Crise 2.0: Itália, Mia!

 

Cumulus Nimbus

 

É amigos, por mais que tente escapar da série Crise 2. 0, a conjuntura da crise volta a alamar, depois da Grécia, muitos achavam que a turbulência passaria( nós, não). A formação de cumulus nimbus na Espanha e agora na Itália, demonstra claramente que 2012 será de fortes emoções. Os meus últimos artigos tenho procurado mostrar quais as tendências e os principais vetores da crise:

Crise 2.0: Algumas Tendências I

Crise 2.0: Algumas Tendências II

Crise 2.0: Panorama Geral

Crise 2.0: Espanha, outra Grécia?

Depois da Espanha, agora a Itália  volta ao foco. Portugal, por ser muito pequena economicamente, nem entra no rol das grandes preocupações. Mas, quando se trata da Itália a situação realmente muda de figura.

 

A Itália em queda

 

A Itália tem uma das crises mais complicadas de toda Europa em geral, e da Zona do Euro em particular, porque junta num mesmo cenário grave crise econômica combinada com fim da democracia formal. O fenômeno Berlusconi levou o país ao gueto, as instituições em franco colapso, com perda acentuada de credibilidade. Mas não satisfeitos, a Troika ( UE, FMI e BCE) impôs um governo fantoche liderado pelo ex-Goldman Sachs, Mario Monti, que não é Belo.

 

O Governo imposto à Itália dos chamados tecnocratas é um fracasso completo, as medidas que tenta implementar, até agora, só piorou o país, a queda é visível. Pós renegociação grega, rendição completa, o BCE que intervira em Dezembro no Euro, voltou a abrir as torneiras. Nos primeiros leilões houve uma efetiva melhora nas taxas dos títulos públicos espanhóis e italianos. Mas passada a euforia, semana passada, Espanha teve sérias dificuldades de emitir novos títulos com taxas explosivas.

 

Esta semana a Itália experimenta o mesmo gosto do fel do “Deus Mercado”, hoje nos Estadão, uma importante e reveladora matéria do tamanho do buraco, leiamos:

“Ao contrário da Alemanha, que refinancia suas dívidas a taxas de juros cada vez mais baixas, os italianos voltaram a negociar títulos com juros em elevação. Ontem, os yields cobrados pelos investidores por € 3 bilhões em títulos com validade de três meses subiram de 0,492% a 1,249%. Para € 8 bilhões com maturidade de um ano, a taxa passou de 1,405%, em 13 de março, a 2,84%”.

O grifo é meu, para mostrar o nível de crise, bônus de três meses, pagos com valores maiores (1,249%) juros anuais da taxa de BCE( 1%). Relembremos o BCE emitiu 1 Trilhão de Euros em títulos de 3 anos aos bancos privados a juros de 1% ao ano, para que estes reemprestem aos países e empresas. E os títulos anuais a 2,84%. Uma barbaridade, a usura elevada ao escândalo.

Mas as coisas não param aqui, acompanhemos mais o que nos conta a matéria:

Se a elevação das taxas de juros persistir, analistas acreditam que a Itália terá dificuldades crescentes para refinanciar sua dívida pública, da ordem de 120% de seu Produto Interno Bruto (PIB). Só em 2012, Roma terá de emitir € 450 bilhões em obrigações. Em nota divulgada após a operação da venda de títulos, o próprio Banco Central da Itália reconheceu os efeitos do que chamou ‘aumento da tensão’ na zona do euro, depois de quatro meses de calmaria. ‘Mesmo se a demanda se mostrar sustentável, de acordo com as nossas expectativas, o resultado da operação foi marcado pelo retorno das tensões sobre os títulos da dívida soberana da zona do euro e foi caracterizado por um aumento considerável dos rendimentos’, analisou a autoridade”.

450 Bilhões de Euros corresponde a praticamente 25% do PIB italiano, o abalo sísmico de uma renovação destes títulos, frente uma dívida de 2,2 Trilhões de Euros seria fatal para toda Zona do Euro, não apenas para Itália. A dívida vincenda é de 450 Bilhões, mas a sua renovação antecipa as dívidas totais para prazos inferiores a 2 anos, esta antecipação, no limite, causaria um colapso de toda Europa.

Claro que Mario Monti, que não é Belo, arrumou um bode expiatório, já que a Grécia não pode mais ser usada como desculpa, seu alvo a Espanha.

“Desconfiança. Nos últimos 15 dias, Monti e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, apontaram a Espanha como exemplo de má administração na Europa. As críticas elevaram a desconfiança sobre a capacidade de Madri de gerenciar suas contas e alcançar a redução de déficit público exigida por Bruxelas.Além disso, criaram especulações sobre um suposto pacote de auxílio ao país ou ao seu sistema financeiro, o que estaria em estudos pela Comissão Europeia”.

 

Neste jogo sujo somos lembrados pela dupla, de que a dívida espanhola, juntando pública e de suas empresa, chega aos 400% do PIB, ou seja, Espanha deve 4 vezes o seu “valor de mercado”. Os 45 milhões de espanhóis pagaram pelos desmandos do Estado e das empresas privadas. Um detalhe, que não deve ser escondido,  a dívida pública é cerca de 80% do PIB, é melhor que a relação PIB da Alemanha(89%) ou dos EUA (99 %). Portanto, o que realmente pesa são as dívidas privadas, que, podem apostar, num passo de mágica serão revestida ao velho e bom ESTADO.

 

Esta tática de jogar no colo da Espanha todo peso do problema, antes culpavam, lembram?, a Grécia, é uma forma encontrada de tentar passar ao “Deus Mercado” a mensagem, a Itália vai bem, o problema são estes espanhóis que não cuidam de sua economia. E a questão sutil, escondida na jogada, é forçar o BCE a lançar um pacote de “ajuda” a Espanha, por tabela a Itália.

 

A resposta espanhola, segundo Estadão, foi:

Ontem, Rajoy rejeitou a tese de que a Espanha precisa de um pacote de resgate, como gregos, portugueses e irlandeses, e alfinetou Monti. ‘O que é bom para a Espanha é bom para a zona do euro. Todos temos problemas. Nós estamos trabalhando para solucionar os nossos e ajudar a zona do euro e esperamos que os demais façam o mesmo, que sejam prudentes em suas afirmações.’

 

Todos estão enfiados no lamaçal, não adianta um tentar ser mais esperto que o outro, até porque, ambos, Monti e Rajoy, massacram seus trabalhadores com os mesmo planos de austeridades, nem assim conseguem por a cabeça fora da lama. Os planos são francamente desastrosos, acabam de vez com o Estado. O empobreciment
o das populações, desemprego, miséria, parece algo distante dos pensamentos de Rajoy ou de Monti.

 

Pobre Itália,Mia! Pobre Espanha,Chora!


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