Japão: O que é Imperdível? Vol. VI

Luana na Takeshita Dori, no seu paraíso.

Domingo em Tóquio é dia de Harajuku com suas ruelas de comércio alternativo e cheio de brilho, quinquilharias, roupas e assessórios e muita paciência para acompanhar a linda mocinha. Shibuya e seus segredos como as “unhas” com manicure que parece saída de filmes futuristas. Dia de andar pelas avenidas, curtir o Yoyogi Park e seus personagens cosplay.

Acordar cedo e sair para o mundo que nos aguardava, a ansiedade de conseguir ver tudo aquilo em um dia, podendo voltar ainda nos dois dias que nos restava em Tóquio. Café da manhã no hotel ao som de bossa nova, numa mistura de sabores orientais e ocidentais oferecidos, mas emocionados por ouvir o bom português de Joyce, Menescal, Tom e João Gilberto.

Estações relativamente vazias denunciam o domingo, escritórios e indústria não funcionam, mas o comércio ferve, os bares e restaurantes enchem no meio da tarde. Nossa parada inicial foi em Shibuya, a Luana descobriu umas manicures num pequeno prédio, muito estranho, no térreo um restaurante, uma escada com acesso a um mezanino e de lá um minúsculo elevador nos levou ao quarto andar.

Lá duas moças estilosas atendiam, uma com uma cliente, a outra, apesar de não ter cliente, só aceita “hora marcada”, não se espante, funciona assim, o próximo horário dela era 11:15, então por 20 minutos ficamos ali olhando um para o outro, até ela dizer que podia começar. Um trabalho artesanal, uma terapia para unhas de quase duas horas, a Luana feliz, eu nem um pouco.

Desci e fui visitar lojas, ruas, olhar o movimento das pessoas, mas com medo de me perder naquele fervilhar de gente. É dia que andam em bandos, por tipos de gostos, encontros nas esquinas, os rostos pintados de acordo com as tribos. Pesquisei algumas coisas que a Luana compraria para não perder tempo depois da sessão na “uniquee girls”.

Fomos para Harajuku no início da tarde, primeiro caminhamos muito pela Omotesandō Street, visitando as grandes lojas e admirando suas vitrines, olhando as novidades, a Luana pesquisando os visuais das ruas, as roupas e as combinações, os cortes de cabelos, encantada com a graça das pessoas, de um mundo distante, mas cada vez mais próximo entre eles.

Voltamos para próximo da estação e entramos no Yoyogi Park, no meio da tarde é o point alternativo, o pessoal dançando vestidos de Elvis e roqueiros anos de 1950. Artistas de tuas pintando, dançando e pequenos grupos que cantam se apresentando para quem passa. Uma paisagem linda desse parque muito bem cuidado, mas que tem seu maior brilho justamente nas pessoas que ali se apresentam, soltam suas artes sem repressão do cotidiano.

Disse para Luana que aquelas pessoas estavam ali em 1996, apenas alguns estão com cabelos brancos, mas que continuavam se divertindo como se não houvesse amanhã, pois nem sabemos se realmente haverá.

O final do dia foi na Takeshita Street, o paraíso do mundo Geeks, as minúsculas lojas, os produtos para cosplay, ou apenas roupas alternativas. Uma ou várias tribos desfilando naquela ruela meio perdida entre enormes avenidas, competindo com marcas e grifes, mas firme conquistando a garotada que não liga muito para o que se estar a vestir, ou a cor dos cabelos.

Tudo ali brilha e vibra, local mais que imperdível.

Textos anteriores: Crônicas do Japão“, sobre 1996.  Aqui já foram publicados, nessa nova fase, os textos:

  1. Japão: A Viagem em Números 
  2.  Japão: Hotel, Transporte e Internet 
  3. Japão: Café, Comida, lanches.
  4.  Japão: O que é Imperdível? Vol. I.  
  5. Japão: O que é Imperdível? Vol. II 
  6. Japão: O que é Imperdível? Vol. III
  7. Japão: O que é Imperdível? Vol. IV
  8. Japão: O que é Imperdível? Vol. V

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