A Revolução Russa e os seus ventos que sopram até hoje.

A Revolução Russa e os seus ventos que sopram até hoje.

“Não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, inversamente, o seu ser social que determina a sua consciência”. (Marx)

Esse texto é uma fusão de dois outros que penso não haver nenhuma coisa a mais a acrescentar para celebrar os revolucionários russos ou de qualquer parte do mundo. Ali, em 7 novembro de 1917, houve a primeira ruptura radical em que a classe dos últimos explorados, o Proletariado, ousou se emancipar. Segue o que penso sobre o que é Revolução e porque ela nos apaixona definitivamente.

A Revolução é um ato de milhões de pessoas sem nomes ou patentes.

A Revolução é um ato humano, o mais radical de todos. A Revolução desconstrói, libera forças jamais imaginadas. É a energia no Caos. Suas bandeiras, seus estandartes vibrarão para sempre. Seus lemas serão cantados eternamente. Uma Revolução jamais será ignorada, será digna de debates de amor e ódio, mas principalmente de liberação de costumes e quebra de paradigmas.

A Revolução é o único e sublime instante em que Utopia e Realidade se confundem, ou melhor, se fundem, todos os sonhos se concretizam numa celebração coletiva. É aquele momento em que a criatividade aflora, os sentidos e as coisas se realizam, sem que nada além do prazer, do êxtase se contemple.

Durante a Revolução nada precisa ser explicado, é, por assim ser. Tudo que era velho foi varrido, o novo pode finalmente aflorar, é a ordem no meio do Caos.

A Revolução não é um ato teórico, é a confirmação de uma ideia, uma ideologia, uma corrente filosófica que se fez ampla e compreendida de forma clara e objetiva, os aprendizados da Revolução, sim, viram teoria. Sua ardente chama, leva ao alcance do homem todas as possibilidades históricas e sua maior capacidade de redimir-se como tal, transformar-se em outro, mais forte e mais humano.

Os atores da Revolução são os sem nomes, os poucos conhecidos, aqueles que, numa decisão rápida, emprestam seus corpos e suas almas pela causa, mesmo que não a entendam plenamente, mas sentem que virará história. Os rostos, os sorrisos, a alegria de fazer algo incomum, o imenso calor humano, os sonhos de viver aquele mágico momento, de expulsar seus demônios e as forças que lhe oprimem. O pleno homem coletivo, com a riqueza de cada um individualmente aceita e somada, o todo, o desejo realizado.

A Revolução Russa, 99 anos depois, continua a apaixonar, a emocionar, impossível ser indiferente aos atos e fatos histórico daquele heroico povo, que ousou mudar seu destino. A história contada pelas amplas massas, pelos anônimos, por um povo que sentiu o pulsar do momento, que mudou o mundo, sem saber plenamente o que fazia. Abriu uma nova era na humanidade, a Utopia se fez Revolução. Uma rara comunhão de teoria e prática, com uma rapidez de acontecimentos e transformação tão intensa e surpreendente, o poder exercido diretamente, sem intermediários.

Minha homenagem não pode ir somente aos líderes, que foram brilhantes intérpretes do momento, compreenderam ou melhor intuíram que podia, naquele instante, explicar de forma simples o que queriam, seus planos e o que era o Poder. A sincronia de palavras e atos concretos, a ressonância daquilo que se pensou por dezenas de anos, transformado em ação humana concreta e decisiva.

As simbólicas palavras mágicas: Pão, Paz e Terra! Compreendidas como o essencial para aquela sociedade, naquele dado instante, fez tremer o Poder velho, dando luz ao novo Poder.

Todo o contexto especial, traduzido e executado com perfeição, o crescente movimento dos meses de fevereiro ao dia derradeiro, foram 9 meses w aquele povo especial estava grávido da Revolução, gestando dentro de si o Novo, a esperança de que era possível romper com as cadeias naturais da vida. O parto foi natural, com as dores que lhe são próprios, mas veio como choro e a alegria plena pelo rebento que nascia ao mundo. A humanidade mudou, graças ao heroico povo russo, nada foi como antes, nem jamais será, pois ali, se soube que, A Revolução é possível.

Por mais que preguem o fim da História, dos partidos, das ideologias, sempre haverá um Palácio de Smolni a ser conquistado, o imaginário será reavivado, não importa se na fria São Petersburgo ou na quente Praça de Tahir, no Cairo. A Revolução está presente nos Guarani-Kaiowás, na sua aparente fragilidade e luta pela terra, ou nos “Ocuppys” de qualquer parte do mundo, pois, enquanto houver homem, a Revolução viverá em cada um de nós, pode estar adormecida, mas não morta.