Crise 2.0: O Fim da Crise?

 

 

 

Como venho alertando, aos que aqui frequentam, a Crise 2. 0 não é para sempre, como bem nos ensina Marx,  não existe crise permanente, sim as periódicas em permanência, o que é muito confundido por uma certa gama de analistas de esquerda. Muitos mergulham no estudo da crise, inclusive quando ela já aconteceu, nem percebem que um novo ciclo se abriu, eles ainda estão discutindo os “efeitos da crise”.

 

Identificar o momento que a Crise se instala é fundamental para saber sua intensidade, que novos rumos o Capital tomará nos próximos ciclos. Lendo Martins, no seu excelente texto sobre Economia mundial de 1970 a 2005, em dado momento ele revela, que ao contrário do pensamos, a Crise de 74, conhecida como “Crise do Petróleo”, na verdade já se gestava desde 68, 69, os números de horas trabalhadas, produtividade e lucro, mostravam o ápice da superprodução. O momento da crise não foi em 1974, mas bem antes, o que se via, em 1974, já eram os efeitos da crise, que em regra é queima de forças produtivas, de capital, para que a taxa de lucro se recomponha.

 

O repique daquela crise se deu em 1981/82, com o início do Governo Reagan e se expressou na questão das dívidas dos países então chamados de “terceiro mundo”. Este países  havia recebido grandes investimentos de Capital desde o fim dos anos 60/70 e a “conta” efetivamente foi cobrada pelo FMI e Clube de Paris no início dos anos 80. Aquele novo ciclo efetivamente se abre em 1983 com a maior revolução do Capital, que ajudou varrer o leste: A revolução da micro-eletrônica. O novo ciclo do Capital iniciado em meados dos anos 80, liderados mais uma vez pelos EUA, foi engrossado pela queda do Muro e o fim da Ex-URSS.

 

Neste meio tempo, uma guerra ao Iraque, pequenas guerras na África, ajudaram a azeitar a colossal indústria bélica americana. Nos anos 90 há a incorporação definitiva da China, com seu modo de produção peculiar, Capitalista de Estado, dirigida por uma burocracia estatal violenta. A chegada e a integração da China ao capitalismo central deu fôlego vital ao Capital, pois fez  entrar amplas massas no processo produtivo global, mas fundamentalmente ainda, ajudou a definir novos padrões produtivos e incrementar a taxa de lucro do Capital.

 

As milhares de empresas que aportaram na China, capital fundamentalmente dos EUA, em primeiro lugar, transformam o panorama global do processo de acumulação/circulação capitalista. O apogeu deste movimento se dar nos anos 2000. Em paralelo a este movimento, a indústria bélica americana, um dos carros chefe do Capital, consegue duas lucrativas guerras: Iraque e Afeganistão, que ajuda a consumir, apenas nestas guerraa, mais 1,5 trilhões de dólares. Além de um orçamento anual crescente que apenas de 2001 à 2010 chegou aos 6 trilhões de dólares. Esta esfuziante marca é acompanhada do aprimoramento das Telecomunicações, Internet e fundamental o controle político e ideológico mundial.

 

A Saída da Crise

 

Os ciclos econômicos se iniciam e findam com as crises de Superprodução. Tenho tratado deste tema: se a atual crise está no fim e já começamos um novo ciclo de acumulação/Circulação do Capital. Os textos  anteriores que fundamentam minha posição, estão expressas aqui :

  1. Crise 2.0: Um novo desenho econômico
  2. Crise 2.0: um novo ciclo se abre?

 

O ciclo anterior, que foi iniciado em meado dos anos 80 tem seu fim com várias crises regionais, como a dos tigres asiáticos, Russa e mexicana. O advento do Euro, as guerras regionais e a China, acabam por postergar uma crise global, mas com o furo da bolha de Internet ela se tornou evidente que breve viria a verdadeira conta, ou a verdadeira crise. O que acontece, desde 2008 até agora, são os efeitos da Crise, por 3 ou 4 longos anos sentimos este movimento. A queima de Capital, para o início de um novo ciclo.

 

Que fique claro, o movimento de entrada e saída da Crise, não é igual, mas há números crescentes de que os EUA estão desde ano passado em crescimento, ainda que incipiente, consolidado. As taxa não são elevadas mas o amplo império,  que tem seus braços fincados na China, na Índia, no Brasil e no mundo, começa a se fortalecer. Sua indústria pesada, bens de capital, automobilística e construção civil(que gera muito emprego) estão voltando com força. As taxas de desemprego pararam de crescer, no mínimo estagnaram, pode ser um novo patamar(algo em torno de 9%). Estes sinais é que devemos ficar atentos.

 

O lado europeu, a meu ver, é processo de consolidação, liderados pela Alemanha( oficialmente não está em crise) e pela cambaleante França, tem um longo tempo de queima de capital, que pode levar países inteiros a um novo desenho político e social. A luta de vida e morte, entre o velho estado de bem estar social contra o liberalismo dos anos 80/90/00 deixou grandes marcas. Porém,  a Alemanha que fez um duro ajuste comandada pelos “sociais democratas” , enganasse que acha que foi Merkel, agora dar as cartas, sua indústria moderna e produtiva, não encontra competidores na Zona do Euro, no fundo os outros países vão se “ajustar” à cadeia de comando e produtiva alemã, não existe outra saída do Capital. Os custos sociais serão terríveis.

 

O mundo é muito mais complexo do que aqueles que vêem a crise permanente ou terminal, assim agrada nossas fantasias , quase mitológicas, mas que pouco ajuda na luta de classes. Entendamos sair da “crise” não significa resolver os problemas centrais do capitalismo, ao contrário do que vulgarmente se pensa, pode ser inclusive o aprofundamento das enormes contradições inerentes ao sistema. Mas não podemos analisar o Capital como estático, ou eternamente em crise.

 

0 thoughts on “Crise 2.0: O Fim da Crise?”

  1. Verdade, Arnobio, até a construção civil, responsável pela explosão dos subprimes em 2008, já começa a crescer de novo nos EUA. Aquilo ali tem dinheiro, eita ferro! Dão a freada de arrumação, os remediados caem pra fora da amurada e esse transatlântico mastodôntico segue seu curso. Marx adoraria estudar aquela economia, aposto… Baita complexidade.

  2. Arnóbio, parece-me, então, que tentar sanar os momentos de “crise”, apenas, é como dar aspirinas pra passar a dor e febre, sem ir ao fundo da questão.
    Não se trata, pois, de crise, mas de doença sistêmica. Desde meados da década de 60, com a desaceleração do boom do plano Marshall, os momentos de “estouro de bolhas” têm tido intervalos cada vez mais curtos, até o momento em que não haverá mais intervalo, e aí é, citando tio Marx, “Socialismo ou Barbárie”, barbárie que já dá sinais de rondar não apenas as periferias do planeta, mas presente nas principais economias do globo, EUA, Japão e CE…
    E, sim, o Capitalismo tem usado sua condição mutante pra tentar manter a sobrevida, mas até quando isso dura?

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