Sócrates, Dez Anos depois!


Sócrates e a Democracia, um ícone.

Dez anos depois, parece que foi ontem, naquele domingo de manhã surgiu a especulação sobre a morte do Dr. Sócrates, um dia de clássico, em que o Corinthians se sagraria campeão brasileiro.

Sócrates mais do que um gênio da bola, era um cidadão, um homem da política, das grandes causas, um ícone da defesa da Democracia, que levou à Democracia aos campos, aos vestiários, um personagem tão grande como sua estatura imponente, de uma figura magra e frágil. O que me faz lembrar Maradona, gênios em campo e fora dele, mas com tragédias pessoais e que se foram tão cedo.

É quase impossível dissociar a Democracia Corinthiana, da imagem de Sócrates, a figura que foi uma das  mais lúcidas e vibrantes porta-vozes. Ele jamais aceitou as visões autoritárias de técnicos e esquemas do futebol. Os parceiros de campo como, Wladimir, Casagrande, Zenon, e o querido amigo Adilson Monteiro Alves, mudaram a visão de jogador e de futebol como ópio do povo.

Sócrates foi um grande jogador, mesmo jogando no meio de campo é um dos 10 maiores artilheiros da história do Corinthians, campeão, líder em campo, a sua forma cerebral de jogar, aparentemente frio, no início não era compreendida pela torcida, depois virou um dos maiores ídolos do Corinthians, uma idolatria que se renova a cada ano.

Os mais novos não imaginam o que é um jogador de um clube de massas, de repente passar a falar de política, em plena ditadura e lançar uma plataforma de liberdades, