Crise 2.0: Efeito Balotelli – Hollande 2 x 0 Merkel

Hollande, jeito manso,mas decidido - GEORGES GOBET (AFP)

Ontem a noite escrevi sobre o primeiro dia da Cúpula do Euro, o evento mais importante do ano, até aqui, que fazemos questão de acompanhar com muito interesse aqui, na série sobre a Crise 2.0, com este, é o terceiro artigo sobre esta reunião dos líderes, os dois primeiros : Crise 2.0: Cúpula do Euro, Há Saídas para Crise? que trata dos bastidores e documentos prévios, e o segundo Crise 2.0: Cúpula do Euro – Hollande 1 x 0 Merkel, traz os cometários sobre o primeiro dia de reunião.

 

Ainda sob o impacto da derrota alemã na Eurocopa, e o drible da vaca que Hollande aplicou em Merkel, trazendo para seu lado e incentivando as resistências aos planos alemães, ontem um surpresa maior: Espanha e Itália(finalistas da Eurocopa), se uniram e numa verdadeira tática de guerrilha, Monti e Rajoy, declararam que iriam obstruir qualquer decisão, se os dois países saíssem de mãos abanando. Uma grande comoção causou aos 17 membros a forma decidida como os dois agiram.

 

Recuemos um pouco, precisamente ao mês de maio, com a vitória de Hollande, três dias depois ele debutou na cúpula do Euro, o clima começou a ser diferente, Merkel, sem seu capacho e porta-voz oficioso, Sarkozy, teve dificuldade de conduzir a reunião. Sejamos claros, a burocracia de Bruxelas, além de temer, odeia Merkel, pois ela invariavelmente despreza os documentos preparatórios, durante as cúpulas, ignora os acordos e ditava aquilo que era conveniente à Direita Alemã, um caos. Com Sarkozy servindo de suporte, facilitava esta ações, chegavam a humilhar os técnicos e burocratas.

 

Porém, naquela cúpula, Hollande, não seguiu o script Merkel, se impôs como referência contrária. Houve um impasse enorme, sem nenhuma decisão concreta, mas três situações se agravavam simultaneamente naquela semana: Grécia sem governo, tinha que fazer nova eleições, segundo a crise dos bancos espanhóis explodira, o tamanho estava se tornando visível e terceiro a Itália embiocava pelo mesmo caminho espanhol, com bancos e dívida pública explodindo. Mario Monti, fez um apelo para que nova reunião extraordinária fosse feita, no final de junho, pois em meados de junho teriam as eleições parlamentares francesas( que definiria a maioria), a nova liderança grega. Além de tempo para ver como evoluiria a situação dramática de Espanha e Itália.

 

Pois bem, as eleições gregas deram uma frágil solução de continuidade à crise, mas a crise espanhola assumiu o posto de bola da vez, associada aos impactos na Itália( ambas amplamente analisadas nesta série). A parte boa, é que Hollande venceu e ficou em folgada maioria no Parlamento francês, dando-lhe mais músculos para agir no front externo. Na semana anterior à reunião, Hollande lançou um “PAC” francês, sinalizando que vai cumprir a promessa de campanha, nem que aumente a dívida francesa. Os documentos preparatórios no fundo elencou os problemas: 1) PAC do Euro( 120 Bi, Merkel teve que engolir, a primeira concessão em 2 anos); 2) Questão Bancária qual solução aplicar;3) A recapitalização e socialização das dívidas;

 

O ponto do PAC, foi vencida por Hollande, a contragosto Merkel aceitou. Mas aí entrou em cena a questão dos bancos espanhóis e italianos. A tendência era resgate via Estado. Monti e Rajoy, já sem ter mais como seus países suportarem mais endividamento, fizeram uma quase greve, ameaçando que ninguém sairia da sala sem ajudar. Foi um pandemônio, Hollande aceitou os termos, desconfio que já sabia e os incentivou, tornando o caso mais forte. Segui-se uma tensa e dolorosa reunião de mais de cinco horas de debates, a solução final, para Alemanha, foi mais forte do que os dois gols do Balotelli.

 

A UE vai ajudar diretamente os bancos da Espanha e Itália, eles poderão sacar diretamente, sem pesar nas contas públicas, como estampa o El País de hoje,

“O acordo dos líderes da zona do euro abre a porta para recapitalização direta do sistema financeiro espanhol, mas apenas “ao estabelecer uma supervisão única e eficaz dos bancos na área do euro, que envolveu o BCE”, como deve ocorrer antes do final do ano. O empréstimo, de até 100 bilhões de euros, “seria baseado em condições adequadas”, o texto “, incluindo o cumprimento das regras relativas aos auxílios estatais, que deve ser específica para cada entidade para cada um ou sector da  economia e será formalizada em um Memorando de Acordo. “

Ao mesmo tempo, o acordo abre a porta para resgatar o fundo e seu sucessor, o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEDE), intervir nos mercados para estabilizar pelo BCE, que vai agir como seu agente. Com esta declaração, que seria para a compra de dívida espanhola e italiana para deter a escalada do prêmio de risco está sujeito ao cumprimento de recomendações específicas emitidas pela Comissão Europeia para cada país “, e os outros compromissos que assumiram, incluindo os respectivos calendários. ” Novamente as condições previstas no Memorando de Entendimento”.

 

As palavras do líderes refletem o clima final, como também informa o El País:

O acordo provocou celebração em Espanha e Itália, os países mais no centro das atenções dos mercados. Primeiro-ministro italiano, Mario Monti, destacou que “a Europa é reforçada” a longo prazo, enquanto a curto, “evitou uma segunda-feira negra”, uma referência a uma possível investida dos mercados na segunda-feira no caso de não chegar a acordo. Enquanto isso, o presidente francês, François Hollande,sublinhou que, poucas horas depois do pacto, e foram “efeitos positivos sobre os mercados” . O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, o Conselho Europeu considera que “marcou uma maneira certa de lidar com a crise”, embora “um longo caminho a percorrer.” Salienta que não há condições macroeconômicas para a Espanha em troca de ajudar os seus bancos.

Ao contrário de seus colegas em países problemáticos, a chanceler alemã, Angela Merkel, sublinhou que o auxílio não é livre e, como Draghi, observa que “não há provisão para qualquer retribuição.” Merkel tem que fazer esta tarde que o Bundestag (Parlamento) e Bundesrat (Senado) dar luz verde ao Pacto de Estabilidade europeu, para as concessões concedidas hoje à noite, pode ter alguma dificuldade,  precisará que os social-democratas do SPD para conseguir os dois terços de votos necessário. Assim
tem se esforçado para apresentar o acordo como coerente com sua filosofia que a ajuda deve ter condições rígidas : “Nós não deixamos saída do sistema: Prestações, contrapartidas , condicionadas ao controle”.

 

É o efeito Balotelli.  Uma Europa quase em ruptura deve exigir mais do que apenas mais sacrifícios. O acordo é para salvar os bancos, mas sem passar pela punição dos já falidos estados de Espanha e Itália. Além de um pequeno alento, o lançamento do PAC para reativar a economia do bloco. Tudo isto parece  pouco, e é, mas se olharmos a apenas dois meses, nada disto seria possível. Hollande 2 X 0 Merkel.

 

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