A máquina porá Trump nos eixos? ( foto de Pablo Martinez Monsivais / AP)

A máquina porá Trump nos eixos? ( foto de Pablo Martinez Monsivais / AP)

“A loucura dos grandes deve ser vigiada” (Hamlet – Shakespeare)

Vamos combinar que o erro geral de praticamente todos os analistas e de todas das pesquisas que não conseguiram captar o fenômeno Trump (Trump e o Mundo Perplexo), tem muito a ver com a forma que compreendemos, racionalmente, a Política e a Democracia. Despreza-se o imponderável, ainda que ele não fosse tão improvável assim. Nem lembramos o tamanho do “bonde” que era a candidatura Hillary.

A brilhante análise de Michael Moore, lá pelo fim de julho de 2016, afirmando que Trump seria eleito presidente (5 motivos pelos quais Donald Trump será o próximo presidente dos Estados Unidos), foi levado como galhofa, sem credibilidade, mas ali, ele apontou os fatores de forma tão lógica, que nos humilhou e isso causa certo temor, como ele viu o que nos negamos ver? É melhor ignorar e fingir que ele não escreveu, o que escreveu, certo?

Mas agora é preciso ser retomado o debate real sobre o que será o governo Trump?

Várias manifestações violentas questionando a vitória de Trump se espalhou por grandes cidades dos EUA, a incredulidade e de que se caiu na real, pois não tem volta, ele venceu numa sociedade cada dia mais desigual e dividida. Com os ânimos extremamente acirrados. Tudo parece pronto para uma ruptura?

Trump explorou a miséria intelectual mediana, era uma anti-candidatura que deu certo (desconfio que nem ele confiava que venceria). Venceu, agora como mudar o plano e o discurso de ruptura com o stabelichment? É uma armadilha que ele criou para si, que só se resolve de duas formas, ambas violentas: Uma guerra civil ou uma grande guerra regional, assim se esquece a plataforma irracional.

Há Riscos de guerra civil no futuro, pois é muito certo que a plataforma demagógica de Trump não será cumprida e o seu governo será um grandioso fiasco. É inviável um governo eleito com uma plataforma tão estúpida. Também é certo que ele abandonará rapidamente o que prometeu, o que é o normal, as propostas mais esdrúxulas (Muro com o México, expulsão em massa de imigrantes, barrar muçulmanos) não têm como entrar em pauta concreta.

Combinado a esse cenário de frustração, com o abandona das propostas, aproxima-se uma nova crise, a anterior já tinha destruído a classe média e suas famosas hipotecas.  Os ricos ficaram mais ricos e o contingente de pobres aumentou, mesmo com a retomada da economia em 2013, o fosso social se ampliou. A saída histórica clássica em todo império é uma guerra, externa ou interna.

A violência faz parte da cultura da América. Bobagem pensar que se resume aos EUA. A diferença é que lá eles não têm medo de ir em frente e bater abertamente uns contra os outros. Na América latina a violência é organizada para os massacres de grupos específicos (os mais pobres), através de paramilitares, esquadrões da morte, violência por motivo torpe quase sempre seguida de morte.

As ações iniciais de Trump serão decisivas e acompanhadas sem trégua, boa parte se deve ao comportamento fanfarrão durante a campanha. O medo é real de que ele provoque uma ruptura maior do que a existente.

Do meu ponto de vista, Trump é a materilização ao que denomino Estado Gotham City, a burocracia permanente que não deve obediência à Democracia e a Política encontrará nele um aliado crucial. Ele é parte do poder real (econômico) e usará desse plus para destruir qualquer vestígio do velho Estado que aprisiona o Kapital.

O mundo virado pelo avesso à espera do meteoro.