Crise 2.0: Algumas tendências II

 

 

 

A Europa continua fria neste fim de inverno, como ressaltamos várias vezes nesta série sobre a Crise 2.0, a Grécia foi um teste de nervos, mas a verdadeira avalanche se concentra na Espanha e Itália, sem antes passar pela pequena economia de Portugal. Estes países são uma continuação do processo grego, já escrevi aqui sobre o efeito dominó: Crise 2.0: Efeito Dominó – Grécia, Portugal…de novo.

 

Os desequilíbrios entre as economias da Zona do Euro se tornou tão evidente que o próprio Presidente do BCE, Mario Draghi reconhece:  “A situação nos mercados financeiros registou claras melhorias em resposta às decisões do BCE mas também aos progressos feitos pelos governos da zona euro ao aceitarem medidas orçamentais mais restritivas. Alguns países precisam de restabelecer e aumentar a competitividade em nome da própria prosperidade mas também da estabilidade da união monetária”. (EuroNews, 13/03/2012)

 

Mas a crise levará a um intenso debate no conselho de Ministro das Finanças da zona do euro e bancos centrais vão discutir o tamanho de seus fundos de resgate -o temporário Fundo Europeu de Estabilização Financeira (EFSF, na sigla em inglês) e o permanente Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (ESM, na sigla em inglês)- em Copenhague nos dias 30 e 31 de março. Segundo a Reuters :

“Os 440 bilhões de euros do EFSF e os 500 bilhões de euros do ESM agora têm um teto de empréstimo combinado de 500 bilhões de euros, o que significa que nos 12 meses a partir de julho de 2012, quando eles passam a coexistir, não poderão emprestar juntos mais de 500 bilhões de euros.Os mercados têm pressionado por uma ampliação da capacidade de empréstimo da zona do euro para garantir que o bloco com 17 nações tenha dinheiro suficiente para salvar mesmo os seus grandes membros, como a Itália ou a Espanha, o que deveria ser necessário, mas a Alemanha foi firmemente contrária a tal elevação.

(…)

“Fora de seus 440 bilhões de euros de poder de crédito, o EFSF já comprometeu 192 bilhões de euros em resgates para Grécia, Irlanda e Portugal”. ( Reuters, via Estadão 16/03/2012)



Portugal

 

Parece um filme repetido ou a sensação de “dejà vu”, mas parece inevitável que vote com força à cena, os países que enfrentam uma grave crise.  Segundo Associated Express (via Estadão):

“Portugal corre o risco de ser uma segunda Grécia devido à sua enorme dívida soberana, disse Mohamed El-Erian, diretor-geral do fundo de investimentos PIMCO, à revista alemã Der Spiegel neste domingo.

Segundo ele, Portugal certamente necessitará de um segundo plano de resgate, o que despertará novas dúvidas sobre a solvência do país. El-Erian disse que Portugal será cada vez mais vigiado e que “os mercados financeiros ficarão nervosos por temer uma possível participação do setor privado” num possível novo plano de resgate”. (18/03/2012 Estadão)

 

No Diário Económico, o Ministro das Finanças, Vítor Gaspar, se mostra mais otimista: “A ambição da nossa agenda de reforma estrutural é bem patente e é nessa agenda e na remoção dos obstáculos que temos – criação de emprego, competitividade e crescimento – que pretendemos acelerar. Aprofundando o que está no programa de ajustamento, de forma a criar as condições para sustentar um patamar de competitividade e prosperidade que a economia portuguesa não teve até agora”.

 

Mas o próprio Vítor Gaspar reconhece que : Portugal deverá voltar a crescer em 2013 e disse que a necessidade de ajustamento da economia nacional é “inevitável”. O país continua um processo desenfreando de privatizações, prometendo que manterá os empregos. O primeiro-ministro garantiu hoje que “vão ser salvaguardados o maior número possível” de postos de trabalho durante o processo de privatização dos Estaleiros de Viana do Castelo.

Passos Coelho assegurou ainda, durante uma visita a Viseu, que o processo “não vai ficar para as calendas gregas”. O primeiro-ministro recusou-se a falar de pormenores sobre a privatização, mas afirmou que ela é inevitável já que “o governo não tem condições para estar a garantir novas injecções de capital”, justificou ( Diário Económico, 19/03/2012).

