Brasil e seus desafios

 

Reunião dos BRICS 2012 – foto de  Roberto Stuckert Filho/Presidência da República

 

Tenho me mantido distante da conjuntura nacional, pouco escrevendo sobre o Brasil, pois estava dedicado nos estudos sobre a Crise 2.0, mesmo que incidentalmente tenha escrito alguns posts localizando o Brasil e os BRICS neste contexto da Crise mundial. Esta semana voltei a tratar das questões locais, agora farei um apanhado geral, relacionando os artigos sobre Crise 2.0 e a Conjuntura Nacional.

 

Ainda em setembro de 2011 publiquei um post com as posições do BC brasileiro sobre a Crise( Crise 2.0: A visão do BC do Brasil), naquele momento que fizera uma importante inflexão na política de juros, que foi extremamente criticada, chamada de aventureira, mas fundamental para salvar o PIB de uma queda mais violenta. Ali ficou claro para que servem os “analistas” econômicos, TODOS foram desmoralizados, pois não enxergam um 1 cm à frente do nariz.

 

O tema do Brasil voltou forte com a entrada no debate da Presidenta Dilma sobre a Crise ( Crise 2.0: Tsunami Monetária ) , mas para melhor compreender a atual importância do Brasil no mundo, detalhei as questões no post: Crise 2.0: Momento Brasil, aqui, escrevemos:

“A evolução da balança comercial em 8 anos de Governo FHC foi de 78 Bilhões de dólares em (Fev94 à Jan95) para 108,3 Bilhões entre  (Fev02 à Jan03), pouco mais de 38% e, 8 anos. A relação PIB x Balança comercial seria em 94 de 13% caindo para 9,5% em 2002. Enquanto nos 8 anos de  Governo Lula saiu de 123,3 Bilhões e foi para 390 bilhões de dólares, sendo a relação PIB x Balança de 11% em 2003 subindo para 17%. Agora em 2011 atingiu os 18,6 %. O Mais importante em 2002 a relação exportação para EUA e UE era de 50,8 % do total, em 2012 caiu para 35,75%. ( Todos estes dados você pode pesquisar no site do Ministério da Indústria e Comércio)

Em apenas 9 anos a balança comercial saiu de 108,3 Bilhões de dólares (fev02 à jan/03) para 485,8 Bilhões. Com ampla diversificação de produtos e países com os quais o Brasil mantem relações comerciais. O complexo de vira-lata dos tucanos, foi derrotado pela ousada política exterior implementada pelos governos do PT. O maior reflexo disto é que a Presidenta Dilma é recebida com pompas pela mulher mais poderosa do mundo, Frau Merkel.

Outro aspecto importante Dilma saiu do Brasil criticando a Tsunami Monetária ( Crise 2.0: Tsunami Monetária) e ao se encontrar com Merkel não se curvou, ao contrário reafirmou todas as críticas, não temendo o interlocutor, mostrando que o Brasil tem soberania e força. Nos bastidores Frau Merkel pediu ajuda ao Brasil, para que convença os seus parceiros de BRICS a refinanciar o FMI”.

 

Esta nova realidade econômica do também foi fechada no artigo Crise 2.0: Questões do Brasil, ali afirmamos que:

“Óbvio que o Brasil tem muito a se preocupar, hoje ocupa o sexto posto da Economia Mundial, quase com o mesmo PIB do quinto,a França, tem muitas mazelas históricas, uma sociedade polarizada, um parlamento que mais parece um balcão de negócios, falta de visão de nação por parte da burguesia local. Há ainda desconfiança quanto ao projeto do PT, que se constituiu como o único partido nacional com projeto de poder e nação.

Os vários avanços econômicos, de incorporação de amplas parcelas que viviam à margem da cidadania, sem emprego ou renda, ainda não se traduziu em avanços políticos, o nível de negociação para implementar qualquer mudança nos três poderes é extremamente lento, desgastante e que emperra o salto para frente do país. Em alguns momento é um verdadeiro “milagre” o que se fez até agora, leia aqui para entender mais do que falo: Crise 2.0: Momento Brasil “.

 

E finalmente retomamos a análise da conjuntura nesta semana com o artigo : Conjuntura Política 2012 , nele tratamos da caracterização do atual momento mundial, a crise que leva uma radicalização à Direita, além de caracterizar o PT, o partido majoritário no Brasil, destacando ainda que seu maior adversário, PSDB, dominado até então por José Serra, que foi conscientemente para o extremismo de direita.

 

O espaço político e econômico que o Brasil conquistou no mundo, fruto da bem sucedida estrategia política dos governos do PT (Lula e Dilma), tornando o país um dos atores principais no cenário mundial, causa impacto também localmente. As mudanças na geografia econômica do país são visíveis, mas ainda não se traduziu na política representativa, a atávica presença de antigas elites no congresso é uma prova cabal, tanto no governo como na oposição.

 

O velho teima em se manter no poder, mesmo o país já representando o Novo lá fora. Mais do que urgente o Brasil precisa revolucionar suas representações, não dá para se ficar refém da negociação no varejo de cada novo projeto no congresso. Mas, por outro lado, é salutar que a democracia prevaleça, sem rupturas. Ao olharmos nossos parceiros principais, dos BRICS, o Brasil é onde a democracia está mais enraizada, estável, isto conta para uma liderança mundial.

 

Brasil deve enfrentar os seus desafios locais, aliada a uma constante ofensiva internacional, fortalecendo suas instituições, aperfeiçoando seus controles, incorporando mais pessoas ao mercado e combatendo a miséria, este é o eixo central que o Governo Dilma dever perseguir.

 

 

 

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