Divina Comédia

 

Gustavo Doré

 

“ANTES DE MIM COISA ALGUMA FOI CRIADA
EXCETO COISAS ETERNAS, E ETERNA EU DURO.
DEIXAI TODA ESPERANÇA, VÓS QUE ENTRAIS!”

(Divina Comédia – Dante Alighieri)

Passei vários meses em 1991, de um lado para outro com a “Divina Comédia”( Dante), morava em lugares incertos, trabalhando em implantações de Centrais Telefônicas, lembro bem que comprei os três volumes em janeiro daquele ano, logo a seguir fui trabalhar em Florianópolis. Então era comum ir do Campeche ao centro com aquele livro pesado lendo, ou mesmo nos fins de semana ficar curtindo aquele mundo novo.

 

Era uma tradução muito rica(Cristiano Martins – Editora Itatiaia), com muitas notas explicativas, quase verso a verso que, ao contrário de muitos, foi mais enriquecedor, pois estimulava a ler mais e vi que precisava rumar para ler os clássicos greco-romanos, pois só assim entenderia toda a força da Divina Comédia. A monumental obra de Dante, basicamente dividida em três partes( Inferno, Purgatório e Paraíso), não é tão simples de ler, pois tem muitas referências e alegorias, além dos versos com discurso indireto. Mas, todo esforço que fizermos para lê-lo, não é em vão.

 

Passei uns 4 ou 5 meses lendo o Inferno, comecei em Florianópolis e depois terminei em Porto Velho. Em maio fui para Porto Velho e como era muito quente, íamos trabalhar cedo, saíamos tarde, geralmente umas 8 ou 9 da noite, no prédio que alugamos um apartamento, tinha , vamos dizer uma piscina, quase uma termas, de tão quente, mesmo de noite. Chegava, ia direto à piscina e voltava a leitura da Divina, era um momento de esquecer onde estava, o momento que vivia, o livro caiu como uma luva.

 

O livro me marcou definitivamente, voltei a ele, em particular o Inferno, duas vezes, é uma viagem cultural, política, religiosa incrível. A cada ciclo do Inferno, os amigos ou inimigos do poeta, os “pecados” e sua punição, os intensos debates, as ideias, um panorama de uma época, as relações sociais, políticas e principalmente religiosa. Um mergulho radical na alma humana, nas trevas medievais.

 

Talvez, um dia, tenha tempo e capacidade de fazer um roteiro ou resumo apropriado da Divina, mas deixo aqui minha recomendação para que se leia, obra fundamental da humanidade, sua existência, suas histórias justificam tudo o que se diz sobre o livro.

0 thoughts on “Divina Comédia”

  1. Arnóbio, li o livro com 15 anos e tal foi a minha fascinação que coloquei o nome de minha filha de Béatrice (“afrancesei” para se pronunciar “beatriz” e não “beatritie”, como no italiano).

    No final do ano passado comprei uma edição simples, mas vou comprar um edição ilustrada em breve, porque espero que um dia minha pequena se interesse pela origem de seu nome.

    Abraços,

    Asclê

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