Crise 2.0: EUA, sete anos depois…

 

Muito a explicar - Foto: Jim Watson / AFP

 

O processo geral da Crise, como temos repetido seguidamente, quase como um mantra, aqui na série sobre a  Crise 2.0, é a SuperProdução de Capital, ou de Valor, o ápice do Ciclo Econômico, momento quem a taxa de lucro, ou seja produção de valor. A Crise acontece no pico, não na baixa, ao contrário dos analistas vulgares, quem conhece Marx, não pode errar neste conceito, mais ainda, tem que saber identificar em que momento a Economia atingiu o apogeu do seu ciclo, pois daí se tira todas as variáveis da elaboração política, abre-se a possibilidade de questionamento global ao sistema.

 

Continuaremos a insistir neste conceito, pois só assim conseguiremos entender a Crise, seus desdobramentos e dinâmica geral. Publiquei alguns gráficos sobre a questão da Crise nos EUA, demonstrando qual o momento que a “bolha(modo vulgar) econômica” estourou, que por acaso, não foi em Setembro de 2008, como se pensa, mas por volta do início do segundo semestre de 2005. Agora que vivemos um momento de recomposição do capital, sete anos depois, percebemos toda a dificuldade de retomada, a queima de forças produtivas, condição fundamental para um novo ciclo, ainda não foi totalmente realizada.

 

Os EUA são nosso norte neste movimento, entender sua dinâmica econômica é essencial. Ao explodir a economia, o problema central foi no setor que mais emprega e mais reflete a economia como um todo: A construção civil, ou melhor o setor imobiliário, pois dele se criou uma verdadeira espiral de valorização, somada à especulação futura, sem lastro real, a imensas hipotecas e a alavancagem dos bancos, elevada a máxima potência, teve um efeito danoso sobre todo o restante da Economia, o Estado, como sempre, veio em socorro dos banqueiros e empresas, sustentando um peso insuportável em cima dos trabalhadores e da classe média americana.

 

Particularmente, fico satisfeito, que a tese que venho defendendo, sobre o momento da crise, vai se confirmando, em particular pelos relatórios, agora divulgados, como este publicado pela agência Dow Jones: “Quase sete anos depois do estouro da bolha imobiliária, a maioria dos índices registraram melhoras. “Finalmente, é possível ver algum aumento nos preços das residências”, comentou David M. Blitzer, presidente do comitê de índices da S&P, após a divulgação do índice de preços de residências S&P/Case-Shiller ter registrado a primeira alta mensal em abril, após sete meses consecutivos de retração. Em maio, foram vendidas cerca de 10% a mais de residências existentes em relação a igual período do ano anterior, muitas delas compradas por investidores que planejam alugá-las agora para vendê-las mais tarde, um sinal importante e um ponto de inflexão”.

 

Ou seja, sete anos depois, se estamos em 2012, bate com 2005, ano que identifico como o pico deste ciclo do Capital, leiamos mais: Os construtores começaram a construir 26% a mais de casas para famílias em maio de 2012 em relação aos níveis deprimidos de maio de 2011. O estoques de novas residências não vendidas está de volta ao nível de 2005. Em cada um dois quatro trimestres passados, a construção de residências foi acrescentada ao crescimento econômico. No primeiro trimestre, esse estoque respondeu por 0,4% na margem na taxa de crescimento de 1,9%.”Mesmo com a economia geral desacelerando”, afirmaram economistas do Wells Fargo Securities, cautelosamente em nota a clientes, “a recuperação do mercado de construção de residências parece estar ganhando impulso gradual.”

 

Entender que o Capital chegou a seu apogeu naquele ano, mas apenas em 2008 se tornou “pública” sua Crise, é central, mostra que em tese perdemos 3 anos de debates, de iniciativa políticas, para por em xeque o sistema. Vejamos os número e percebamos qual o tamanho de queima de Forças Produtivas:

“O mercado imobiliário ainda está longe de ter se recuperado totalmente, apesar dos esforços do Federal Reserve para ressuscitá-lo ajudando a conter as taxas de hipotecas para extraordinárias baixas: 3,62% para empréstimos de 30 anos, segundo levantamento da Freddie Mac. A construção de unidades residenciais iniciadas, por sua vez, permanece 60% abaixo do ritmo de antes da bolha em 2002. Os ativos dos americanos em residências estão em US$ 2 trilhões, ou 25% menos do que estavam em 2002 e metade do que estiveram no pico. Mais de uma em cada quatro hipotecas ainda continua com o valor muito acima do valor do imóvel, ainda que o aumento nos preços das residências tenha reduzido essa fração lentamente.

A reviravolta no mercado imobiliário é um marco, particularmente bem-vindo em meio à pressão por emprego. Por algum tempo, esse mercado foi considerado uma das causas do enfraquecimento econômico, mas agora ele agora se moveu para o outro lado. “Um pequeno sopro é muito melhor do que um vento contrário”, lembrou o economista do Case/Schiller. A partir de agora, é improvável que o mercado imobiliário possa afundar a economia dos EUA ainda mais”.

 

Os dados são inequívocos, o pico da economia, dos preços e emprego se deu naquele ano, caiu 50% o “preço” dos imóveis, o desemprego subiu de 4,9% para 9,1(2011), agora nesta pequena recuperação caiu para 8,2%. Em números absolutos o desemprego saiu de 8 milhões para quase 15 milhões, hoje ainda atinge 13 milhões de pessoas. Os salários recuaram em 25% e a renda das famílias caiu quase 40%(parte dela era alimentada pelas hipotecas, que inflavam seus “ganhos”). O fosso social aumentou incrivelmente nestes últimos 7 anos, as 750 famílias mais ricas têm o mesmo que 155 milhões pessoas. Aliás, isto virou entrave, conforme escrevermos no artigo Crise 2.0: Desigualdades emperram crescimento dos EUA.

 

A recuperação ampla e vigorosas, saiu da pauta, em  outro artigo, trataremos destas novas perspectivas dos EUA, aqui reafirmamos de forma empírica todo o movimento do Capital, de forma tão clara e cristalina, confirmando a genialidade das conclusões e análises de Marx, mesmo com mais 150 anos de seus escritos fundamentais, parece que são mais vivos do que antes.

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