The Endless River – Pink Floyd

The Endless River - O "novo" álbum do "Pink Floyd" .
The Endless River – O “novo” álbum do “Pink Floyd” .

Vamos combinar uma coisa, o Pink Floyd acabou no The Wall, o conceito, a concepção, a criação coletiva, aquela união especial que fez alguns dos mais criativos e espetaculares álbuns da história do Rock. Mas o limite de interação e respeito mútuo entre as maiores estrelas do grupo, David Gilmour e Roger Waters, findou ali, naquele memorável álbum.

As palavras de Waters não deixam dúvidas que desde Wish You Were Here, eles não eram mais um grupo. The Wall é um milagre do caos interno: “Foi uma tristeza fazer “The final cut”, mesmo tendo-o ouvido depois e gostado de grande parte, não gosto da maneira como cantei. Consegue-se perceber a tensão louca por todo o álbum. Se você tenta expressar algo e não consegue fazê-lo por estar tão nervoso… Foi uma época terrível. Nós discutíamos como cães e gatos, começando a perceber ou antes a aceitar que não havia banda. Na verdade estava nos sendo imposto que nós não éramos uma banda, e que não éramos já há muito tempo, pelo menos desde 1975, quando fizemos Wish you were here. Mesmo nessa altura havia grande desacordo sobre o conteúdo e sobre como fazer o álbum”.

Mesmo considerando The Final Cut genial, digno da obra do Pink Floyd, absolutamente não estamos mais falando de Pink Floyd, mas a versão de Roger Waters sobre si, homenagem ao pai, e sobre o grupo, a relação de mando e poder. Richard Wright já estava fora da banda desde o final do The Wall, apenas gravou como artista pago, não como membro efetivo. Depois disto a guerra aberta entre Gilmour e Waters teve seu “fim” em 1985, cada um fez o “seu” Pink Floyd, deixando órfãos milhões de fãs no mundo.

Gimour também declarou sua visão de como se deu o ponto final coletivo: “Bem, isto foi sempre o meu objetivo durante anos, ou seja sempre foi um dos meus objetivos, que tudo o que se fizesse, fosse equilibrado. Disse a ele centenas de vezes até chatear – o que conta é o equilíbrio entre as palavras e a música, e eu penso que foi isso que se perdeu em “The final cut”.

O outro álbum lançado pelo Pink Floyd de Gilmour, A Momentary Lapse of Reasonpara mim, não faz jus ao que foi o grupo, entretanto, o maravilhoso  The Division Bell, de 1994, nos devolve um Pink Floyd muito próximo dos grandes momentos do passado, mas se situa no mesmo campo do The Final Cut, não é o grupo, mas a centelha de sua criatividade que estava ali presente, sem contar com a formação completa, mas com força e a magia da banda, que tanto me encanta.

Hoje ouvi o disco The Endless River, com selo Pink Floyd, ainda mais reduzido, depois da morte de Richard Wright, em 2008, o que acabou de vez a possibilidade de reunir a formação original. Apenas em 2005, no Live8, houve este reencontro por breves 25 minutos, os velhos dinossauros tocando juntos. Uma atmosfera tensa, mas muito bela, ali o sonho se tornou uma realidade, naqueles  poucos minutos, que foram eternos. Mesmo com ofertas milionárias, eles não voltaram a se reunir para produzir novamente.

Este novo álbum é um tributo, sincero, de Mason e Gilmour, ao velho parceiro morto em 2008, parece algo mais artesanal, uma colagem de sons, de testes e experimentações sem compromisso. Soa leve, algumas vezes lembra as viagens Shine on crazy Diamond, sem sua força, alguns podem achar meio New Age tardio, prefiro acreditar que seja uma reflexão honesta e de paz lisérgica. Mas como todo trabalho feito por parte do Pink Floyd, soa incompleto, sem a pegada, mas alguém acreditaria que conseguissem juntos novamente algo superior? Imagine separados.

O disco novo ficará no campo das “boas intenções”, de uma espécie de agradecimento aos velhos fãs (como eu), mas para nós, não nos devem nada, a vida seguiu, com certeza mais bela, graças a toda obra do Pink Floyd (juntos, separados, brigados, sempre eles).

PINK FLOYD THE ENDLESS RIVER Full Album

Imagem de Amostra do You Tube

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