Notas de Viagem aos EUA II

 

Visitar e se divertir sem amarras

 

Depois de falar sobre os EUA nos dois últimos posts Qual o American Way of Life, Hoje? e  Notas de Viagem aos EUA I, muito vinculados à questão sobre a Crise 2.0, ainda que no segundo seja uma visão mais empírica com anotações pessoais de viagens àquele país. Ontem se confirmou, mais uma vez, aquilo que estamos debatendo aqui, de que a Crise ainda perdura, mesmo sem a recessão, a queda do PIB do último trimestre limitou o crescimento anual dos EUA, lançando dúvidas sobre 2013/2014, como também debatemos à luz dos dados da OCDE ( Crise 2.0: Cenário da Economia Mundial de 2013 e 2014 e Crise 2.0: Cenário Global – Que Mundo Este?).

Mas, agora, nosso intuito, é continuar falando da “viagem” com os olhos na diversão, lazer, do que vimos e as observações de comparação com a vez anterior. Percebi que, sutilmente, há também uma série de mudanças que são reflexos direto da própria crise, no post anterior já comentara sobre o desgaste da infraestrutura, que é a parte mais visível, os buracos e falhas naquelas largas avenidas/estradas. Nos parques, notamos que limpeza deficiente, principalmente em banheiros, menor número de orientadores e de bilheterias funcionando e alguns brinquedos quebrados, mas há diferenças de franquias, detalharei abaixo.

Na vez anterior, 2009, fizemos 6 parques: 4 da franquia Disney ( Magic Kingdom, Animal Kingdom, Epcot e Hollywood Studios) e 2 da Universal ( Island of Adventure e Universal Studios). Desta fez repetimos os mesmo e acrescentamos Sea World e Busch Garden. Tem até como fazer um ranking geral da diversão, em 2009, minha filha menor tinha 7 anos não tinha como ir em todos brinquedos, daí optamos na época para não ir ao Busch Garden, mais dedicado à montanhas russas radicais. Vamos a um repasse geral, de funcionamento e serviços.

Disney

 

A Disney continua atraindo a maior gama de turistas, são quatro parques muito bem estruturados, uma capacidade incrível de entretenimento que pega de crianças aos velhinhos, passando por adolescentes, jovens e adultos, ninguém fica imune, esqueçam a ideologia, se joguem no prazer, os caras sabem fazer o espetáculo. O maior parque, com mais atração no imaginário das pessoas é o belo Magic Kingdom, um imenso estacionamento, que necessita de transporte interno para se chegar a balsa ou ao mono-rail que dará acesso ao parque. O castelo das princesas ao fundo é a grande atração, ele fica mudando de cor a cada 15 minutos, um jogo de iluminação perfeito.As atrações não são radicais, mas há diversão para todos, que culmina com o espetáculo de cores/sons do castelo e depois a famosa queima de fogos, é para fechar o dia de boca aberta.

Animal Kingdom é voltado para as atrações ligadas à terra, com divisões que lembram a Ásia, a África, uma parte do passado dos dinossauros, com atrações e brinquedos bem criativos. A montanha russa do pé grande, que, em tese é uma subida ao Himalaia, é a maior diversão deste parque, mas o visual do espetáculo da representação do “Procurando Nemo”  não fica atrás. Há ainda um “safari”, um passeio de carro no meio de animais, estilo “simba safari”.

Epcot é o futurismo, todas as inovações tecnológicas e experiências, algumas delas transformadas em brinquedos e diversões, há um campo de provas da General Motors em que se “cria” um carro conceito, depois o testa. Também um simulador de experiência aceleração com gravidade Zero, como num foguete espacial. O simulador Soarin’ sobrevoa de asa delta a Califórnia de norte ao sul, o cheiro do laranjal é impressionante. A Siemens patrocina uma história da evolução da ciência, depois a visita a várias máquinas interativas. Tem um aquário gigante e os pavilhões dos países (falta um do Brasil).

Por fim o Hollywood Studios é a “homenagem” ao mundo do cinema e do entretenimento, uma avenida cenário, alguns pavilhões como se fosse estúdio de gravações impressionam pelo tamanho e pelo visual. As duas grandes atrações são a montanha russa do Rock, que tem o Aerosmith como tema, uma estorinha bem humorada, muito bem sacada. Logo ao lado tem a torre do terror, também uma ótima estória que te leva ao elevador que caí, lembra “Hotel Califórnia” do Eagles. Há lojas, pequenos restaurantes como os de filmes antigos, com carros e motos.

No geral os parques da Disney são os melhores em serviços e atendimentos. Banheiros e alamedas limpas, orientações eficazes, muitas pessoas que trabalham nestes locais são estudantes de vários países, inclusive brasileiros, na lapela uma bandeira identifica o nome, o país e a cidade, o que facilitam a comunicação. Sempre gentis, educados e prestativos. O que notei de diferença de 2009 e agora foi a presença de idosos trabalhando, não sei o regime de trabalho aplicado, mas conversei com “estagiários” brasileiros e notei uma divisão de sentimentos, alguns francamente decepcionados com o trabalho, outros satisfeitos, o que parece é que o pagamento é pouco, não sendo compensador. A comida é sofrível e cara, mas falarei no fechamento.

