Crise 2.0: A Barbárie Grega

 

Grécia: Apenas o aparelho repressivo se mantém (foto: Reuters)

 

Depois de uma pausa da série sobre a Crise 2.0, sobre a Grécia, principalmente porque a Espanha tomou seu lugar como centro das convulsões sociais na Europa, devido a esta grande crise, voltamos a revisitar o tão amado e heróico povo grego. A solução de continuidade encontrada pela Troika e pelo novo governo formado, começa a fazer água. Os imensos sacrifícios impostos, não serão cumprido,  já tínhamos antecipado aqui, que os acordos precisariam de 50 anos de muito esforço e miséria para ser cumprido.

 

Até o FMI acha que tais metas não são exequíveis, segundo o Jornal Estado de São Paulos ” fontes do Wall Street Journal disseram que o FMI está pressionando os governos dos países da União Europeia a tomarem medidas para aliviar as exigências feitas à Grécia em troca de ajuda financeira. Segundo essas fontes, o FMI está enfrentando descontentamento entre seus países membros por causa das altas quantias que a instituição emprestou a países da zona do euro.

As pressões do FMI, que têm sido evidentes nas reuniões entre seus representantes e funcionários da zona do euro, são uma reação às evidências crescentes de que a recessão profunda enfrentada pela Grécia tirou o programa de ajuda ao país do caminho estabelecido no começo deste ano. Os funcionários do FMI argumentam que a dívida da Grécia precisa ser reduzida para níveis sustentáveis antes de o Fundo liberar mais bilhões de euros para evitar que o país fique sem recursos. Segundo as fontes, a maneira mais eficaz de fazer isso seria os credores multilaterais da Grécia concordarem em perdoar parte da dívida. Mas essa proposta enfrentaria oposição firme de alguns governos de países da zona do euro, entre eles a Alemanha, que já emprestaram 127 bilhões de euros para a Grécia e estão intransigentes na posição de que os gregos não devem esperar receber mais concessões”.

 

Mas os outros membros da Troika( além do FMI, UE e BCE) não parecem dispostos a qualquer recuo, aliás exigem mais sacrifícios,  o pacote de exigências aos gregos exigia um corte imediato de 11,5 bilhões de Euros de corte no orçamento, o equivalente a 15% do total, apenas até setembro de 2012,uma tarefa gigantescas, impossível de ser cumprida. Uma missão da Troika esteve em Atenas(lembram quando vinham ao Brasil?) para fiscalizar o cumprimento das metas. Segundo a Agência Dow Jones, “O ministro de Finanças da Grécia, Yannis Stournaras, afirmou hoje que o país pode colocar milhares de servidores públicos em uma reserva especial de trabalho com salários reduzidos, para ajudar o governo a atingir a meta de cortar mais 4 bilhões de euros nos gastos orçamentários”.

 

Foi a resposta que os gregos encontraram para Troika devido estarem distantes da meta, vão puni mais ainda o funcionalismo público pois  “Segundo Stournaras, o governo grego ainda precisa finalizar uma quantia significativa de cortes que fazem parte do pacote de austeridade de 11,5 bilhões de euros nos próximos dois anos, exigido pela troica de credores internacionais […] “Os números não são fáceis de encontrar; os 11,5 bilhões de euros são um número significativo e nós ainda não o alcançamos. Falta cerca de 3,5 bilhões a 4 bilhões de euros”, comentou o ministro após se encontrar com o presidente grego, Karolos Papoulias, para informá-lo sobre os últimos desdobramentos econômicos e a recente reunião com a troica. O plano de austeridade precisa ser aprovado para que a Grécia obtenha a próxima parcela do segundo pacote internacional de resgate. No acordo de resgate, a Grécia se comprometeu a demitir quase 15 mil servidores públicos até o fim deste ano, ou encontrar outra forma de reduzir o funcionalismo. Entretanto, os esforços anteriores para criar uma reserva especial de trabalho, com cerca de 30 mil empregados, ficaram bem aquém da meta. No fim, apenas mil servidores foram colocados nessa reserva, enquanto outros 9 mil tiveram as aposentadorias antecipadas. Stournaras disse que não haverá demissões compulsórias de servidores públicos, mas afirmou que a ideia da reserva especial de trabalho ainda está sendo estudada. “Nós ainda estamos analisando esse assunto. As negociações estão em andamento e vão continuar até o fim de agosto”, comentou.