 

Espanha

 

O desdobramento da Crise tem efeito violento na Espanha com suas históricas taxas de desemprego sendo superada mês a mês. Mas o pior da crise se concentra nos bancos, segundo Agência France Press:

“A taxa de créditos duvidosos dos bancos da Espanha, índice de sua vulnerabilidade, voltou a subir em janeiro e atingiu um novo recorde desde 1994, segundo informações do Banco da Espanha.O índice, principalmente de empréstimos imobiliários que podem não ser reembolsados, alcançou 140,03 bilhões de euros em janeiro, o que representa 7,91%, contra 7,61% de dezembro e 7,42% de outubro.

O setor bancário espanhol é uma fonte de preocupação para os mercados desde a explosão da bolha imobiliária em 2008: a taxa de créditos duvidosos, que era de apenas 3,37% no fim de 2008, subiu muito desde o início da crise.O governo conservador de Mariano Rajoy aprovou recentemente uma nova reforma que exige um maior esforço dos bancos para evitar novas crises”.

 

Hoje Espanha lançou novos títulos com relativo sucesso,  vendeu 5 bilhões de Euros, os bancos que tomaram dinheiro do BCE a 1% ao ano, por 3 anos, agora compram os títulos espanhóis de 1 ano e de 18 meses a juros de 1,41% e 1,71, respectivamente. Mesmo com uma das menores taxas de endividamento público , segundo Banco da Espanha (banco central do país) informou nesta sexta-feira que a dívida subiu para 68,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011, acima dos 61,2 por cento no ano anterior e comparado a uma taxa esperada de 87,7 por cento para os 17 países da zona do euro.(Estadão 16/03/2012).

 

A Espanha continua sendo fonte de alta preocupação, em particular, porque sua economia está estagnada e em queda desde início de 2011, piorando a situação do emprego. Hoje, cerca de 25% da população espanhola vive em situação de pobreza, dados compatíveis com a países em desenvolvimento, mas impensáveis para um país da Zona do Euro.

 

Itália

 

A terceira maior economia da Zona do Euro, que somada à  Espanha representam 1/3 do bloco, entrou num espiral de queda acentuada, uma mistura de colapso econômico e político, que leva à decadência da outrora rica Itália. A primeira medida que a Troika ( Comissão Europeia, FMI e BCE) fez em relação ao país foi uma intervenção “branca”, assim como na Grécia, impôs um Governos Biônico, não eleito, de tecnocratas, liderados por Mario Monti, que não é Belo, oriundo do Goldman Sachs.

 

Depois de quase 6 meses no poder,Mario Monti e seus tecnocratas pouco ou nada avançaram em suas “reformas” e ajustes.  Ontem no Estadão uma reportagem da Dow Jones, dava um quadro sobre a tentativa de reforma trabalhista:

“A reforma do mercado de trabalho é um dos mais importantes objetivos do governo técnico de Monti, mas é também um dos mais complicados por causa das rígidas leis do país, que são defendidas com vigor pelos sindicatos e por políticos.

A ministra do Bem-Estar, Elsa Fornero está conduzindo as negociações, que devem se estender até o fim da próxima semana quando Monti realiza uma reunião de avaliação. “Todo mundo vai ter de ceder em alguma coisa”, disse Monti durante uma convenção empresarial em Milão. “Nós precisamos transformar o mercado de trabalho em algo parecido com um mercado”, afirma. Segundo Monti, as leis fossilizaram a mobilidade existente.

O primeiro ministro é um crítico das leis que desencorajam os empregados a contratar novas pessoas e impedem que eles os demitam. A ministra Elsa Fornero quer facilitar a redução das despesas com funcionários pelos empregadores e fornecer benefícios para quem for demitido”.

 

Mesmo a Produção industrial tendo crescido em janeiro na Europa, puxa pela Alemanha, 1,5%, a da Itália e seus tecnocratas caiu 2,5%. A missão parece francamente fracassada.

 

 

 


 

 

0 thoughts on “Crise 2.0: Algumas tendências II”

  1. Então, nada de novo no front ocidental. não me lembro quem disse há dois dias que o pior tinha passando. Mas esse pior vai piorar bem antes de começar a melhorar.

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