O Golpe – Uma Tática Continuada.

50 Anos do Golpe, não precisamos repetir jamais.
50 Anos do Golpe, não precisamos repetir jamais.

Há determinados momentos na vida que estamos no limite, mas qual limite? Limite de tudo, o principal deles de tolerância, que nem toda racionalidade conquistada, nem boa dosagem de resistência consegue segurar. Quando chegamos ao ponto último suportável, as coisas começam a se complicar, o dia a dia passa a ser um doloroso sofrer, sem aparente razão plausível, pois não se torna externo, aquilo que internamente está mal resolvido, sem uma saída possível, ou uma ruptura clara com o que nos aflige.

Vez por outro me encontro assim, meio que enjaulado, com vontade de explodir, mas apenas com dose cavalares de concentração consigo sublimar, apaziguar a alma, reter a combustão. A percepção mais forte deste sentimento é quando já não consigo tolerar alguma coisa, por exemplo, ler qualquer jornal ou ver/ouvir qualquer noticiário, em rádio ou TV. Simplesmente não consigo abstrair e deixar rolar, não consigo mesmo, é um nível de cretinice que não tem como aceitar, isto torna angustiante por nada poder fazer, a não ser ignorar, boicotar individualmente a todos eles.

A questão não se trata de não apenas discordar do conteúdo manipulado, ou modo canalha de como é noticiado, é perceber que não há qualquer voz que destrói, que pelo menos tente debater outro lado, é uma mídia de pensamento único e covarde. Aqui percebemos como a hipocrisia das rádios, dos jornais e das TVs e escondendo sua relação umbilical com a Ditadura, agora vista como um fato histórico, bem longe da mídia, feito por militares. Noticiado hoje sem uma autocrítica, esquecendo o que se fez e as razões de terem feito, um apagar da memória, para, inclusive, justificar o que fazem hoje.

O aniversário dos 50 anos do golpe civil-militar é noticiado como se tivesse acontecido em outro país, como se  estas mesmas empresas jornalísticas não existissem na época , como se elas não tivessem sido tão decisivas para o sucesso do golpe e para sua duração, pela sua força e contundência, que suprimiu a democracia. O comportamento é de quem não fez nada pelo golpe, de quem não fosse beneficiário dele, o pior, ainda hoje se sentir livre para tramar, conspirar, mentir e manipular o país nos mesmos interesses antidemocráticos, para derrubar governos, forçar crises institucionais de forma aberta, como fez nos últimos 11 anos.

Este misto de revolta e de impotência me toma e luto para que não me paralise, mas não é fácil. Como também não gosto de escrever apenas para colocar bordões, melhor apenas desabafar sozinho, como fiz recentemente no texto A Democracia é um Estorvo para o Kapital?. O debate é sempre limitado, mesmo entre nós que queremos mais democracia, o que fazer?

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