Diabetes, o Mal Silencioso.

 

Diabetes é um dos maiores males, age silenciosamente.
Diabetes é um dos maiores males, age silenciosamente.

Purifica tua mente e teu corpo estará curado” (Princípio de Asclépio)

Minha relação com os médicos brasileiros anda abalada faz tempo, por uma série de fatores, algumas vezes falada aqui (A Arte Médica Perdida), mas não vivemos sem ir ao médico, pois é uma função vital. Em julho passado completei 45 anos e resolvi marcar um clínico geral para buscar uma avaliação geral sobre meu estado de saúde, sobrepeso, inatividade física e estresse psicológico advindo dos últimos quatro anos de tratamento da Leucemia de minha filha (A Letícia Venceu a Leucemia), com sucesso, mas que deixam marcas indeléveis.

Somados a isso, um histórico familiar que preocupava, pois meu pai teve a diabetes diagnosticada quando ele tinha 48 anos. A pressão do trabalho, com relações desgastadas, as frustrações próprias da vida (seria crise da meia idade?), a preocupação com os desdobramentos da política e da economia do país, tudo vai se avolumando e vão deixando suas impressões digitais no nosso corpo em nossas mentes.

Marcada a consulta, final de agosto, nos consultório de atendimento do Hospital Santa Catarina, o primeiro encontro com o médico (chamemos de Dr X) foi a confirmação de como a medicina brasileira se divorciou da saúde, consultório lindo, limpo, mas a má vontade dele me espantou. Primeira pergunta dele foi: por que você veio aqui, está com alguma doença? Educadamente respondi que não só de doenças vive o homem, estava ali para fazer uma avaliação geral, tinha completado 45 anos. Ele atalha e diz: Mas você trabalha numa grande empresa que faz avaliação anual. Confesso que quase saí da sala, mas resisti, pedi a ele, se fosse possível, fazer pedidos de exames gerais. Pediu um hemograma completo e cheio de detalhes, ultrassom dos órgãos e a esteira para exame do coração.

Em apenas 1o minutos, o médico, com toda preguiça, sem nenhuma anamnese com as perguntas essenciais, deu-me as guias de exames. Saí de lá me sentindo um lixo e pensando como podemos nos submeter à tão grande desrespeito, seria por que a consulta era por convênio? Ou por que ele sendo especialista em Endocrinologia estava tendo que atender a “fila” da clínica geral dos consultórios do Hospital Santa Catarina? Escolhi o hospital porque minha filha fez o tratamento de Leucemia lá e foi muito bem cuidada. Enfim, corri para marcar e fazer imediatamente todos os exame e marcar o retorno.

Entre os exames, os resultados e o retorno ao Dr X, por volta de 08 de outubro, senti dores fortes no braço esquerdo, como uma veia saltada. Novamente fui ao Santa Catarina e passei um dia insólito, entre exames e tensão de uma possível internação, neste meio tempo, durante o ultrassom do braço, o Doutor arrumou tempo de esculhambar o PT e Dilma “porque estava acabando com a medicina, fazendo dos médicos escravos”. Isso mesmo, ali na maca ouvi estas barbaridades, meia hora de duelo e de um sentimento de desrespeito ainda mais profundo. Pode ter sido apenas o ambiente eleitoral. O diagnóstico era uma trombo flebite, que me rendeu três dias em casa fazendo compressa e tomando remédios.

O retorno DR X foi pouco depois deste incidente. Com os resultados em mãos, parecia tudo bem, exceto os níveis colesterol e de glicose, acima do normal indicando que talvez estivesse com pré-diabetes, além de pedido de exame específico, tolerância à glicose, indicação de que tinha que procurar uma hematologista pois as plaquetas estavam baixas. Novas consultas, novos exames, novo retorno, desta feita com a hematologista, diga-se de passagem, que o nível de respeito dela e profissionalismo foi bem maior, fez uma anamnese descente, procurou saber informações mais precisas sobre mim, o que fazia, comia, o nível de estresse e se tinha histórico familiar de doenças, além de pedir exames antigos de sangue para comparar.

