Crônicas do Japão XIII: Miyajima, fé e poesia

Saindo de Hiroshima

Torii of Miyajima - Miyajima, Hiroshima

O coração de quem vai a Hiroshima nunca mais será o mesmo, a reflexão que as imagens nos impõem nos transforma em primeiro lugar em pacifista em segundo uma sensação de vergonha pelo que a humanidade fez. Construir uma arma tão terrível, capaz de dizimar milhares de pessoas em poucos instantes, e matar terrivelmente por longos anos.

Pelo menos três gerações depois os efeitos da radioatividade ainda são sentido nas pessoas, várias doenças são comuns na região em particular leucemia, má formação, câncer, apenas para citar as mais graves e aparentes. Os tormentos dos flagelos da bomba marcam a alma do povo da cidade e de quem a visita.

Saímos de Hiroshima e fomos a Miyajima, uma pequena ilha em frente da cidade, atravessamos num pequeno catamarã, senti-me na barca de caronte, olhava para trás e via aquela bela cidade reconstruída, mas nunca mais será a mesma, do outro lado o imenso Tori nos lembra passado e fé, mais ainda esperança de uma vida melhor, seria uma espécie de ilha dos bem-aventurados.

A Ilha dos Bem-aventurados

Miyajima é uma ilha da fé, o Tori é sua entrada, ao atravessar o mar a maré baixa do inicio da tarde vemos a terra no pedestal dele, e no fim do dia a exuberante imagem do mar cobrindo-o seus sustentáculos com água a pouco mais de um metro, parece que o Tori flutua ou anda sobre as águas é uma imagem linda de natureza e obra humana.

Pelas ruas de terra da ilha vimos muitos cervos andando livremente entre as pessoas misturados na paisagem dão boas vindas aos que chegam esperando por comida que são vendidas aos turistas para distribuir aos cervos, mansos e dóceis comem felizes em nossas mãos, alisamos seus pêlos, belos animais.

Ao lado do Píer de desembarque há um templo com amplo alpendre, lembrou-me as casas antigas de fazenda no nordeste, a diferença é que é pintado de vermelho. Em frente do templo um longo tablado como se fosse um palco de teatro o que mais tarde confirmei que era algo assim. Uma rica encenação com tambores, roupas antigas, espadas compunham o cenário para exibição de uma espécie de ritual, atentamente acompanhado por nós.

A ilha tinha uma encosta que subimos e pelo caminho havia vários pequenos templos em homenagem as imagens budista, numa delas um Buda dourado reluzente deitado como se vigiasse os que por ele passam. Pouco à frente um poço em que se bebia uma água pura, mais no alto era feitas libações, incenso e era aspergida água perfumada em quem passava. Depois a fumaça de uma espécie de Turíbio de um aroma gostoso.

Atingimos o ponto mais alto da pequena ilha e a visão era deslumbrante, uma espécie de mirante permitia ver a ilha e seus templos, a pracinha de chegada cheia de cervos, o templo principal e seu tablado, mas o principal era o Tori, agora já com água cobrindo-lhe os pés. Ficamos por muito tempo ali admirando, olhando mais longe vendo Hiroshima o contraste dos dois locais era impressionante. A sensação provocada na dupla visão aliviou o sofrer do outro momento.

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