena matéria sobre um estudo do Instituto Nacional para Pesquisa Econômica e Social (Niesr, na sigla em inglês), sediado em Londres. A afirmação inicial já enfática, do artigo: “As amplas medidas de austeridade adotadas em países de toda a União Europeia (UE) são autodestrutivas e sufocam o crescimento econômico, além de elevar – em vez de reduzir – a relação da dívida“. É exatamente isto, o que estamos a afirmar neste ano e meio que escrevemos esta série, agora confirmado pelo Niesr.

O artigo é precioso pois traz um estudo inédito dos impactos quantitativos que as medidas de austeridades provocaram no conjunto da economia da Europa , pois “Ao examinar a consolidação fiscal coordenada da Europa, o instituto disse que a relação da dívida e o Produto Interno Bruto (PIB) será cerca de cinco pontos porcentuais mais alta tanto no Reino Unido quanto na zona do euro por causa dos cortes de despesas e elevação de impostos entre 2011 e 2013”. Aquilo que vem sendo “vendido” como condição essencial para sair da crise, produz o efeito contrário, pois os índices tendem a piorar.

 Mais ainda “o Niesr disse que as implicações de seu estudo – que é o primeiro a simular o impacto quantitativo de medidas de austeridade coordenadas na UE – é que a atual estratégia de austeridade aplicada por países de forma individual, assim como na UE como um todo, é fundamentalmente falha e está tornando as coisas piores. “Não apenas o crescimento seria mais alto se tais políticas não tivessem sido aplicadas, mas a relação dívida/PIB seria menor”, diz o documento, escrito pelos economistas Dawn Holland e Jonathan Portes. “É irônico que, embora a UE tenha sido criada em parte para evitar falhas de coordenação em políticas econômicas, o bloco deve fazer exatamente o oposto.”

Antes da apresentação do Estudo, no início do mês de Outubro, na reunião conjunta com o Banco Mundial, em Tóquio,  “o Fundo Monetário Internacional (FMI) admitiu que havia subestimado o efeito negativo dos cortes de gastos e do aumento de impostos no crescimento. O Fundo disse que os esforços globais para reduzir déficits e dívidas podem ter, na verdade, atingido o crescimento, porque aconteceram muito rapidamente e de uma forma muito ampla”.

Agora, temos uma avaliação mais acurada, pois o relatório do Niesr, desmitifica a questão da Austeridade, pois  “diz que, em circunstâncias econômicas menos voláteis, medidas de austeridade levariam a uma queda na relação dívida/PIB. Porém, os efeitos na UE são intensificados pelo “efeito de transbordamento”, o que significa que a produção econômica de cada país é reduzida não apenas por seus próprios cortes orçamentários e elevação de impostos, mas também pelas medidas adotadas em outros países da UE, em razão de suas ligações comerciais. Na Grécia e em Portugal, os cortes de gastos acumulativos e aumentos de impostos entre 2011 e 2013 representarão um montante perto de 10% do PIB de cada país, enquanto na Irlanda vai representar 8% do PIB. Na França, Itália, Espanha e Reino Unido, as medidas de austeridade totalizarão entre 5% e 6% da produção econômica. Na Alemanha e na Áustria, as medias terão impacto menor, representando menos de 1,5% do PIB em três anos. O Niesr estima que, com exceção da Irlanda, a relação da dívida será maior em 2013 em cada país da UE por causa das medidas de austeridade”.

Postos em xeque, pelo relatório, os “defensores das medidas de austeridade – particularmente o ministro de Finanças britânico, George Osborne – argumentam que ter um plano confiável para lidar com endividamento elevado é benéfico porque dá segurança aos investidores de bônus internacionais, o que reduz o custo de endividamento dos países. O documento divulgado hoje, entretanto, alerta pode ser o contrário. “Se permitirmos a realimentação da relação da dívida do governo com os prêmios cobrados sobre os bônus, isso vai, na verdade, elevar as taxas de juros, exacerbar os efeitos negativos sobre a produção e, por sua vez, tornar a relação dívida/PIB ainda pior. É verdadeiramente uma ‘espiral da morte’ “, diz o documento”. 

De certa forma, nos sentimos mais fortes, com tal estudo, pois vem confirmar as teses que estamos advogando aqui, mas, isto, não nos conforta, pois, sabemos, que as medidas continuarão a ser aplicadas, impostas de forma inconsequente pela Alemanha. Esta semana, Merkel, mais uma vez, insistiu que “só a Austeridade salvará o Euro”( El País, 30/10/2012).

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