Piaf e Floripa

 

 

Ontem no twitter indicaram uma música de Edith Piaf, imediatamente voltei 21 anos, quando descobri definitivamente a grande cantora francesa, para variar foi durante minha viagens pelo Brasil, precisamente estava a morar em Florianópolis(Fevereiro de 1991), como disse noutro post Viagens, foi um dos lugares que morei, por uns quatros meses, agora contarei um pouco sobre esta época.

 

Em 1990, entre Agosto e Dezembro eu morei no Guarujá, a volta de lá não poderia ser mais simbólica, 16 de Dezembro de 1990, naquele dia Tupãzinho fez o gol contra o São Paulo e o Corinthians venceu o primeiro campeonato brasileiro com grandes exibições de Neto. No fim de semana seguinte, entrei de férias e fui para Fortaleza. Ao voltar de lá, fui chamado pelo meu chefe para avisar que no início de fevereiro iria trabalhar em Florianópolis. Algumas reuniões de preparação com a equipe de trabalho, conhecer as pessoas e o projeto.

Enfim dia 03 de fevereiro de 1991 chegamos ao aeroporto da cidade, de lá fomos ao centro, praça XV de Novembro, compramos um jornal, Diário Catarinense, em busca de anuncio de aluguel de apartamento, pois a perspectiva era ficar na cidade por uns 8 ou meses. Mal sabíamos nós que em véspera de carnaval, em pleno verão, Floripa era invadida por argentinos e uruguaios, além de gaúchos, quase nada sobrava para se alugar. Lido jornais, feitos contatos só tinha apartamento/casa para alugar para 15 dias depois. Quando estávamos decididos a irmos procurar algum hotel pelo centro, vimos um anuncio de um flat no Campeche, nem tínhamos ideia de onde era, mas foi a saída.

 

Imagem de Amostra do You Tube

 

É preciso saber que 21 anos atrás Floripa era uma cidade pequena, com poucas opções de hotéis ou pousadas, muitos turistas argentinos, uruguaios e gaúchos ficavam em camping naregião da Lagoa da Conceição, Joaquina e Praia Mole. O flat era um achado, mesmo longe do centro, era um lugar bucólico, perto de uma praia bonita, simples, quase sem infraestrutura de bares ou barracas. Para nós, que estávamos a trabalho era um lugar perfeito, exceto pela distância para o centro, local que ficava a sede da Embratel. Mas naquele mês cheio de eventos, carnaval e fim de férias, estava mais que bom.

 

Fomos muito bem atendidos pelos irmãos donos do lugar, Talmir e Telma. Talmir era professor da UFSC, que tinha morado em vários países na Europa e num Kibutz em Israel, era agrônomo, muito educado e prestativo. Sua irmã, também passara parte da vida na Europa, trabalhando no consulado Italiano na França. Juntos montaram o Flat, estavam acabando a construção dos primeiros apartamentos, fomos os primeiros hóspedes. Telma cuidava diretamente do flat. Fazia tudo, gerenciava, dava ordens, via a construção, que seguia, trocava lâmpadas, era muito dinâmica, além de ser gentil e acolhedora.

 

Imagem de Amostra do You Tube

 

Rapidamente ficamos amigos, aqui entra Piaf, Telma era apaixonada pela cantora, nos fins de semanas, sempre ficava ouvindo música francesa, conversando sobre literatura, ela me contando sobre a vida que tinha na França, ela trabalhava na parte de cozinha e copa do consulado, preparavam almoço/jantar de gala, aquelas histórias eram muito interessantes, meus olhos brilhavam. Ela cozinhava muito bem, como a ajudava no flat, telefonia, lustres, limpeza, nos tornamos muito amigos, meu “pagamento” era ouvir Edith Piaf e os ótimos almoços.

 

As lições sobre Piaf que já conhecera um pouco através do livro “Sem tesão não há solução” do psiquiatra Roberto Freire, mas com Telma foi bem mais completa, as explicações das letras, o ambiente que ela cantava, a guerra, a prostituição, a artista impressionante, despertou em mim uma grande paixão por Piaf, que perdura até hoje, na época regada na época a picadinho de filé mignon, aspargos e arroz branco, enquanto tocava a música da excepcional artista francesa. Grandes dias para lembrar.

 

Imagem de Amostra do You Tube

 

 

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