Crise 2.0: #14N e a Luta de Classes na UE

 

A semana foi recheada de grandes acontecimentos na Europa com a maior greve geral do Século XXI, com mobilizações gigantes em todo velho continente, em especial na Espanha, Portugal, Itália e Grécia. Aqui, na série sobre a Crise 2.0, acompanhamos e debatemos a greve, sua preparação e de onde veio esta de revolta que finalmente paralisou a Europa. Todo o sentimento de revolta contra os planos de austeridades e seus significados ganhou manchetes e debates no mundo inteiro.

Começamos a semana mostrando como a grave crise afetou cruelmente os trabalhadores e povo em geral, os sinais de miséria, suicídios e desespero são latentes, em regiões que a bem pouco tempo se orgulhava de seu imenso colchão social.  Os três posts, iniciados na sexta, 09.11, tratando do custo humano da Crise:

  1. Crise 2.0: O Custo Humano da Crise
  2. Crise 2.0: Europa em Luta
  3. Crise 2.0: Despejos e Suicídios na Espanha

Chamando atenção de como os governos viraram meros executores das ordens da Troika ( UE, FMI e BCE), mesmo a população de seus países sendo violentamente atingidas pelo desemprego e falta de alternativas de rendas, eles contribuíram decididamente com mais miséria, quando aplicaram os planos de Austeridades, que reduzem as aplicações em Saúde, Educação e Seguridade Social( Seguro desemprego, aposentadoria e complemento de rendas).

A resposta dos governos locais, submissos à Troika, foi a aplicação fiel e dolorosa dos planos, com cortes cada vez maiores nos seus orçamentos, retraindo ainda mais a economia, no artigo Crise 2.0: Austeridade Piora a Economia, discutimos o relatório do Instituto Nacional para Pesquisa Econômica e Social (Niesr, na sigla em inglês), que apontava que sem a Austeridade a economia não estaria tão mal, ou seja, eles conseguiram piorar, apenas para seguir os planos da Troika, aliás, muito similares aos planos que o FMI impôs à América Latina nos anos 80 e 90, com insucesso completo. A historia se repete feito farsa.

Neste quadro, como se não bastassem os cortes sociais, os governos de Espanha, Irlanda, Portugal, Grécia, Itália, os mais atingidos pela crise, se especializaram em salvar um punhado de banqueiros, estes que são os verdadeiros culpados pela violenta crise, receberam e recebem imensas ajudas de Estados extremamente endividados, que fizeram ajustes nos orçamentos, com argumento que precisam economizar dinheiro, reequilibrar as contas públicas, entretanto, sem pestanejar, gastam o que não têm para ajudar os bancos. Na Espanha, além dos 23,5 bilhões de Euros gastos com o Bankia, presidido por Rodrigo Rato, ex-chefe do FMI e líder da extrema-direita espanhola, o Governo Rajoy, de mesma matiz política de Rato, acabou de assinar plano de salvamento dos bancos com endividamento de mais 120 bilhões de Euros, com aumento de cerca de 15% a mais na dívida espanhola.

Na Grécia, o plano de austeridade imposto pela Troika exigiu cortes de 13,5 bilhões de Euros, para que o pacote de resgate seja aplicado, com valor total de 120 bilhões de Euros, a imensa maioria deste dinheiro jamais chegará ao país, todo ele será para os banqueiros alemães e franceses que detém 66% da dívida grega. Mas não satisfeitos, uma linha especial, de 18 bilhões de Euros, foi criada pela Troika para salvar 4 bancos gregos, um desaforo num país em que 25,4% da população está desempregada (1,4 milhões de pessoas).

Esta é a lógica que se funda a UE, comandada a mão de ferro pela Alemanha de Merkel, a maior beneficiária pela crise, até agora, mas que aos poucos não ficará mais impune, como escrevemos nos posts  Crise 2.0: Alemanha Parou e Crise 2.0: Mais 5 Anos de Crise, em que demonstramos os limites atuais da ação destas políticas restritivas.

Os trabalhadores têm lutado, mas com pouca eficácia, apenas a Grécia já fez 39 greves gerais nos últimos anos, organizou a Syriza, um bloco alternativo de poder. Na Espanha os Indignados têm convocados marchas e paralisações nacionais, os estudantes secundaristas e seus pais fizeram uma grande greve no mês passado. Em Portugal foram várias manifestações contra a Troika, inclusive com algumas vitórias como o recuo do governo no aumento de impostos e na questão do 13º salário que a corte suprema declarou ilegal o ato do Governo.

Esta semana o conjunto de lutas locais se uniu e fez o grandioso #14N, uma vigorosa união, inédita, pós advento do Euro conseguiu mobilizar 20 países, num só desejo, barrar os planos de Austeridade e dizer que outro caminho é possível, acompanhamos com alguns posts especias:

  1. Crise 2.0: 14N – Greve Geral
  2. Crise 2.0: #14N – Primeiras Notas da Greve Geral
  3. Crise 2.0: #14N – Contra a Troika

 O balanço é extremamente positivo, as imensas mobilizações, encheram as ruas, as praças de tantos países, juntos com força e coragem, enfrentando a mais dura repressão, jamais vista na Europa. Os Robocops de Rajoy, por exemplo, batiam e prendiam os manifestantes como numa operação de guerra, nem mesmo assim conseguiram impedir que mais de Hum milhão de espanhóis se juntassem em várias cidades, principalmente Madri e Barcelona, mas também nas pequenas e médias cidades. A mesma garra contra a repressão tiveram os portugueses e italianos, nas ruas, o aparato da forças especiais de segurança atiravam bombas e tiros de bala de borracha ferindo centenas de pessoas, mas não derrotaram os trabalhadores.

Parece que nasce um novo momento, acompanhemos.

6 thoughts on “Crise 2.0: #14N e a Luta de Classes na UE”

  1. Enquanto o Capital mandar e a Política obedecer não há saida para o velho mundo, esta é a realidade. Por outro lado, movimentos populares como esse são uma aula de cidadania e consciencia politica da população, os trabalhadores e os mais carentes são os que estão sofrendo, enquanto banqueiros e burgueses estão lucrando. É uma pouca vergonha ser divulgado que serão destinados 120 bilhões a Grecia sendo que mais da metade tem como destino o bolso de banqueiros. Qual a saida para Espanha, Grecia, Portugal, Irlando, Italia? Decretar a moratória e sair da zona do euro a meu ver…

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