O discurso da vitória improvável (Foto: Mike Segar/Reuters)

O discurso da vitória improvável (Foto: Mike Segar/Reuters)

“Sejam quais forem da roupeta as vistas,
De sua eivada ciência as bagatelas
Com que embusteiros a ignorância aturdem”
(John Milton – Paraíso Perdido)

O mundo acordou, ou nem dormiu, perplexo com a vitória esmagadora de Donald Trump (maioria na Câmara, Senado e Governadores Republicanos), que era tida pelos analistas como improvável e até ontem à noite, com as urnas abertas, ainda davam Hillary, como eleita.

Um fiasco completo, por não conseguir captar o fenômeno devastador da política e da democracia, depois da Crise 2.0, ao que pese a recuperação da economia dos EUA, depois de 2013. Mais importante lembrar as peculiaridades que levam Trump ao posto máximo do mundo, pois guarda relações diretas com as votações de Beppo Grillo na Itália, Marine Le Pen na França e recentemente o BREXIT.

O esgotamento da democracia representativa, dos partidos tradicionais e principalmente da completa falência econômica das classes médias e dos trabalhadores, com situação deteriorada pela Crise de Superprodução de Kapital, levam à completa descrença nas saídas políticas.

As redes sociais também contribuíram enormemente para despolitização e criação de uma verdadeira fauna de imbecis com suas verdades cada vez mais absurdas. Portanto não é a toa que Trump, com todas as suas características repugnantes tenha se tornado viável.

Uma análise de linguistas dos EUA sobre as falas de Trump indicavam que as suas mensagens eram equivalentes a de um garoto de 9 ou 10 anos. Ou seja, aquele fanfarrão da quarta série B virou Presidente. Cumpre lembrar que os seus eleitores diziam com sinceridade que Hillary é comunista (aliás, cartaz também na Paulista dos vira-latas locais que o apoivam). Num vídeo apontavam Hillary como ET ou que tivesse um clone.

Trump Presidente, o irreal toma sua forma ideal e não é uma construção metafórica, mas de filosofia real em que a autonomia dos fenômenos objetivos se realiza de forma concreta. O Estado de Exceção, como Regra, que prefiro denominar Estado Gotham City, é a preparação da completa autonomia da plutocracia em relação à Democracia Formal: Povo, Estado e Nação.

Quando escrevi meu Estado Gotham City jamais imaginei que o Coringa seria eleito o Prefeito de Gotham City, imagine Presidente dos EUA? A simples presença de um Trump numa disputa corrida presidencial dos EUA demonstra a falência da Humanidade, pois está perto de tornar, essa excrecência como líder principal.

O desfecho dessa tragédia que ameaça a civilização como um todo e que nos condenará à barbárie. É muito difícil pensar de forma racional e tentar compreender determinada época histórica e seus fenômenos autônomos.

Sem perplexidade, mesmo na loucura, se revela um método. Perverso, mas tem.