Crise 2.0: Europa é Alemã II

 

 

Reichstagsgebäude in Berlin: Deutschland hält sich wacker in der Krise

 

“Se é agra a vitória,

a glória é sem par”.

(Fausto – Goethe)


Ontem, em mais um artigo da série Crise 2. 0, falei que o desastre da Europa significava por outro lado o auge do poder da Alemanha ( Crise 2. 0: Europa é Alemã! ). Eis que hoje deparo-me com um artigo da Der Spiegel que confirma exatamente o que venho batendo: Crise na Europa, a Benção da Alemanha ( por Stefan Schultz) , é importante verificar que partimos de entendimento comum do que se passa na Europa.

Vamos repassar alguns trechos do que ele escreve no artigo :

“Zona do euro irá se afastar mais e mais. Itália e Espanha pagaram por seus empréstimos a juros altos, para continua a pagar os investidores e ter ainda dinheiro para tornar a sua dívida com eles.  O mesmo com a exportação e mercado de trabalho e a síntese é: Muitos países da UE sofrem, a Alemanha tem se beneficiado”.

 

A abertura do artigo resume os termos que venho tratando, os demais países da Europa entram em mais dívidas para continuar a receber “fichas no cassino”, estas dívidas se tornam um buraco sem fundo, os juros (“prêmios”) para rolar as dívidas são mais altos e os prazos mais curtos, impedindo qualquer fôlego. No sentindo oposto, a Alemanha, lança títulos a juros baixíssimos ou até negativos, como os de segunda, 3,9 Bilhões a juros negativos de 0,001. Schultz brinca no artigo dizendo “É o sonho de todo devedor: Você vai a um banco e pede um empréstimo. A resposta é: “Claro, minha querida. Por favor, certifique-se de pegá-lo e, você sabe o fim de tomar o nosso dinheiro e sim, mesmo que nós pagamos por isso !.?”.

Os investidores não são “bonzinhos” mas a aposta na Alemanha é uma certeza que ela usará de sua força política e econômica para que os outros países paguem, ou se submetam aos ditames dos “mercados”. Mas a perversa situação reflete uma questão pouco explorada, os limites do próprio Euro.  Voltemos ao que nos diz o articulista da Der Spiegel.

“Muitos países da UE sofrem, os benefícios são da  Alemanha – esta é atualmente uma regra da crise euro. Parece cínico, mas é verdade: Enquanto a crise reduz o crescimento econômico neste país, mas há também uma série de mecanismos de crise, em que a Alemanha ganha à custa de outros estados para alguma coisa.Enquanto houver na zona do euro, um grande crash, este mecanismo mitiga os efeitos da crise na própria Alemanha”.

Sim, é um círculo vicioso, quanto mais crise há nos outros países, mais a Alemanha se beneficia. O desemprego na Europa fechou em 10,3 %, enquanto na Alemanha em torno de 7%. Em comparação para 82 milhões de alemães há 3 milhões de desempregados, enquanto que há 4,5 milhões de desempregados para 45 milhões de espanhóis. Potencialmente catastrófico.

Na Espanha há grandes protestos contra o desemprego, do lado alemão há uma crescente entrada de jovens qualificados vindos do sul, o que azeitas  mais ainda a sofisticada economia alemã. Houve aumento em 84% de gregos pedindo visto de trabalho no primeiro semestre de 2011, a entrada de estrangeiros chegou a 435 mil, 19% a mais no ano passado. A atração é irresistível, solidez econômica, emprego e oportunidade. Para empresas, mão de obra qualificada e salário menor.

A própria crise do Euro, com a perda do “valor” da moeda, ajuda as empresas alemã a exportarem para o mundo, mesmo com a queda na exportação interna na Europa, mas ela significa 40% do total, para outros países os produtos da Alemanha estão mais baratos, favorecendo sua grande balança comercial e seu comércio mundial. As exportações cresceram impressionantes 83% apenas em 2011.

Ainda hoje a agência Dow Jones informa que “o Produto Interno Bruto (PIB) da maior economia da zona do euro aumentou 3,0% “. Mais ainda que ” ritmo da expansão deverá, no entanto, se desacelerar neste ano, à medida que a demanda global diminuir e os planos de austeridade induzidos pela crise afetarem boa parte da Europa. Em dezembro o Bundesbank (o banco central do país) afirmou esperar que o crescimento econômico alemão se desacelere para 0,6% neste ano, assumindo que não haja um maior aprofundamento da crise de dívida soberana europeia. Porém as contas se equilibraram enormemente: “O déficit no orçamento do setor público da Alemanha diminuiu para 1,0% do PIB em 2011, em comparação com 4,3% em 2010, ficando dentro do limite da União Europeia, que é de 3%”. ( Dow Jones).

Não resta dúvida quem é quem na Europa, neste novo desenho da economia mundial, Alemanha se desloca da Europa, ou melhor Europa se submete ao poder daquele país, parece inexorável.

 

 

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

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  1. Os países Latinos tem que aprender de uma vez por todas que tem que investir mais em educação, em pesquisa & desenvolvimento e inovação. Tem que distribuir melhor a riqueza, aumentar a produtividade e a qualidade de seu trabalho e produtos. Tem que aprender a POUPAR, a INVESTIR e a PLANEJAR A LONGO PRAZO. E, principalmente, que o futuro pertence aos mais preparados e que os países de cultura anglo-saxão só trocaram a guerra e a dominação direta porque a longo prazo poderiam exercer uma dominação mais duradoura, segura e lucrativa pelos meios econômicos. LIBERTA PER SE

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