Enfim, na metade de novembro, a hematologista indicou que o resultado geral (Plaquetas e Hemoglobina) de sangue estava bom, os exames anteriores (de dois anos eram similares), portanto não havia problema, quanto ao exame de tolerância, não era com ela, mas indicava Diabetes tipo 2, mas só o outro médico poderia dar o diagnóstico e “remedinho”, nas palavras dela. Naquele dia meu mundo caiu, mesmo sem a palavra final, tudo se encaminhava para diabetes. Imediatamente cortei os excessos, pães, massas, gorduras, refrigerantes. Doces e sorvetes, raramente comia, então não teria problemas, mas o açúcar no café e meu leite, não cortei. Em poucos dias perdi 4 quilos, caindo de 81 para 77.

Tentei marcar o retorno do retorno com o Dr X, por ser final de ano, apenas dia 9 de janeiro teria data disponível, então parti para buscar uma indicação de um médico de confiança. Um amigo do trabalho indicou dois, um inclusive próximo à empresa, um cardiologista que também poderia ver os resultados da trombo flebite. Decidir marcar consulta, no começo de dezembro, lógico que particular, por convênio seria para “calendas gregas”. Um ótimo atendimento, uma hora e quinze minutos de consulta, conversa, perguntas e questionamentos.

O diagnóstico foi o pior possível: Colesterol estava no limiar (197), a taxa de Glicose (98) em jejum estava no limite e após a introdução de glicose(248) estava muito acima do limite, então, pelo histórico familiar, era diabetes tipo 2. Receita um remédio de uso contínuo (trayenta 500 2,5 mg), após almoço e jantar. Tinha que emagrecer e fazer uma atividade física constante, cortar 100% o açúcar, comer menos carboidratos, aumentar o consumo de verduras, legumes e frutas. Um mês depois deveria fazer novos exames de sangue e retorno no início de janeiro de 2015. Saí arrasado, o mal vencera, fiquei pensando. Comprei o remédio e um aparelho que mede as taxas de glicose no sangue, além de uma balança digital.

Na primeira semana sem açúcar e tudo o mais, perdi 3 quilos, a taxa de glicose caiu para 90 e após almoço, 168. Foi um estímulo, decidir ir dois dias para o trabalho de ônibus, assim andaria pelo menos 4 km no trajeto para me deslocar de casa ao ponto do ônibus e depois do ponto de descida ao trabalho. Comprei uma bicicleta para andar no fim de semana e quando der, também na semana. As primeiras pedaladas foram e são doloridas, as pernas doem, quase implorando para desistir. Mudei a alimentação geral, na quantidade e na qualidade, mesmo com a fome que me deixa, segui em frente.

Um mês depois, novos exames, os resultados apareceram: Colesterol 134, glicose em jejum, 82 e duas horas pós-almoço, 99. Perdi em 60 dias, 10 quilos, sentindo mais leve, aparentemente, tudo controlado. Voltei ao cardiologista, elogiou meu esforço, mas infelizmente não voltarei a tomar café com açúcar, o que me fez perder o gosto pelo café, não comerei meu pão francês, mas o pior, o remédio será para sempre. O peso já é o ideal, não posso perder mais, exceto se um endocrinologista ou nutricionista recomendar.

As dores no estômago após ingerir o remédio causam incômodo, mas é a realidade, não tenho como alterar, agora é seguir em frente, fazendo exames em casa para ver a curva de glicemia e manter o controle geral. Alguns fatos, os resultados gerais dos meus exames são iguais aos de dois anos e meio, quem sabe o médico pudesse ter visto o risco de diabetes naquela época, poderia ter outro quadro.

Mas, enfim, é se resignar e tentar viver com qualidade de vida, sem exageros alimentares. A diabetes é um mal que nos ronda, fiquemos atentos, antes que ela cause estragos irreparáveis. Mais dúvidas procurar ler nos sites apropriados, principalmente do Ministério da Saúde (aqui Diabetes e mais aqui Diretrizes sobre Diabetes).

Saúde!!!

One thought on “Diabetes, o Mal Silencioso.”

  1. Sim, a dor nas pernas após pedalar é inevitável, porém, veja se o banco nao está muito baixo. Nao desista o controle de peso com a bike é mais suave!

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