Universal

 

A Universal tem dois ótimos parques, menos badalados que os da Disney, mas que, desta vez, achei superiores aos dela. O Island of Adventure é o principal, mais voltado para o público adolescente e adulto com os mais espetaculares simuladores, 3D/4D que já vi. O simulador do Homem Aranha, é perfeito, pois você é levado para dentro da aventura, há duas montanhas russas, uma do Hulk e a outra incorporada(em reforma) da ala nova, dedicada ao Harry Potter. A ala do Spilberg, do parque do dinossauro já era muito bem pensada, entretanto a dedicada ao “bruxo” juvenil, se superaram. O castelo de Hogwarts tem o mesmo efeito e encanto que provoca o castelo das princesas da Disney, fascinante como reproduziram, com uma vantagem, um ótimo simulador e excelente galeria interna, e do lado de fora a vila que aparece no filme, inclusive com a “cerveja de manteiga”.

O parque Universal Studios é o paralelo ao Hollywood Studios da Disney, com algumas melhorias, pois os brinquedos com simulador em 3D/4D são incrivelmente bem feitos, como o dos Simpsons e do Shrek, cada um com uma estória muito engraçada, além dos efeitos que provocam. As novas atrações do Men in Black e do Meu Malvado Favorito, tornou o parque ainda mais interessante. O diferencial da Universal em relação aos demais é a aposta na tecnologia, no envolvimento do público com  a atração, nisto são muito eficazes.

Comentário geral, sobre a franquia da Universal, é que eles melhoraram muito nestes quatro anos, seus dois parques estão entre os melhores, com atrações bem diferenciadas, mas voltadas para um público acima dos 11 anos. Funciona bem, mas perde em relação em comparação com a Disney nos serviços. Poucos orientadores, banheiros medianamente limpos, comida ruim e cara. Economizam em coisas secundárias, foi o que concluí.

Sea World e Busch Garden

 

Estas franquias têm uma parceria, que engloba também o complexo aquático chamado Aquatica, que no inverno, assim como o parque da aquático da Disney, fecha. O Sea World é famoso pelo shows aquáticos tanto com as baleias, bem como com os golfinhos,  incorporaram um show que mistura teatro, acrobacia e circo. Além disto, do meu ponto de vista, a montanha russa, Manta, a mais pesada de todas que fui, não pela radicalidade mas como você é “pendurado”, a sensação é tensa, mas de muita adrenalina. A outra Montanha russa do parque estava fechada, a kraken.

Busch Garden, está localizado fora da região da grande Orlando, fica em Tampa, uma cidade na Praia, no Golfo do México. É o parque mais radical pela imensas montanhas russas, tem uma parte parecida com o Animal Kingdom, um safari no mesmo estilo, mas não fomos, vimos por cima quando fizemos o passeio de teleférico que cruza o parque inteiro. O ambiente é “africano” com as atrações ou regiões distribuídas pelos países: Marrocos, Egito, Congo etc. Belos cenários como se fosse cidades da África, dão um visual especial.

Os dois parques são mais voltados para jovens e adultos, as suas principais atrações são mais radicais, precisa coragem e altura mínima. São os parques mais descuidados, sujeira visível banheiros de “estádio” de futebol, o preço cobrado deveria ser melhor devolvido em serviços. Em algumas atrações, simplesmente não tinha orientadores de fila, então era um entra e saí de pessoas, além poucos instrutores nos brinquedos o que demorava muito tempo para liberar um grupo de outro. Vale pelos shows e adrenalina, mas precisam repensar os serviços. Comida ruim e cara.

Algumas Observações

 

Os caras sabem vender o espetáculo, envolvem toda uma estrutura, articulam desde pacotes aéreos, com hotéis a preços baixos, pois o maior filão são os parques e as vendas nos shoppings, outlets, restaurantes e lojas de eletrônicos. Em 2009, tivemos muito problema com alimentação, a inexperiência nos levava a comer nos parques, o que não satisfazia, além de encarecer o passeio. Desta vez, fomos mais estruturados, privilegiamos um bom café da manhã, longe do padrão local, com frutas, sucos, leite.

Mesmo dentro do hotel da Disney, compramos fora e usávamos apenas o essencial dos restaurantes. Nos parques levamos água, lanches rápidos, frutas, chocolates, para não precisar comer nada deles. Buscamos uma rede de restaurantes com comida boa e preços compatíveis, efetivamente, aproveitamos muito mais. Comida de melhor qualidade e sem pesar nos gastos gerais. Nem tivemos tanta saudades da comida do Brasil, nos 13 dias raramente comemos hambúrgueres de franquias como o Mcdonald’s.

Bem tinha mais coisa, ficamos por aqui, se lembrar de mais escrevo depois. Farei um post com fotos depois, quem sabe, links, nome de restaurantes, algo assim.

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