Geração Y ou K, H? Os 15 Segundo de Fama

 

A Geração HUMANA – Foto: Terje Rakke / Nordic life / Innovation Norway

 

A internet tem um dom primário de transformar golpes midiáticos em febre, mas, ao mesmo tempo, pode quebrar correntes de forma eficaz, isto torna este terreno bastante arenoso. É escorregadio demais, ao mesmo tempo que uma bobagem torna-se “celebridade” do momento, a onda passa com a rapidez de um cometa, quem viu, viu, quem não viu, espera 76 ano pelos próximo. A efemeridade é uma marca das relações digitais, poucas coisas se tornam sólidas ou perenes neste campo, então, todo cuidado é pouco.

“No futuro todos serão famosos durante quinze minutos”, a célebre frase de Andy Warhol, foi maximizada com a internet, as pessoas estão se contentando com 15 segundos de exposição, a cada mergulho, apenas um flash, parece satisfazer as almas hedonistas, com seus prazeres egoístas e sempre mais fugaz. Esta liquidificação, talvez o termo melhor fosse este, pois líquido você toca, algo como éter, que se dissipa no ar, mal dando para se sentir o cheiro, é a marca maior do momento, não de muita profundidade, pois ninguém irá ler até o quinto parágrafo, quanto menos falar, com mais silogismo, mais se parecerá “gênio”.

As mistificações neste mundo “quase real” da internet, diz que um determinado executivo, da empresa da moda de Gadgets, vai surfar em San Diego, depois tomar umas e outras num bar, esquece a protótipo do próximo e exclusivo modelo de Celular X ou Z. Tudo isto se torna verdade e viral, como se todos fossem idiotas o suficientes para não saber como funciona uma cadeia de pesquisa de bilhões de dólares. Ora, amigos, jamais em tempo algum, um surfista prateado do vale do silício(EUA – Apple, Qualcomm) ou de  Suwon (Samsung -Coréia do Sul), muito menos Shenzhen(Huawei -China). Amigos estes lugares são “militarizados”, ninguém sai ou entra com qualquer device que possa captar imagem de produtos, imagina sair para “brincar” com protótipos. Mas, tudo bem para o folclore “viral”, vale a bebedeira do bar.

Muito além da tecnologia, ou das celebridades instantâneas, que se dissolvem em 15 segundos, há a tendência, de que o virtual imita o real, mas, ainda, não domina o real. O índex proibitivo é amplo, é uma vida higiênica, todos são legais e não há possibilidade de grandes debates, a exclusão é a marca, discordou é Unfollow. Sendo assim, é proibido falar de “política”, “Ideologia”, “Partido”, “Luta de Classes”. Mas, o real, quer virar virtual, incorpora, via marketing, quase corporativo, tudo o que se define no” índex” virtual, e o que não se pode traduzir para o Real, adapta-se, submete-se a vida aos desejos limpos da Matrix. Hoje se cria “partido” com vergonha de sem partido, aí vira “movimento” ou “rede”, substituindo as necessidades prementes por meras “petições onlines”, pronto cumprimo nosso papel “cidadão”.

Pouco importa se tentam nos ordenar como a “geração Y” ou K, H, as experiências reais de viver, ainda são as mais profundas. Os gurus, ah, sempre há os gurus, esta tal geração da moda,nem faz a mínima ideia de onde vêm os gurus, os incorporam como se fossem os verdadeiros ícones, sem refletir porque precisam deles. Será que devo lembrar-lhes dos antigos, ou quem sabe se esforcem em ler “As Nuvens” ( as-nuvens em PDF )  de Aristófanes, com sua corrosiva críticas aos sofistas? Talvez, o google lhes deem um pequeno resumo, se darão por satisfeitos. Ora, se as nuvens não caberia na figura metafísica de um Steve Jobs, guru reacionário desta geração, que se acha genial, cujo maior patrimônio cultural é o google.

Assim vamos, pois quem sabe, os meus 15 segundos já se venceram, terei que me reinventar mais uma vez, com ou sem google, com ou sem livros. Com os velhos e novos gurus, com suas hierarquias, que tentam esconder atrás de uma aparente igualdade, de pessoas, gêneros, mas, principalmente, de classes.

4 thoughts on “Geração Y ou K, H? Os 15 Segundo de Fama”

  1. O que mais me assusta na internet é a indolência intelectual: tudo o que se tem a fazer é retuitar ou compartilhar ou reenviar preguiçosamente, sem reflexão, todas as bandeiras soltas e discursos alheios como se fossem verdade ou a única posição correta. É bom, sempre, que os que pensam com sua própria cabeça, independente e criticamente expressem suas opiniões.

    1. Maria,

      melhor ainda é ser confrontado com aquilo que se escreve, como engrandece, como se pode mudar, apenas escrever e sem saber se o que saiu significa qualquer coisa é terrível. Medo de fazer um livro passa por aí, jamais saber o que se passa na cabeça de quem o leu, aqui, às vezes temos algum retorno sobre nossa “bestagem”

      Abraços,

      Arnobio

  2. Nem sei o que comentar. Só digo que preciso tirar muitas “férias” de internet pra fugir do excesso de informações, dados, fofocas, intrigas, falsas “polêmicas” e polêmicas reais, cujo efeito – e talvez propósito – seja nublar minha consciência e capacidade de raciocínio próprio. Prefiro me recolher à minha insignificância, ou aos meus hábitos jurássicos de escolher o que leio e não leio, ouvir música, andar na rua, ver o mundo com os meus olhos e não através dos olhos da mídia (que me apresentam “versões” como fatos), conversar com conhecidos e estranhos, ouvir mais que ler. Preciso de silêncio para ser livre. Depois volto. Não sei se me fiz entender.Abraço.

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