Conjuntura Política 2012

 

(Foto: Roberto Stuckert Filho / PR)

Radicalização da Direita

 

A grave crise econômica nos países centrais, com perda significativa de emprego e renda, balançou os Estados e governos, são quase 4 anos de retrocesso econômico e empobrecimento, em particular do trabalhadores que perdem emprego e classe média que é mais achatada. Sem alternativa clara à esquerda, virou campo fértil para o extremismo de Direita, em particular o de caráter religioso e movimentos neofascistas.

 

O fenômeno da radicalização à direita, neofascista, é mundial, nos EUA a face mais radical é a religiosa, tratam Obama como “Bolchevique”, mesmo sendo o Governo Obama francamente de Direita, pode acreditar, está cada dia mais xenófoba e alguns estados aprovam leis mais restritivas aos imigrantes. Os candidatos das prévias republicanas lutam entre si para se definir quem é mais extremista.

 

Na França Sarkozi que já estigmatizara os muçulmanos, quis deportar em massa os ciganos, na atual campanha diz que o problema do desemprego no país é devido a imigração. O discurso do medo e xenofobia, leva que somados Sarkozy e Marine Le pen, são maioria nas pesquisas. O recente episódio com um membro da Al qaeda, foi um prato cheio para aumentar o discurso do ódio.

 

Espanha, mesmo quando governada pelo PSOE, restringiu os direitos dos estrangeiros, pois há um desemprego em massa, política esta radicalizada pela Direita, PP, com sua faceta carola com cheiro de extrema-direita. Os casos na Inglaterra do ano passado com distúrbios em bairros mais pobres com maior presença de estrangeiros e negros, após mais cortes de programa sociais do governo do partido liberal, direita.

 

Na Itália, os seguidos governos neofascistas e corruptos de Berlusconi, uma espécie de palhaço midiático, bilionário, levou o país ao abismo, uma crise generalizada, que só teve fim com a intervenção da UE, que o substituiu por um governo tecnocrata, ligados aos banqueiros. A democracia virou mero detalhe, mas mesmo assim a alternativa de Centro-Esquerda não consegue ter vantagem, nas sondagens para eleições vindouras.

 

A Alemanha consolidou a Direita, com uma ajuda de agrupamento extremistas, num amplo acordo que mantem Merkel no poder e uma maioria consolidada no parlamento. A Chanceler espalha sua força para além da fronteira alemã, intervindo diretamente na eleição francesa, com seu apoio decidido a Sarkozy. A Direita alemã governa sem oposição que lhe questione, a “agenda 2010” do social-democrata, Schroeder, facilitou seu trabalho.

 

No Brasil a esquerda brasileira (PT) ocupou um espectro mais amplo, tomou o centro do PSDB, sobrou apenas a Direita mais raivosa, fundamentalista a eles. Este deslocamento de forças e projetos, ainda não se deu por completo no imaginário popular, PT ainda é identificado como esquerda raivosa, muitos “absorveram” Lula, mas é fato que ainda temem o PT, isto é reforçado por um discurso extremamente preconceituoso de Serra na eleição passada, que afagava a Extrema-direita.

 

 

Eleições de 2012

 

 

O Brasil ganhou um peso e um destaque no mundo devido ao crescimento robusto do PIB, ao mesmo tempo que incorpora amplas massas ao mercado de consumo, tirando-as da extrema miséria ou da miséria, algo inédito não apenas aqui como no mundo, pelo pouco tempo, fruto de uma política bem focada. Semana passada o Estadão dava conta que apenas em 6 anos(2003-2009) foram 40 milhões de pessoas que passaram a fazer parte do mercado de consumo.

 

Mesmo num ano “ruim”, o PIB cresceu 2,7%, houve mais de 2 milhões de novos empregos, neste ano com  menor vigor, mas ainda numa curva positiva o emprego continua a crescer, como lembra Celso Ming, “o desempenho medíocre da indústria já não abala o mercado de trabalho. Seis meses de desaceleração da atividade industrial e cortes de pessoal nos setores automotivo, de eletrodomésticos e têxtil não tiveram efeito negativo na criação geral de vagas. A desocupação no País continua abaixo dos 6,0% da força de trabalho (5,7%, em fevereiro)”.



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Governo, do ponto de vista econômico continua forte, suas tarefas de incentivar indústria e manter um ritmo de crescimento mesmo com uma crise mundial, amplamente analisada por nós, na série Crise 2.0, mas luta para consolidar um modelo de desenvolvimento, que continue a incorporar mais ao mercado de trabalho, renda e consumo.

 

São Paulo – Cenário Nacional

 

A mobilidade do PT rumo ao centro, aconteceu independente de Lula. Foi a realidade que o empurrou ao centro, para ter maior interlocução com outras forças que fazem o jogo político no Brasil, tirando do PSDB a hegemonia na sociedade. O Governo Dilma consolida esta tendência de centro-esquerda, atraindo ainda parte da classe média refratária à Lula. Óbvio que este caminho põe em risco as grandes conquistas e bandeiras da esquerda, o ambiente e jogo é mais complicado pois os grupos, os movimentos mais à esquerda são minoritários no PT e no governo.

