Arnobio Rocha Tecnologia Algoritmos: O Inferno das imposições das Redes Sociais.

2104: Algoritmos: O Inferno das imposições das Redes Sociais.


if then – Um conjunto de ideias que nos prenderam para sempre?

Longe o profeta do terror que a laranja mecânica anuncia
Amar e mudar as coisas me interessa mais
(Alucinação – Belchior)

Volto a um ponto que escrevi outro dia nesse blog, sobre a questão de “desconhecer” pessoas (individualmente). Penso que ao contrário da busca desenfreada por mais “amigos”, “seguidores” em redes sociais, é necessário uma inflexão para o mais essencial, que é gostar da humanidade (coletivamente), apesar de nossas individualidades e boçalidades, talvez ter interlocução com grupos, coletivos, movimentos, ajudaria numa reconstrução do HUMANO.

Estamos cada instante mais conectados com as milhares de pessoas, interações constantes e múltiplas, ao mesmo tempo, cada vez mais breves e superficiais, relações quase supérfluas que não resistem a um debate, a um pensamento divergente, logo, a contrariedade é seguida do cancelamento, a velocidade do “não gostei” é inversamente proporcional ao “Gostei“.

As redes sociais juntaram bilhões pessoas, mas brilhantemente as segmentaram, criaram os famosos algoritmos com as combinações “objetivas” daquilo que “somos”, do que “queremos”, tratando a todas e todos, como produtos em prateleiras, departamentos, aqui são os frios, aquilo lá são os destilados, nesse outro, os produtos de limpeza.

Criam-se bolhas, cercas, muros, clusters, cientificamente controlados, e internamente a elas, várias sub-rotinas com temas, e com novos padrões de convivência, em que os diálogos são permitidos e aprovados. Bovinamente vamos nos submetendo a essa lógica, além de novos padrões de comportamentos sociais, que são de redes sociais, um dos exemplos é a de não intimidade, tudo higiênico e distante.

Falar por voz (celular, telefone fixo), só com consentimento prévio de uma mensagem, uma etiqueta de não me toque, não me perturbe, aliás, vai destruindo uma característica tão brasileira, latina, a da espontaneidade, do afeto, do abraço, de ser amigo de um (a) desconhecido (a), das qualidades humanas maiores, que é a descoberta do novo, de novas amizades.

O problema é que somos, ainda, HUMANOS.

A nossa subjetividade (ainda) resiste ao padrão, por mais que as máquinas, os aplicativos no sugiram as mesmas pessoas com nossas identidades, as músicas que vamos ouvir, os filmes que veremos, para sorte nossa, azar deles, somos teimosos e resistentes, não vamos adaptar (ou não).

Isso pode ser só a minha esperança, talvez esteja mais para lá do que para cá, rogo pragas contra toda forma de controle. Acredito num novo arvorecer, aproveitando tudo o que foi criado, mas lutando pela liberdade de escolher, de saber o que nós ainda gostamos, nem que seja apenas de nós mesmos.

Já seria alguma coisa, não?

A minha alucinação é suportar o dia a dia
E meu delírio é a experiência com coisas reais

 

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