Crise 2.0: Merkel Pede Regulação dos Bancos, Liberais se Matam no Brasil

Merkel, Reeleita no congresso da CDU, mas perdeu a empáfia: Foto Reuters

Finalmente a onça bebeu água, é bem verdade que demorou demais, mas a Alemanha começa a sentir os pesados efeitos da Crise, como insistentemente estamos falando aqui, na série sobre a Crise 2.0, a política de esmagamento dos parceiros de UE praticada por Merkel parece ter chegado ao fim. Tem 40 dias que escrevi um artigo (Crise 2.0: Alemanha Parou)   sobre os problemas que o país passou a enfrentar, sinal do esgotamento da política até então praticada de forma insana.

Merkel abriu a sua campanha eleitoral oficialmente em outubro de 2012 numa reunião preparatório do congresso de seu partido, uma espécie de “esquenta” para as eleições que ocorrerão em setembro de 2013, parece longe, mas o tamanho do desafio encurta o caminho. No artigo referido, tinha um trecho que comentava sobre estas mudanças de expectativas com indícios de estagnação do país:  “Era impossível que Merkel e os banqueiros alemães (seus chefes reais) não soubesse do risco que a política imposta à UE por eles não se tivesse retorno, a base da força alemã se dá justamente no intenso comércio de produtos com alto valor agregado e com a UE, o mercado é cativo para os que são membros, mas se boa parte dos países entram em crise, óbvio que a Alemanha também pagará o preço. O problema é que o preço pode ser bem maior, pois o capital alemão, que financiou a ciranda de consumo, agora não tem retorno, o calote grego, português e o provável espanhol, reduz as chances de continuar a retroalimentação da economia alemã”.

 E concluí assim: “ O castigo pode vir à galope, confirmando a parada, Merkel, será a primeira na linha que será limada, quem sabe, assim, se abra um novo momento de repactuação europeu. Fiquemos atentos”.

A questão fica mais latente com o relatório da OCDE apontando o fracasso da política de Austeridade, como comentamos nos posts ( Crise 2.0: Cenários Graves da OCDE e Crise 2.0: Alerta Vermelho da OCDE ), não parece mais haver espaço para insistir no erro, repisemos o já dito antes que  “as medidas de austeridade adotadas reduziram o crescimento econômico entre os 34 países membros da organização em até 1,25 ponto porcentual neste ano”. O custo econômico é altíssimo, que irá cobrar seu valor político, não tem como escapar.

Ontem, os indícios desta mudança de rumo, para pirar a cabeça do Velhos e Novos Liberais, Merkel pediu a Regulação dos Bancos, foi mais longe pediu a tributação das transações financeiras internacionais, algo impensável a seis meses atrás.  Vejamos o que nos diz Clarissa Mangueira, da Agência Estado, num texto da Agência Dow Jones: “A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, pediu regulação abrangente dos mercados financeiros mundiais como uma resposta à crise financeira”.

No Congresso do seu partido, a CDU, centro-direita, Merkel fez um diagnóstico grave da crise, afirmou “que os líderes mundiais estão fazendo pouco progresso para controlar os mercados financeiros. No rastro da crise financeira de 2008, e a crise da dívida da zona do euro subsequente, os líderes tentaram apertar a regulação de áreas anteriormente desreguladas nos mercados financeiros, como as dos bancos paralelos e fundos de hedge”. E disse textualmente: “Eu estou preocupada que nós ainda estejamos correndo sem sair do lugar. Cada participante nos mercados financeiros precisa ser regulado.”

E fechou dizendo de “seu apoio ao imposto europeu sobre transações financeira, mesmo se a taxa for imposta em alguns dos 27 membros da União Europeia“. E afirmou “Nós queremos uma imposto sobre a transação financeira, mesmo se isso significar somente 11 países”. Pode-se objetar que seja apenas uma tática eleitoral, pois TODOS dirigentes que lidaram com a Crise 2.0 não tiveram seus mandatos renovados, mas não parece o caso, pois, Merkel, é, ainda, ampla favorita nas eleições.

 

Um último “choque” nos Velhos e Novos Liberais, no artigo Crise 2.0: A Farsa das”Lições de Casa” Alemãs, nós desmontamos a ideia de que se pratica o liberalismo, de que o Estado não intervem na economia, ledo engano, apenas um exemplo, na resposta sobre o segredo da Alemanha, o economista Reinhard Schmidt, professor de Finanças na Universidade de Frankfurt, diz que a  “parceria, entre empresas, governos e bancos. No auge da crise, em 2008 e 2009, muitas empresas reduziram o tempo de trabalho de seus funcionários e o governo as apoiou. Metade do salário passou a ser pago pelo governo. Houve um importante consenso político e, quando a recuperação deu sinais de estar presente em 2010, a retomada foi rápida e acelerada”.

Aqui no Brasil a escola dos Velhos e Novos Liberais, que estão encastelados no PSDB e na sua mídia cativa, luta de forma renhida contra os planos de Dilma de dinamizar a Economia, utilizando os instrumentos do Estado para perseguir este objetivo, chega ser risível, quando se opõem a queda de juros, diminuição das tarifas bancárias, redução do preço da energia e dos impostos. Estão perdidos, sem referência nenhuma no mundo, agora Merkel deu-lhes um ippon, quando pede mais Regulação.

Que mundo interessante!!!

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