A busca por uma nova Utopia e os reencontros com nossas histórias.


Encontros de gerações e de histórias perdidas e achadas.

Esses dias em Fortaleza foram de importantes encontros, rever amigos de décadas atrás e de tratar sobre como reencontrar formar de militâncias e de entendimentos acerca dos fenômenos próprios do atual estágio da luta de classes, das novas formas de organização, resistência e lutas sociais para enfrentar a máquina avassaladora do Capital.

Todos nós seguimos rumos na vida, de jovens militantes estudantis, secundaristas e universitários, no período da redemocratização, uma nova geração forjada ainda sob ditadura, na clandestinidade, dos medos e incertezas, até as nossas afirmações de lideranças nos movimentos políticos do Ceará, no meu caso, parti cedo para São Paulo.

Do nosso meio saíram vereadores, prefeitos, deputados estaduais e federais, até o governador do estado, Camilo Santana. Como também formamos grandes profissionais em tantas áreas, médicos (as), advogadas (os), cientistas, pesquisadores, professores e professoras, mestres (as), Doutores (as), diretores (as) de universidades, candidatos à reitorias, desembargadores (as), enfim, uma geração virtuosa e vitoriosa.

Alguns de nós participou de governos locais, estaduais e federais, se tornaram autoridades do Estado e o que nos manteve de alguma forma ligados, foi o sentimento ético e de compromisso com nosso povo, cada uma e cada um, ao seu modo, dentro das suas áreas, nas circunstâncias mais variadas, o sentimento de defesa dos Direitos Humanos, das liberdades, da política e democracia.

Óbvio que não trajetórias lineares, todas e todos, enfrentamos as contradições, os riscos de uma sociedade dividida em classes, estamentos, das tentações de cooptações, assim como Odisseus (Ulisses) não é fácil resistir ao canto das sereias, a nossa formação e compromisso político, nunca adormeceram e não se deixaram levar, a maioria, mesmo com todos os percalços, chegamos aqui.

Vivemos o impasse, um certo desespero, de depois de tantas lutas e contradições, o Brasil correndo o risco de um retrocesso inimaginável, ameaçando todas as conquistas democráticas e sociais. Além de enfrentar uma nova roupagem de cooptação em nome da liberdade (no sentido liberal dos EUA), o ultraliberalismo, que aproximou, na prática uma esquerda mais radicalizada com os valores do Tea Party, resultado de 2013.

Houve o abandono das teses de rutura, do marxismo, entre outras, desde a queda do muro de Berlim, mas que se aprofundou tanto no republicanismo da experiência dos governos petistas, quanto na experiência das jornadas, das cirandas, das pautas puramente identitárias.

Ao mesmo tempo que boa parte de nós não compreende a dinâmica das novas formas de lutas, acabamos menosprezando ou achando que não há resistência alguma, o que não é verdade. Outro problema é cair no discurso de havia uma forma melhor de luta no passado, quase uma idealização dos anos 80/90, uma revisitação sempre dolorosa, que pouco ajudará a enfrentar o mundo real de hoje e seus desafios.

As conversas e as trocas de experiências, não só em grupos de whatsapp, que vão cansado e não produzem vivências reais, de luta e superação. Estarmos juntos esses dias, Ecila, Newton, Assis Filho, Leia, D, Argentina (aos 82 anos de enorme lucidez), nos faz sonhar, de nos aproximar mais, de possibilidade escrever, produzir, criar e espalhar novas ideias e debates.

Principalmente acolhimento e utopia, só isso, já valeu a pena.

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