Crise 2.0: QE e Crise Terminal

 

 

Mais vez, reafirmamos, aqui na série sobre a Crise 2.0, que nos afastamos de toda e qualquer análise de Crise Terminal do Capitalismo, esta onda de pensamento, sempre ganha força, nos períodos de crise de superprodução de capital, mas somem, quando o capitalismo entra em novo ciclo, a questão que nos vem à mente: Por que se dá este comportamento? qual a origem de tais pensadores. Aqui mesmo, ano passado, debatemos um artigo de Leonardo Boff sobre a “crise terminal”, no post Crise 2.0:Crise Terminal?. Mas o tema sempre volta com novas roupagens, temos que mais uma vez nos posicionar.

 

Esta semana escrevemos o artigo Crise 2.0: O Futuro Incerto do Euro, em que apontamos vários e graves problemas da retomada na Zona do Euro, na mesma semana que os EUA estão para anunciar mais um QE(Quantitative easing ), um afrouxamento da base monetária, ou mais precisamente uma enxurrada de dólares, que em última análise provoca desvalorização geral de produtos dos EUA, barateando sua produção, para induzir um crescimento mais consistente, pois os dados atuais dão conta de uma nova recessão em 2013. O BCE nem isto consegue, pois, ao contrário do FED, há divergências graves por ser BC de vários nações, não de um país. A Alemanha, a maior delas se opõe frontalmente a qualquer nova emissão de moedas.

 

Celso Ming, do Estadão, nestes dois dias escreveu duas ótimas colunas debatendo o tema, que vai mais além, qual a saída para crise, como sair do atoleiro? Escutemos o que ele nos diz: “Os grandes bancos centrais continuam sob formidável pressão para que façam mais e mais para tirar a economia da estagnação (caso dos Estados Unidos) ou de um agravamento da atual paradeira (caso da área do euro)”. Continua ele: “Desde 2008, os grandes bancos centrais têm imprimido moeda, para além da fronteira do que seria considerada ação responsável, com o objetivo de recolocar as grandes locomotivas econômicas em funcionamento”.

 

Na falta de líderes políticos que conduzam os países a uma saída política e econômica, sobrou aos BCs a tarefa, os instrumentos serão “técnicos”, mas mesmo estes já não respondem à demanda, conforme o mesmo Ming constata, primeiro sobre os EUA: Os obstáculos que esses dois grandes bancos centrais têm agora à sua frente para acionar novamente seus mecanismos heterodoxos não são da mesma natureza. O Fed enfrenta principalmente uma questão técnica: os juros básicos estão abaixo da linha d’água. […]O Fed poderá derrubá-los alguma coisa a mais? Sim, poderá. No entanto, mesmo que seja bem-sucedido, parece improvável que essa redução adicional dos juros baste para reativar a economia e puxar para baixo os índices de desemprego, hoje nos 8,3% da força de trabalho.

 

Quanto à Zona do Euro, o caso é mais complexo, assim expôs o articulista do Estadão: “Há algumas semanas, Mario Draghi avisou que não demoraria a agir. E é o que pedem insistentemente os dirigentes dos países asfixiados pela dívida. Mas ele enfrenta outro tipo de obstáculo: a feroz oposição da Alemanha a que se emita moeda para recomprar títulos dos países altamente endividados (como Espanha, Itália e Portugal) e, de tal modo, tente derrubar os custos de cobertura, hoje insuportáveis, dos seus rombos orçamentários. Para os alemães, essa operação não passaria de mutualização (ou federalização) de dívidas, isto é, não seria nada mais do que repassar para todos os países da área de uma conta que cabe apenas aos super endividados”.

 

O que o leva, desoladamente, a concluir que apenas a transformação da Zona do Euro em Estado único poderia ser a solução mais adequada ( sobre isto,escrevi um post em 13/10/2011 Crise 2.0:Estados Unidos da Europa?), vejamos o que fala Ming: “Mesmo que, em nome do objetivo maior – fazer de tudo para defender a moeda –, o BCE consiga recomprar esses títulos, ainda não estaria assegurado o resgate do euro. Isso depende do que os países sócios da área ainda não se atrevem a fazer: criar uma união fiscal capaz de submeter o controle dos orçamentos a um poder central, o que, por sua vez, subentende a unificação política da área, a criação dos Estados Unidos da Europa”.

 

O debate remete ao parágrafo inicial, de que os advogados da crise terminal, ou de que o capitalismo cairá de podre, esquecem o mundo real, partem para análise segundo seus desejos, como bons idealistas(no sentido hegeliano), substituem a realidade concreta por uma abstração, quando sabemos que o Capital não é uma ficção uma nuvem ou algo que se dissipe no ar. Retomar Marx, seu método, é a única forma de não cairmos no ceticismo ou na paralisia política, pois se o Capital vai cair, por que se deveria lutar?

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