Crise 2.0: A omissão dos ricos na Grécia

 

Alexis Tsipras - a esperança grega Pool photo by Kostas Tsironi/NYTimes

Desde quando começamos a escrever a série Crise 2.0, procuramos identificar o comportamento das classes, em particular neste período de crise aguda que passa a economia mundial. Deixamos claro como a crise afeta duramente os trabalhadores, que pagam com seu desemprego e cortes sociais o peso da irresponsabilidades da burguesia dirigente. Em particular, nos países mais afetados como Grécia, Espanha, Itália, Portugal, se percebe que os bilionários e suas empresas se mantêm distante e contam com seus governos para lhes auxiliar.

 

É fato corrente que se prega um amplo liberalismo, principalmente quando o capital está em expansão, que as amarras do Estado não possa atrapalhar, que este apenas impulsione o seu crescimento, como em regra no começo do ciclo do Capital, os trabalhadores são empregados mais amplamente, passa despercebido, o movimento de exigir a menor ingerência do Estado nestas relações. Os cortes sociais são feitos à revelia, mas o emprego garantido, parece não afetar. Mas quando se chega na supreprodução de capital, consequentemente na Crise, estes cortes e políticas liberais passam a pesar de forma violenta sobre a classe trabalhadora.

 

A ideologia de que todos devem se sacrificar parece em cada declaração, como se os trabalhadores fossem o culpado pelo estado de coisas do Capital. Esta situação se verifica em cada Estado que enfrenta a atual crise, caso peculiar é o grego, que a burguesia local recebeu e torrou bilhões de Euros, numa farra sem medida, com agravante de sonegar desavergonhadamente seus impostos, joga sobre os trabalhadores o peso da crise que ela criou e amplificou, pelos seus ganhos e sua prodigalidade.

 

O jornalista Landon Thomas Jr, do The New York Times, descreve com precisão a omissão dos magnatas gregos, a matéria é chocante, chega a ser inacreditável.  Ele diz, sem embargo: “Enquanto o dinheiro jorra dos bancos gregos e debates europeus ou não a Grécia merece receber a parcela  seguinte, as pessoas potencialmente em melhor posição para ajudar a reforçar as finanças do país são principais a se esconder”.

 

Os magnatas das famosas empresas marítimas têm isenção previstas na Constituição do país, eles ampliaram para petróleo, gás, mídia e se mantém à marge do fisco. Foram os primeiros se negar a comprar os títulos do governo de seu país e ajudar de forma positiva a minorar a crise. Mais ainda se negam até a ajudar de forma filantrópica as instituições que hoje distribui comida e roupas ao gregos que vivem na extrema miséria, apenas pelo medo de se tornar pública que têm muito dinheiro, pois as doações revelaria um patrimônio aproximado.

 

O medo desta elite, que esconde seu dinheiro em empresas off-shore, em bancos estrangeiros e paraísos fiscais, longe dos impostos, redobrou nos últimos meses com a possibilidade da esquerda representada por Alexis Tsipras, que prometeu taxar as empresas e cobrar impostos das grandes fortunas. Segundo NY Times calcula-se em 8 bilhões de Euros o tamanho da sonegação fiscal dos mais ricos, o que dá a metade de todo deficit fiscal do país. Nas palavras do NYTimes: “Claro, a esquerda não está sozinho nesta visão.:”Vamos ser francos – os ricos precisam pagar sua justa parcela de impostos”,  Bob Traa, o representante do Fundo Monetário Internacional, na Grécia, disse em um discurso no ano passado em Atenas”.

 

Os números que a reportagem traz são francamente assustadores, o setor marítimo, o maior do país tem ativos de mais de 85 bilhões de Euros, a metade do PIB grego, mas são isentos de impostos. A arrecadação de Imposto de Renda grega em 2011 foi de apenas 7,3% do PIB, enquanto em média é de 11% na Zona do Euro. Mas este setor emprega 200 mil gregos e vive-se nesta armadilha fiscal, se os taxar ameaçam sair do país, não pagando pioram mais ainda o caos social que vive a Grécia.

 

Que paguem aqueles que são os maiores responsáveis pelo caos, mas não é esta a dinâmica da Troika e de seus governos artificiais como o de PapaDEMos. A Conta caiu sobre a cabeça dos trabalhadores.

 

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