Crise 2.0: Momento Brasil

 

(Jens Schlueter / AP)

 

Em pouco menos de um mês a Presidenta Dilma terá encontrado os líderes políticos dos dois lados do Atlântico, ontem esteve com Angela Merkel e no próximo mês irá aos EUA. É uma agenda intensa, que indica os novos rumos do Brasil no mundo, a nova projeção que o país adquiriu nos últimos 10 anos, quando ganhou peso econômico e importância.

 

Basta lembrar que o Brasil sempre se sitou entre as 8 maiores economias mundias, mas durante os anos 90, com a dolarização da Economia e a política de desindustrialização do Governo FHC combinada com a venda das estatais o país foi paulatinamente sendo empurrado para baixo no ranking das maiores economias, chegando a cair para 15º lugar. A importância, por conseguinte era nula, participação no comércio mundial, de uma economia mais que globalizada era irrisória.

 

Durante o Governo Lula houve uma busca de novos parceiros comerciais, amplamente criticada pela mídia nativa, o presidente era tratado como “terceiro-mundista” entre outros impropérios, mas, obstinadamente se construiu uma nova agenda diplomática, privilegiando acordos com China, Rússia, Índia, América Latina e África. As empresas brasileiras tiveram em Lula seu maior embaixador, rompendo e conhecendo novas fronteiras.

 

Até antes do Governo Lula a pequena balança comercial brasileira tinha como centro a Europa e os EUA, tornando-a extremamente dependente dos humores, das barreiras e boicotes destes mercados. A busca de outros parceiros não foi algo impensado, mas sim, uma sólida e interessante mudança de rumo, que se provou vitoriosa. Brasil, apesar de pouco peso no mercado mundial, passou a atuar de forma destacada nos fóruns econômicos, nos organismos multilaterais como OMC, esqueceu a bobagem do Nafta a menina dos olhos tucanos, ajudou decisivamente a criar o G77 e fundamentalmente o G20. A aliança estratégica dos BRICS foi outro gol do Brasil no cenário mundial.

 

Óbvio que para chegar a este patamar é preciso ter ganhado músculos e presença no mundo, conforme mostra a balança comercial:

Os números são expressivos basta dizer que em apenas 3 anos de Governo Lula, 2003 à 2005, a balança comercial era o dobro do último ano de Governo FHC, mesmo com o dólar em 2002 batendo R$ 4,04, o que amplamente favorecia às exportações. Neste período 2003 à 2005 o dólar caiu para próximo de R$ 2,oo. Como é bom lembrar que Miriam Leitão em abril de 2003 dizia que “a balança crescia no Governo Lula era resultado dos contratos do Governo FHC, mas que em agosto/2003 cairia vertiginosamente”. Sardenberg era outro que apostava no mesmo destino da balança comercial, “principalmente porque privilegia o mundo pobre, ao invés de seguir rumo aos que têm dinheiro(EUA e UE)”.

 

A razão da importância do Brasil hoje: É a economia, estúpido!!

 

 

A evolução da balança comercial em 8 anos de Governo FHC foi de 78 Bilhões de dólares em (Fev94 à Jan95) para 108,3 Bilhões entre  (Fev02 à Jan03), pouco mais de 38% e, 8 anos. A relação PIB x Balança comercial seria em 94 de 13% caindo para 9,5% em 2002. Enquanto nos 8 anos de  Governo Lula saiu de 123,3 Bilhões e foi para 390 bilhões de dólares, sendo a relação PIB x Balança de 11% em 2003 subindo para 17%. Agora em 2011 atingiu os 18,6 %. O Mais importante em 2002 a relação exportação para EUA e UE era de 50,8 % do total, em 2012 caiu para 35,75%. ( Todos estes dados você pode pesquisar no site do Ministério da Indústria e Comércio)


Em apenas 9 anos a balança comercial saiu de 108,3 Bilhões de dólares (fev02 à jan/03) para 485,8 Bilhões. Com ampla diversificação de produtos e países com os quais o Brasil mantem relações comerciais. O complexo de vira-lata dos tucanos, foi derrotado pela ousada política exterior implementada pelos governos do PT. O maior reflexo disto é que a Presidenta Dilma é recebida com pompas pela mulher mais poderosa do mundo, Frau Merkel.

 

Outro aspecto importante Dilma saiu do Brasil criticando a Tsunami Monetária ( Crise 2.0: Tsunami Monetária) e ao se encontrar com Merkel não se curvou, ao contrário reafirmou todas as críticas, não temendo o interlocutor, mostrando que o Brasil tem soberania e força. Nos bastidores Frau Merkel pediu ajuda ao Brasil, para que convença os seus parceiros de BRICS a refinanciar o FMI.

 

Brasil se afirma como a 6ª maior Economia do mundo, incorporou nestes últimos 9 anos amplas massas ao mercado de trabalho e consumo, mas mesmo assim os ranhetas midiáticos e os repetidores  deles continuam achando que nada mudou. Também é óbvio que continuamos com  amplas mazelas, educação deficitária, Saúde, infraestrutura e governabilidade, mas é inegável que muito se avançou, precisamos exigir sempre mais, sem, no entanto, deixarmos de entender toda a herança recebida, e a imensa crise mundial.

0 thoughts on “Crise 2.0: Momento Brasil”

    1. “Estamos caminhando. Povo acha que se reconstroi em 10 anos um país maltratado bem fundo por mais de meio século, afe…”isso aí marinildac

      Matéria magnífica, Arnóbio. grata por compartilhar, já estou espalhando entre meus amigos.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: