Crise 2.0: os novos vassalos

 

 

 

A última semana foi cheia de novidades no mundo que se aprofunda mais na Crise 2. 0 os lances mais ousados foram sem dúvida os dos EUA que aproveitando a situação da Zona do Euro reinseriu o dólar como moeda de sustentação mundial, com dupla carga que lhe favorece: A) Desvalorizando-a, tonando mais competitivo; B) Lançando títulos soberanos como porto mais “seguro”.

Pelo lado europeu, o pequeno Sarko fez estardalhaço numa coletiva, propondo “Refundar”a Europa, mas como diz Gilles Lapouge:“presidente francês há alguns meses vem tendo o hábito de salvar a Europa a cada 15 dias”. Ainda, segundo o colunista do Estadão, Sarkozy  “proferiu um grande discurso trágico” se apresentando como o “novo” fundador da Europa, mas o que disse ele? “Absolutamente nada. Ou melhor, disse que se encontrará na segunda-feira com a Chanceler Merkel. Aliás, foi por isso que não pôde anunciar nada sobre a Europa”.

Merkel por seu turno, a grande dama, já deixou bem claro, está na hora da Europa ter regra de convivência, não pode mais aceitar que os países simplesmente ignorem os tratados (será que vale para Alemanha???). Prometeu que segunda, junto com seu sócio minoritário fará uma dura proposta para Refundar o Euro.

 

O Telefone da Europa

 

O delicioso artigo de Gilles Lapouge do sábado tem o sugestivo título: “O telefone da Europa”, deveria ser lido e comentado por nós que acompanhamos a atual Crise, muito do escreve de forma sintética venho comentando aqui nesta série, vamos reproduzir alguns trechos:

 

“Há alguns anos Henry Kissinger, então secretário de Estado americano, lamentou que “a Europa não tem um número de telefone”. Hoje estaria satisfeito. A Europa tem um número de telefone: o da chanceler alemã, Angela Merkel. Da Grécia a Dublin, do Fundo Monetário Internacional (FMI) à Letônia, de Washington a Roma, todos os que estão em pânico neste momento diante da perspectiva de um fracasso da zona do euro, estão vigilantes à fisionomia, os sorrisos, os trejeitos e o olhar de uma única pessoa: Angela Merke”l.

 

Aqui ele evidencia o papel mais do que central que hoje cumpre a Alemanha na Europa, a voz efetiva daquelas economias do velho mundo é de Angela Merkel. Ele demonstra como a situação evoluiu rapidamente para esta posição única.

Esta é uma situação inédita. Outrora era Paris que dava o tom da conversa. Depois, Berlim e Paris em conjunto. Há um ano, e para evitar o naufrágio do euro, as duas nações mais ricas do continente, França e Alemanha, assumiram o leme do navio. O duo Sarkozy-Merkel escamoteou as instituições da União Europeia em Bruxelas, assumindo as decisões e as comunicando aos demais Estados-membros, que ficaram exasperados por isso. Referências eram feitas ao “duo” franco-alemão, ao “casal franco-alemão”.

“Há algumas semanas, a dupla evoluiu. O duo foi substituído por uma bizarra equipe composta de um ator apenas – Angela Merkel – e um “figurante inteligente” – Nicolas Sarkozy. Quer se trate de nomear o novo presidente do Banco Central Europeu (BCE), apoiar o primeiro-ministro italiano, recorrer ao eurobônus ou lançar uma reforma dos estatutos da União Europeia e da zona do euro, a decisão cabe agora, em última instância, a Merkel”.


O que no fundo realmente demonstra é que o bloco europeu hoje não passa de um quintal alemão, a fragilidade dos demais países se tornou imensa, por outro lado a fortaleza alemã se solidificou mesmo na crise profunda, a principal economia se tornou mais robusta, com dados positivos de crescimento econômico e até de emprego.

A França vai semana a semana assumindo um papel secundário, mas muito importante no quebra-cabeça europeu, tenta fazer um meio de campo para que a Europa não se torne apenas um estado alemão com seus vassalos locais, mas a cada dia parece não ter forças para resistir, voltemos ao texto.

“Em resumo, Angela Merkel deseja uma Europa não intergovernamental e indulgente, como a de Sarkozy, mas uma Europa federal e forte, implacável, feroz, uma Europa virtuosa como uma Alemanha.

É por isso que a chanceler da Alemanha rejeita aqueles que, como Sarkozy, gostariam que o BCE, renunciando à sua autonomia em relação aos governos, pudesse fornecer aos Estados falidos recursos para poderem pagar suas dívidas, mesmo que isso possa relançar a inflação em toda a zona do euro.

E essa possibilidade, Angela Merkel, ortodoxa e austera, recusa”.


Estes senhores, a despeito dos outros 25 membros do Bloco Europeu, hoje se reúnem para definir o que querem dos outros: parece bem claro – VASSALAGEM, no melhor estilo feudal.

 

 

0 thoughts on “Crise 2.0: os novos vassalos”

  1. Mal posso esperar pra ver o que vai sair dessa reunião, mas uma coisa é possível antecipar, graças a você: der Führer vai ditar os passos, um a um. Esses colunistas todos só repetem o que vc vem dizendo há semanas! A sorte é nossa, que acompanhamos!

  2. A Europa e seus cidadãos não tem nenhuma saída,
    senão implodir a Zona do Euro e mandar a conta para Berlim,
    ou isso ou afinal Hitler ganhou a guerra.

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