Merkel – A Chanceler Téflon

Merkel em campanha pelo terceiro mandato. Foto: Getty Images

 

A mídia europeia está dando como certa a reeleição de Angela Merkel, o terceiro mandato seguido, algo raro nos últimos tempos, criaram até um epiteto para ela: Chanceler Teflon. Pois nada gruda contra ela, mas o que de fundo acontece é que a Economia da Alemanha suplantou as demais na Europa, mesmo com a imensa crise, ela não afundou, caiu, mas não entrou em recessão, o que é um feito. Como analisamos, seguidamente, na série  Crise 2.0, a poderosa chanceler soube galvanizar para si o momento, agindo de forma impiedosa com os demais, representou bem o papel que o Capital alemão, seus banqueiros, exigiu dela.

Ao contrário de 2009 em que a reeleição foi um passeio, agora encontrará mais dificuldades, mesmo sendo favorita, a recessão  da UE pôs em risco o seu “sucesso”. O carro-chefe de sua popularidade é a fortaleza alemã, sua resistência à crise, mas o cenário mudou e “O temor é de que uma contração da economia alemã volte a jogar todo o continente em um estado de alerta e abafar qualquer tentativa de retomada. Para Tim Moore, economista da Markit, um dos motivos foi a queda das exportações, por conta da desaceleração na Ásia e a redução na aquisição de bens de capital da Alemanha. A redução nas vendas de carros também pesou. A Volkswagen anunciou que seus lucros sofreram uma queda de 20% no trimestre. “A piora constante da situação econômica na Europa ocidental pressionou a indústria automotiva”. Entre julho e setembro(2012), afirmou a montadora em seu relatório financeiro. Para a fabricante de artigos esportivos, Puma, não há outra saída senão começar a cortar custos. No terceiro trimestre, a empresa registrou uma queda de 85% nos lucros. A Siemens já indicou que deve promover novas demissões”.

Era impossível que Merkel e os banqueiros alemães (seus chefes reais) não soubessem do risco que a política imposta à UE por eles, não tivesse retorno, a base da força alemã se dá justamente no intenso comércio de produtos com alto valor agregado e com a UE, o mercado é cativo, para os que são membros. Mas, se boa parte dos países entram em crise, óbvio que a Alemanha também pagaria o preço. O problema é que o preço pode ser bem maior, pois o capital alemão, que financiou a ciranda de consumo, agora não tem retorno, o calote grego, português e o provável espanhol, reduz as chances de continuar a retroalimentação da economia alemã.

A oposição liderada pelo Socialdemocrata Peer Steinbrück tem gastado tempo convencendo os eleitores de que a situação da economia alemã não é boa, apenas melhor do que as economias dos demais países da Zona do Euro, mas o desemprego baixo é uma manobra devido a alta precarização do mercado de trabalho, além de um alto subsídio estatal às empresas. A política ofensiva de Merkel levou a derrocada geral europeia, tendo no desemprego geral e na crise financeira os seus maiores expoentes.

Os extremos dos dados, mostram que há 6,2 milhões de desempregados na Espanha, 3,5 vezes mais do que a 6 anos(meados de 2007), uma verdadeira tragédia humana. Enquanto o salário mínimo da França é de 9,4 euros por hora, na Espanha é de 2,6 euros. A Dívida pública explodiu batendo perto de 90%, aumento 20% apenas em 2012, ano do maior ajuste fiscal da história, com cortes violentos dos gastos públicos, o déficit público não baixou dos 8,3%, a ideia era de que caísse aos 6% no ano de 2012. É uma sequencia trágica, que colocou a Espanha de volta à realidade de país pobre.

Na outra ponta, a Alemanha, tantas vezes frisado aqui, que se alimentou da desgraça geral destes países, em particular da Espanha, quem lhe deu amplo superávit comercial de mais de 300 bilhões de Euros em 10 anos. O aporte de capital alemão, na época de vacas gordas, retornava fielmente através da balança comercial desfavorável e com os serviços da dívida pública paga pelo Estado aos bancos, principalmente alemães e franceses. Este imenso desequilíbrio é e, continua a ser, a maior fonte de tragédia da Espanha e dos demais países, como Grécia, Portugal e Irlanda. O modelo da UE beneficiou integralmente a Alemanha, antes não parecia claro, mas na crise a realidade se expôs a olhos nus.

É este o legado Merkel, mesmo favorita vai enfrentar dificuldades, segundo matéria da Agência Dow Jones, republicado no Estadão do 07/08/2013,  “a pesquisa, realizada pelo instituto Forsa para a revista semanal Stern, mostrou que a União Democrata-Cristã (CDU) de Merkel e a União Social-Cristã da Baviera (CSU) têm juntos 40% das intenções de votos, uma queda de um ponto porcentual ante a semana passada, enquanto o Partido Democrático Liberal (FDP) permaneceu com 5%. A oposição social-democrata garantiu 23% de apoio, alta de um ponto porcentual, enquanto os Verdes subiram para 14% e o partido A Esquerda caiu para 7%.

Merkel é favorita, mas teremos fortes emoções até dia 22 de Setembro de 2013, data das eleições gerais. Acompanharemos com maior interesse a mais importante eleição da Europa dos últimos anos.

PS: Imaginem se aqui no Brasil houvesse um candidato pelo terceiro mandato seguido, como é de Direita, a tigrada de mídia se finge de morta. 

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

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