Buena Vista Social Club

 

 

Quase impossível escrever seguidamente sobre conjuntura nacional, sinceramente me cansa, não tenho o pique para responder as demandas que provoco ao iniciar o debate, raramente se chega ao ponto desejado. Tenho procurado me manter longe, desinteressado, mas de vez em quando aparece um tema que não tenho como me desviar. Honestamente, não me agrada, pois, escrever sobre a Crise 2.0, já me deixa esgotado, ali, sinto que já dei a minha contribuição mais forte e intensa ao debate. Mesmo que as respostas e comentários sejam quase nulos.

 

 

Para dosar estes temas mais áridos e desgastantes, saio falando de outras coisas mais leves e prazerosas, como música, cinema, literatura e mitologia. Qualquer novo tema que me distancie da política e da engenharia, que possa oxigenar meu cérebro, relaxar os bits e bytes de meu trabalho, esquecer do que vivo e me alimento. Nestes últimos dois dias entrei muito forte no debate, passional, então é hora de dá um tempo e fugir. Por acaso vi um vídeo de Clocks, numa versão com fundo cubano, me dei conta que se tratava do Buena Vista Social Club.

 

Voltei ao grande filme, pois,poucos filmes/documentários me emocionam tanto, quanto Buena Vista Social Club, aqueles velhinhos resgatados por Ry Cooder, numa gravação espetacular do CD, que, posteriormente, virou o famoso documentário do mestre Win Wenders. Desde os acordes iniciais e as cenas da velha Havana já causam um estranhamento, que imediatamente liga o radar de que se trata de uma obra única, especial, vira ícone ou cult, se preferem. Impressionante como sou tomado por forte emoção, o coração bate mais forte, a voz fica embargada, os olhos ficam marejados.

 

A coleção de clássicos que eles vão cantando, entre belas imagens e ótimos diálogos, aparentemente espontâneos, sem um roteiro decorado, flui com leveza e emoção. Os geniais velhinhos vão falando de si, de suas músicas preferidas, as histórias, nem sempre felizes, nostálgicas, como se fossemos levados aos anos 50. Ibrahim Ferrer, Compay Segundo, Omara Portuondo, Eliades Ochoa e tantos outros, que  cantam e tocam com um amor que impressiona, mestres da paixão pela música, de um povo tão musical.

 

A sensibilidade de Win Wenders em filmá-los, extraiu muito de cada um, tem-se um panorama mais profundo e verdadeiro do que a música representa para eles, de como ela os fez viver. Mesmo com  o fim do Clube, o afastamento do meio profissional,  a música não parou de correr nas veias deles, a oportunidade de voltarem a cantar é quase um conto de fadas, para sorte de todos nós. Os clássicos ali desfilados um a um no filme é uma rica homenagem ao passado, mas mais ainda ao presente. Mais uma vez os olhos me denunciam.

 

Clocks  – Coldplay&Buena Vista

 

Imagem de Amostra do You Tube

 

Buena Vista Social Club – Chan Chan

 

Imagem de Amostra do You Tube

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