Neste cenário, as eleições municipais tendem a ter um caráter mais focado na cidades, nos problemas locais, não apresentando características de disputa de projeto nacional, exceto São Paulo, a maior e mais rica cidade do país, bastião da oposição neoliberal, quase uma capitania hereditária. Deslocada, cidade e estado, do modelo e esforço nacional, sempre em choque com as medidas do governo federal desde 2003, São Paulo perdeu sua dinâmica, assiste ano a ano a perda de participação na riqueza nacional. Mesmo assim continua sob domínio do PSDB.

 

São Paulo terá a maior disputa de projetos, mais ainda porque o candidato derrotado da oposição foi empurrado para disputa local, nas suas palavras: “Para evitar que o PT se estabeleça”. Serra não é candidato a prefeito, não tem, como não tinha em 2004, nenhum projeto para cidade, seu obje
tivo é dar caráter nacional a disputa e ficar em evidência, para 2014. A mesquinharia não tem limites, mesmo dentro de seu partido, sua rejeição aumenta, todos os caciques o apoiaram nas prévias, ele passou com apenas 4 % de vantagem, sua avaliação é que venceria por 70 a 30, deu 52 a 48.

 

Serra que foi oriundo da esquerda nos anos 60, chegou a ser presidente da UNE, gestão que ele não concluiu devido ao golpe militar, exilou-se no Chile, também saindo de lá com o golpe de 1973, voltou ao Brasil e fez um sólido caminho rumo ao centro, depois à direita, acabando vergonhosamente abraçando a extrema-direita. Com um discurso de ódio, de nenhum respeito às instituições, jamais cumpriu um mandato eletivo, seu projeto único é a presidência, mas cada dia com um projeto mais conservador, marcado pelas bandeiras neofascistas ou de temas de costumes, como aborto e religião, virou um carola em público, beijando santos.

 

Dissocio-me dos que acham que Serra era agente, ou coisa do tipo, prefiro acreditar que ele cruzou a fronteira e foi para extrema-direita, de forma consciente e objetiva.Ainda em 2010 escrevi um texto caracterizando esta inflexão à Direita do Serra, os mesmos elemento e tipo de campanha já estão sendo armados, não resta alternativa à Serra, senão se diferenciar pelo extremismo de direita. O texto segue atual:

 

Inflexão à Direita


“Foi trazida de contrabando ao palco eleitoral deste ano uma inflexão da candidatura de centro-direita, representada por Serra, à Direita mais raivosa com algumas nuances Neofascistas, o debate foi empobrecido por temas de costumes (aborto, religião) e não políticos totalizantes como a questão do estado, da economia, perspectiva da relação do Brasil com o G20 e qual agenda para entrarmos noutro patamar de país que emerge do ambiente pós-crise de Setembro de 2008.

Rebaixado o debate político, talvez pela leitura de que seria impossível derrotar a candidatura do governista nos marcos de um debate programático mais elevado, mais ainda pela total falta de projeto alternativo ou que pudesse efetivamente se diferenciar, a opção foi reduzir e insuflar uma campanha que beirou ao ódio aos temas relacionados aos costumes.

Esta campanha muito lembrou a sucessão Clinton nos EUA em 2000, em que Al Gore, representante do governista, enfrentou um dura campanha difamatória, com estes temas moralistas, em particular o comportamento sexual de Clinton. A agenda política foi esquecida e num movimento esquizofrênico patrocinada pela Direita “pentecostal” levou Bush Jr a “ganhar” a eleição no Supremo.

Aqui a tentativa de tornar público o passado de Dilma para demonstrar que ela fez a luta armada, que era terrorista, combinada com a necessidade de dizer que ela era um “poste”, que seria manipulada por José Dirceu, por Lula, como se uma Mulher não fosse capaz de assumir o poder e dirigir o destino do país. Criou-se um caldo de cultura reacionário, apelativo, que muitas vezes fez submergir velhas forças de extrema-direita que sempre existiram em SP, mas que estava condenada ao gueto. A velha TFP, que auxiliou o Bispo de Guarulhos, com seus panfletos absolutamente vis, não por acaso impressos numa gráfica de membros do alto comando do PSDB, não deixam dúvida de onde partiu e se incentivou este caminho. É o que chamo de abrir a “Caixa de Pandora” do ódio, preconceitos regionais e de posições sobre sexo, aborto e vida.

Efetivamente estes temas que não deveriam ser o centro do debate político tomou proporções inesperadas e foi usado como arma constante pela candidatura Serra.  A tática do medo, do desprezo, desrespeito por Dilma foi um dos aspectos mais odioso desta campanha”. (  publicado em Debate pós-eleitoral: não a agenda “Mico” 16/11/2010)

0 thoughts on “Conjuntura Política 2012”

  1. A foto do Roberto Stuckert Filho mostra ao fundo o avião presidencial quase como um título: República Federativa do Brasil
    O Serra deve ter dobrado a dose de seus remédios ao ver essa foto.

  2. Como uma pessoa tão inteligente como vc.cai numa armadilha rudimentar. MENSALÃO não te lembra nada? Defender corruptos e ladroes como.os PTratralhas é algo inconcebível. Vc vive no Brasil? Tomou conta dos movimentos populares que pipocam por varias cidades do pais? Sinto muitissimo por ter lido um artigo tão infeliz.

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