#Tremsalão, Corrupção e Exportação de Capitais

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Fora dos Trilhos : As revistas semanais e o Escândalo dos Trens de SP

Os recentes escândalos do Metrô e CPTM em São Paulo, corrompidos via empresas europeias, como a alemã Siemens e a francesa Alstom, se insere numa lógica geral de Exportação de Capitais, que invariavelmente envolve não apenas as citadas empresas, mas também os governos dos países de origem e destino. Neste aspecto concordo com a Veja desta semana é “corrupção que vem de fora”, entretanto, esquece da imensa participação interna, dos governos locais que são corrompidos e se associam ao assalto do estado.

No meu livro Crise Dois Ponto Zero – A Taxa de Lucro Reloaded, demonstrei como se processa o sistema de exportação e corrupção, em dois trechos, em que trato da Grécia e da Alemanha o modelo se desnuda, o que pode aproximar à questão do sistema de trens em São Paulo e seu #Tremsalão, a corruptela mais próxima do que está por trás do esquema:

“Por outro lado, o governo alemão sabe que a antiga lógica de exportação de capitais consistia numa equação simples: 1) Governo faz acordo comercial com a Grécia, por exemplo, em telecomunicações; 2) A Siemens, empresa alemã, oferta os produtos daquele acordo; 3) Um banco alemão “financia” a venda. Em tese o dinheiro nem sai do país, mas a remuneração aos empréstimos e o pagamento ficam por conta do governo e/ou empresa da Grécia que adquiriu os produtos. A Alemanha ganha nas duas pontas. O problema é que, com a crise, a inadimplência começa a quebrar o “negócio”.

[…]

Enquanto a farra do dinheiro fácil circulava na Zona do Euro, parecia que tudo ia bem, mas a Grécia já acumulava grandes déficits fiscais. Alguns culpavam sua mal sucedida Olimpíada. Nela o país gastou quase 15% do PIB em obras que nada mudaram a economia ou a dinâmica de desenvolvimento. O custo altíssimo e a imensa corrupção levaram rapidamente ao vermelho todas as finanças. À corrupção junta- se a ineficiência do Estado, incapaz de cobrar impostos dos mais ricos: o setor de construção naval, que controla quase a metade da riqueza do país, é isento de impostos por norma constitucional que o protege”.

Desde 2008, logo depois que irrompeu a Crise de Superprodução de Capital na UE, a Siemens tem sido obrigada a pagar pesadas multas por corrupção em todo mundo, por prática de anti-concorrencial que gerou mais de 1 bilhão de Euros aos seus cofres. É a sentença acima se tornando norma, enquanto havia dinheiro fácil, pouco se preocupavam com tais práticas, depois que os cofres secam, vem à tona todas as bandalheiras e modus operandi das grandes corporações, a conivência e vistas grossas dos governos e organismos multilaterais passa-se a conhecer de forma clara.

A mesma Siemens foi condenada a não participar de nenhuma licitação em que o dinheiro do Banco Europeu de Investimentos (BEI) como informou Jamil Chade do Estadão esta de que  “A Siemens está proibida até o fim de 2014 de participar de qualquer licitação pública promovida pelo Banco Europeu de Investimentos (BEI), justamente por violações da política antifraude na Europa. Os dados fazem parte do informe que foi publicado ontem pela empresa alemã e confirmam que um acordo acabou sendo fechado entre o banco e a multinacional, depois da revelação de violações”.

Diz mais a matéria que “Além de ficar de fora de grandes contratos, a Siemens ainda se comprometeu a pagar um total de 13,5 milhões (mais de R$ 40 milhões) em compensações. O dinheiro será destinado a entidades, organizações não governamentais e universidades que tenham projetos dedicados à luta contra a corrupção. Pelo acordo, a gigante alemã também se comprometeu a ajudar o BEI nas investigações em relação “à condução ilícita de projetos financiados” pelo banco.

Banco Mundial. Mas a corrupção da Siemens não se limitou ao BEI. A multinacional alemã foi flagrada em um esquema de corrupção envolvendo contratos financiados pelo Banco Mundial. Em 2009, a instituição revelou que os alemães teriam pago propinas de até US$ 3 milhões para ficar com contratos milionários na Rússia. Como punição, a Siemens ficou entre 2009 e 2011 proibida de participar de qualquer projeto no mundo que fosse financiado pelo Banco Mundial. A instituição ainda conseguiu que a empresa se comprometesse a destinar US$ 100 milhões nos próximos 15 anos para lutar contra fraude e contra corrupção”. (Estado de SP , 03/08/2013).

Os pacotes de grandes compras e obras ao redor do mundo, com financiamentos de capitais vindos de grandes bancos europeus, como BIS, ou do BIRD, em geral traz embutido o conjunto de empresas destes países de origem, as operações são facilitadas pela negligência daqueles que fazem concorrência, aceitando propina, suborno, criando artifícios como uso de cartéis para acomodar os grupos. O Metrô de São Paulo é bom exemplo, as empresas como Siemens, Alstom e CAF( Espanha), se associam e burlam as concorrências, mas jamais fariam sem uma pronta ajuda dos agentes públicos. O famoso discurso dos bons administradores dos tucanos construído pela mídia amiga, caiu por terra, agora vira um deus nos acuda em noticiar tais práticas.

Os eufemismos para esconder a verdade nua e crua, de que cartel, associação entre empresas, no fundo apenas são modalidades de Corrupção que lesa o patrimônio público, encareceu enormemente as obras, expondo a mentira e farsa destes “gerentes”. Até quando ficaremos à mercê deste embuste? Até quando a grande mídia os protegerá? No fundo a prática da corrupção é global, assim, refletindo como funciona o Capital, sem mais nem menos, a revelação sobre os tucanos não é meramente acidental.

Acompanhemos.

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

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