 

Mas não é simples a aplicação de tais cortes, pois a frágil aliança de governo, enfrenta crise interna com o tema demissão ou reserva especial,  o Esquerda Democrática, liderado por Fotis Kouvelis. “Eu sou categoricamente contra isso, como fui desde o primeiro momento em que esse plano foi introduzido pelo governo anterior. Não é possível nós aumentarmos ainda mais o desemprego, que já é grande”, comentou. A troica deve voltar a Atenas no começo de setembro para concluir sua análise da economia grega e avaliar se o programa de reformas do país está “nos trilhos”. “Nós precisamos continuar vivos até que a Europa encontre uma solução completa para o problema da zona do euro. Assim, nós precisamos prosseguir com essas medidas essenciais para a salvação da Grécia”, afirmou o ministro Stournaras.

 

O Eurogrupo, que reúne os ministros das finanças da Zona do Euro, já trabalha com uma Grécia fora do Euro, as últimas reuniões, em especial esta última realizada nesta semana, as simulações de impactos na Zona do Euro com esta saída da Grécia foram analisadas, concluindo-se que pouco mudará o panorama geral. O centro, hoje, da preocupação do Eurogrupo são Espanha e por tabela Itália, a situação grega passou a ser questão menor, no fundo acham que o que tinham que fazer já foi feito, agora “lavam as mãos”.

 

Xenofobia explodiu na Grécia

 

Neonazistas Gregos: Distribuem comida aos gregos de dia, açoitam os estrangeiros de noite

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A eleição de deputados pela extrema-direita grega, representada pelo partido  Aurora Dourada, foi um indicativo de um sentimento neofascista crescente entre os gregos. A revolta se amplia contra o
s estrangeiros que vivem no país, calcula-se em 500 mil, quase 5% da população, a maioria vinda da África ou leste europeu, que têm a Grécia como porta de entrada. As milícias incentivadas pelo Nova Aurora atua livremente, espancando e intimidando os “sem papeis”, viraram braço auxiliar da repressão estatal.

 

Para piorar a situação, segundo o site EuroNews, o Governo usa a repressão aos imigrantes como arma política, oferecendo à Alemanha, em especial, a garantia de que estes estrangeiros não mais passaram por seu território, e numa demonstração de força lançou uma ofensiva contra os “sem papeis”. De acordo com a matéria do site “” A luta contra a entrada ilegal de asiáticos e africanos que fazem da Grécia a porta de entrada na Europa, está a ser utilizada como arma política pelo governo de Atenas. A polícia deteve cerca de seis mil pessoas por entrarem ilegalmente na Grécia, onde há 500 mil imigrantes ilegais e 800 mil legais. 1.600 ‘sem papéis’ serão deportados para os países de origem nas próximas semanas. 4.500 agentes participam na operação contra clandestinos, com a qual o governo conservador grego tenta recuperar, como prometeu, o controlo das ruas contra da imigração ilegal. O ministro NIKOS DENDIAS pediu calma: “- Peço à população que apoie esta operação para que não se voltem a produzir, em Atenas e progressivamente noutras regiões do país, cenas que são uma ofensa à nossa civilização.”

 

A recessão prolongada de mais de cinco anos seguidos, levou os gregos ao desesperos, os empregos precários, antes feitos pelos imigrantes ilegais, amplamente tolerado, agora é disputado pelos gregos, que querem expulsar os imigrantes, pois sem estes empregos acusam-nos pelo aumento da criminalidade, na reportagem do EuroNews, diz que “as associações ligadas à esquerda consideram que o governo agita esse a fantasma da concorrência dos estrangeiros no mercado de trabalho, Tassos Anastasiades, da associação KEERFA:

“- Estão a tentar os propósitos racistas para desviar a atenção da população do que realmente está a ocorrer com as finanças, no quotidiano, e põe-se a culpa nos imigrantes de todas as coisas que estão mal na Grécia”.

 

A situação é insustentável, a relação é clara, o desencadear da Xenofobia está intimamente ligada à eleição da extrema-direita, “desde as eleições de junho, o partido de extrema direita ‘Aurora Dourado’ tem representação parlamentar pela primeira vez na história. Os ataques contra os imigrantes multiplicaram-se de forma alarmante. Diversas organizações constataram o aumento da violência racista no país. Cerca de 130 mil imigrantes ilegais entram, anualmente, na Grécia, a0 maioria pela fronteira com a Turquia, pelo Rio Evrosa. Durante a operação xenius Zeus, o governo enviou para a zona 2.500 agentes suplementares para proteger a linha de demarcação da fronteira.

 

Esta queda sem fim da Grécia, que sobrou apenas, do velho Estado, o aparelho coercitivo de repressão e uma burocracia falida,  o país sem rumo corre a reprimir os estrangeiros que lhes “roubam” até os piores empregos, Este parece o caminho natural que seguirá a Espanha, mais ainda sendo dirigida pelo Primeiro Ministro identificado com o neofascismo religioso, assim como o próprio Rei.

 

Tempos sombrios demais!!!

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