Japão: O que é Imperdível? Vol. III

Os escombros da fábrica de armas, o alvo da Bomba Nuclear em Hiroshima.

Nossa segunda “casa” nessa viagem ao Japão foi em Osaka, a belíssima cidade, que foi a última capital do império, antes de se estabelecer em Tóquio. Como dissemos antes, resolvemos ficar num hotel dentro da estação de Osaka, excelente em todos os sentidos: localização, conforto, beleza arquitetônica e ar de “Lost in Translation”, a visão do alto da cidade no inverno é sensacional.

De Osaka fomos visitar Hiroshima, Nara e Quioto, cada uma por uma razão bem clara. Hiroshima por história de horror da bomba nuclear. Nara por seu passado glorioso de primeira capital e seu monumental Buda. Quioto, bem, essa é por vida, identidade e sua imensa cultura, seus templos espetaculares e uma cidade que une passado medieval e o presente tecnológico, com contradições e harmonia.

Cedo pegamos o Shinkasen em Shin-Osaka rumo a Hiroshima, viagem longa de quase duas horas, com uma paisagem cada vez mais diferente. A bela Kobe, o mítico castelo de Himeji, até a estranheza de chegar na cidade. Na estação central há uma preocupação de seus agentes em se comunicar e indicar os caminhos da grande cidade.

Um segurança nos deu um mapa feito à mão com todos os detalhes, fora os folders que normalmente tem aos montes em todas as grandes cidades, ele fez questão de nos ensinar como nos deslocar pela cidade e ir, especialmente aos monumentos da bomba.

Optamos pelo ônibus que faz uma volta circular pelas principais avenidas. Dia muito frio com garoa que fazia o frio parecer ainda menor dos que os 2º graus dos termômetros. Descemos no ponto em frente ao Domo, a antiga fábrica de armas, que foi o epicentro da explosão nuclear. Os destroços estão lá, com baixa radiação, mais de 70 anos depois.

Seguimos as grandes alamedas do jardim que leva ao museu da paz. Entre o Domo e o museu, há a pira da paz, que permanece acesa enquanto houver armas nucleares no mundo. E o monumento do Origami, que se tornou o símbolo da esperança e da cura, a garotinha com leucemia precisava fazer mil origamis e vencer a doença (óbvio que me toca duplamente, por minha filha e pela história).

Finalmente o museu da paz mundial, uma construção que lembra o MASP, que pareceu mais cinza desde a última vez que estive lá. Estava em reforma e a chuva dava mais tristeza à imagem. Andar pelos corredores do museu e acompanhar os horrores provocados pela guerra e a covardia da bomba, não é exercício fácil.

Quase em silêncio e olhos marejados, Luana e Eu, seguimos olhando os objetos, a maquete da cidade antes e depois da bomba, os restos humanos catalogados, as fotos, tudo ali guardados para bater forte em nossa arrogância e insensibilidade. Os relatos dos horrores, as mortes, as doenças por décadas como herança da maior estupidez cometida por um homem, que em poucas horas matou milhares de pessoas e no final de 4 meses quase 200 mil mortos.

Assim como da vez anterior, não fiz fotos, não falei e não tenho vontade de descrever com mais detalhes, acredito que esse museu deveria ser visitado por todos que tivessem condições de ir, para que sirva de reflexão e que desperte o sentido de humanidade. A dor é a maior vergonha que se sente ali.

Ainda dói, até ao escrever.

Textos anteriores: Crônicas do Japão“, sobre 1996.  Aqui já foram publicados, nessa nova fase, os textos:Japão: A Viagem em Números e Japão: Hotel, Transporte e Internet , Japão: Café, Comida, lanches., Japão: O que é Imperdível? Vol. I.  Japão: O que é Imperdível? Vol. II )

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