Crise 2.0: A Recessão da Zona do Euro

 

Merkel - A recessão no seu caminho (Foto: EFE)

A recessão é o efeito imediato de uma crise de superprodução de Capital, como sempre tratamos aqui na série sobre a Crise 2.0, isto se dá pela necessidade de queima de forças produtivas, a expulsão do trabalhadores do emprego, a queda dos preços, o fechamento de fábricas, comércio. A recomposição do Capital, para um novo ciclo, exige este movimento, o preço pago pelo trabalhadores e pelo povo em geral é altíssimo, quanto maior a crise ou o tempo para iniciar um novo ciclo, pior as condições de vida e reprodução da classe.

 

Os EUA tiveram sua crise de superprodução de capital em 2005, quando se atingiu o pico de emprego, salários e preço das mercadorias, desde então, apenas em 2011, é que os preços, por exemplo dos imóveis, voltaram ao valores daquele ano. O conjunto do PIB dos EUA, descontada a inflação, é menos de 1% maior do que o de 2005, a expectativa era de que em 2012 efetivamente se começasse a sair da Crise, mas um déficit de 5 milhões(3,3% PEA) de empregos cortados entre 2007 e 2011, elevando o desemprego para 8,2%. Tudo isto, combinado com a crise da Zona do Euro, emperra este retorno. A economia dos EUA ainda têm um longo período de ajustes, com novo QE, o terceiro, que expande a base monetária, dando a falsa ideia de crescimento, turbinado pela inflação.

 

A Zona do Euro, entrou nesta Crise, que denominamos de Crise 2.0, com dois anos de diferença, por volta de 2007, mas segue o mesmo roteiro dos EUA, com mais agravantes, uma profunda desagregação interna, a imensa diferença econômica entre os países membros, já levou à bancarrota 3 deles: Irlanda, Portugal e Grécia. Agora também ameaça levar junto Espanha e Itália. Desde 2009 a situação vem se agravando de forma acelerada, exceto por Alemanha que se mantém, no geral os números são sempre em queda, ou de baixíssimo crescimento. O gráfico do PIB da Zona do Euro e da UE desde 2007, refletem o que afirmamos:

 

Fonte Eurostat

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Hoje, saiu o PIB do segundo trimestre de 2012, que confirma a afirmação anterior, apenas Alemanha manteve algum ralo crescimento:

 

Fonte: El País

 

 

 

 

 

 

 

Os dados  em geral apontam para uma recessão geral na Zona do Euro, quando visto de forma anualizada a tendência se torna mais nítida, conforme o gráfico abaixo:

 

Fonte: El País

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O jornal El País, tem na sua manchete exatamente esta afirmação: “A economia da zona euro parece em recessão no segundo trimestre”. Lendo a matéria se percebe o total pessimismo geral com a economia do velho continente, os dados da agência Eurostat,  com o comparativo trimestre a trimestre, fica sombrio demais pois a queda fica mais acentuada, o PIB italiano caiu 2,5 %, de Portugal 3,3%, Grécia 6,2%. Mesmo Alemanha e França o crescimento é mínimo, 1% e 0,3%, respectivamente.

 

As perspectivas da Alemanha começam a mudar, segundo o El País, “A economia alemã cresceu mais do que algumas previsões, mas especialistas dizem que ele não vai continuar com um bom crescimento, a menos que as decisões são tomadas coletivamente em favor da moeda única. “A progressão acabou por ser bastante sólido, mas pode ser o último trimestre com uma boa notícia para a Alemanha por um tempo. A economia poderá contratar no verão”, disse Joerg Kraemer, economista-chefe do Commerzbank. A declaração otimista, do banqueiro, não bate com a realidade, o desemprego aumentou em junho e julho, já dentro do Verão Europeu.

 

O declínio europeu não se traduz apenas em números, mas precisamente pela imagens dos bolsões de miséria em várias cidades do velho continente, algo impensado, quando nos lembramos da festa da introdução do Euro. A roda da história continua a girar, ela não acabou.

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