Flamenco Árabe

 

Na última semana publiquei aqui sobre minha Inaptidão Musical, eis que meu amigo Sergio Rauber fez um belo comentário, que foi uma verdadeira aula e me chamou bastante atenção para um ritmo musical:

“Há muito tempo atrás, mais ou menos enquanto criavam uma poderosa mitologia, os gregos procuraram facilitar o aprendizado da música estabelecendo os famosos “modos” musicais que hoje denominamos escalas jônia (maior), dórico(menor), frígio, lídio, mixolídio, eólio e lócrio. Quase ninguém “inova” nisso até J. S. Bach, digo “inova” entre aspas porque ao mesmo tempo em que os modos gregos se tornavam o padrão musical de uma civilização, muitas outras formas de música habitavam o nosso mundo. As escalas musicais indianas, o cantar dos mujaidins árabes não são descritos por estes modos gregos, por exemplo. Tampouco as canções lakota dos nativos ameríndios”. ( Comentário ao post – grifo meu)

Este comentário aguçou minha curiosidade e pesquisando sobre os cantos árabes, busquei no Youtube, acabei descobrindo ritmos e sons arrebatadores feito sob influência árabe na Espanha, fiquei encantado, uma música vai puxando outra, acabei achando um filme “Vengo”, de Tony Gatlif, argelino de origem cigana, que conta a estória de ciganos, com muita música flamenca e depois o que chamam de Flamenco Árabe.

Imagem de Amostra do You Tube

Reparem no trecho que entra Sheik ahmed Al Tuni num ritmo chamado Sufi Music, é de tirar o fôlego a musicalidade que ele tira de um copo, depois das contas de uma espécie de terço, além da poderosa voz, uma coisa linda demais. A bailarina que dança ricamente vestida. Depois numa espécie de cantina a voz maravilhosa de uma cantora e um violão tocando um canção Sevilhana.

Imagem de Amostra do You Tube

Ou a cena de uma festa cigana na praia, aqui vem a lembrança do cantor flamenco Camarón de la Isla, na voz dos que cantam. E reparem na beleza da dança das moças que estão na festa e vão ao tablado improvisado.

Imagem de Amostra do You Tube

Depois descobri uma dupla de gêmeos turcos a belíssima Öykü e  Berk Gürman, voz e violão, sedutores a língua estranha, que fascina nos versos quase a chorar, um misto de melancolia e festa. A alma do oriente, do outro lado do Bósforo que pouco sabemos e conhecemos, nos convida a viver outras experiências.

Imagem de Amostra do You Tube

Descobertas que engrandecem o coração, abre nossas mentes para outras culturas, cheia de sons, sentidos e amor, fora da zona “ideológica” dos ocidentais. Uma Espanha que respira o passado Árabe, uma Turquia que nos mostra seus versos e vozes, este é o mundo, por que dividi-lo?

7 thoughts on “Flamenco Árabe”

  1. Obrigada pelas informações. Acabei de descobrir os irmãos Öykü e Berk Gürman e estou apaixonada. Escuto todos os dias este vídeo. Vou ver o filme Vengo hoje mesmo, já o encontrei. Minha alma canta essas canções. Muito obrigada.

    1. Isamar,

      Segue:

      Evlerinde lambaları yanıyor
      The lights are on in their house
      Gözgöz olmuş cigerlerim kanıyor
      My heart* is poundering bleeding
      Beni gören deli olmuş sanıyor
      THose who see me think I might have gone mad
      Ölürümde ayrılamam yar senden
      I can die but not give up on you my darling

      Aman bir bahçeye giremezsen
      If you cant enter a garden
      Durup seyran eyleme eyleme** …
      Dont stand and watch…
      Aman bir binayı yapamazsan
      If you cant build a building
      Yıkıp veyran eyleme …
      Dont wreck it completely… (again old turkish)
      Aman bir güzeli sevipte alamazsan
      If you love a beautiful woman but cant be with her
      İsmini aleme rüsva eyleme …
      Dont name and shame her…

      Evlerinin önü boyalı direk
      There is a painted pillar just outside their house
      Yerden yere vurdun sen beni felek
      The fate made me suffer alot
      Her acıya dayanamaz bu yürek
      This heart (of mine) cant bear all pain
      Ölürümde ayrılamam yar senden
      I can die but not give up on you my darling

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