A República Merkel

Fabrizio Bensch/Reuters
Os louros da vitoriosa Merkel ( Foto: Fabrizio Bensch/Reuters)

A vitoria de Merkel para um terceiro mandato na Alemanha esperada, ainda no mês passado escrevi aqui o artigo: Merkel – A Chanceler Téflon que dava conta possibilidade desta importante conquista, uma ruptura no curso natural de derrotas, no momento que todos governos europeus foram derrotados em suas eleições não importando a sua coloração política, a Crise 2.0 varreu de forma incontestável a todos, exceto a Alemanha, voltando ao centro a máxima de Clinton “é a economia, estúpido!” .

Como bem resumiu o jornal inglês, “The Guardian” de que “ Os alemães deram a Merkel um terceiro mandato porque seu padrão de vida e seus empregos permaneceram estáveis enquanto o desastre atingiu boa parte da Europa. Desde a bola de neve provocada pela Grécia em 2010, 12 governos caíram nos 17 países da zona do euro, da direita à esquerda. A Alemanha foi a exceção. Merkel foi a figura dominante em desenhar a resposta da Europa à crise, a arquiteta da austeridade, uma palavra que ela privadamente diz desprezar” . E arremata dizendo que ”a vitória de um terceiro mandato, com uma votação maior para seu partido que em 2009, sustentará sua confiança na maneira como vem lidando com o desafio. Isso sugere que haverá pouca mudança em suas políticas na Europa, a não ser que ocorra algo grave em países como Itália e França” .

O Site EuroNews analisa os números eleitorais e concluiu que  ” Angela Merkel vai, pois, continuar a governar a Alemanha. A CDU, partido da atual chanceler, é a grande vencedora das legislativas deste domingo. A CDU e o parceiro da Baviera CSU tiveram uma votação a rondar os 42%, tendo ficado muito próximos da maioria absoluta. Mas só nos próximos dias se vai saber se a CDU/CSU parte para o governo sozinha ou se procura um parceiro de coligação.Isto porque os liberais do FDP, parceiros da CDU na atual coligação, são os grandes derrotados da noite: não conseguiram sequer os 5% necessários para se manterem no Bundestag, eles que tinham alcançado 14,6% nas eleições de 2009″ .

Sobrando pouco espaço político a oposição, pois “os social-democratas de Peer Steinbrück tiveram um resultado apenas ligeiramente melhor do que o das últimas eleições, o que, na prática, se traduz pelo segundo pior desde a II Guerra Mundial”. A fortalecida Chanceler, como reforça o EuroNews, “não escondeu a satisfação pelo resultado: “Meus amigos, este júbilo mostra que podemos estar felizes. Este resultado é fantástico. Queria agradecer a todos os eleitores que deram este fantástico resultado à CDU e que depositaram em nós esta grande confiança. Prometo honrá-la com confiança e responsabilidade. Muito obrigada.”  E fecha dizendo que “Angela Merkel, “Angie” para os amigos ou “mutti der Nation” (A mamã da nação), conseguiu guiar o país na crise financeira sem que esta se tenha feito sentir com a virulência que atingiu outros países e venceu as eleições graças à sua popularidade interfronteiriça” .

O sinal é claro, mesmo com numero da economia não tão vistosos nos últimos 3 anos, Merkel logrou uma grande vitoria, pois ruim com ela, muito pior sem ela, raciocinou com o ” estomago”  o eleitor alemão, que mais uma vez demonstrou que a Economia determina a sorte  e os rumos da política, ao contrario do que tenta se pregar, vulgarmente, por ai os analistas, tanto de Direita como de Esquerda. Este terceiro mandato não parece que será fácil, Merkel perdeu a maioria absoluta no Parlamento e terá que fazer um governo de coalizão, mais próximo da centro-esquerda.

Uma ironia é não se encontrar em nenhum jornal brasileiro qualquer referencia ao “Merkelismo” de se manter eternamente no poder como criaram o neologismo para Chávez, ou as constantes ameaças de um possível terceiro mandato de Lula, que acertadamente nao houve. Quando o governo é de Direita, se tolera quantos mandatos quiserem, né ?

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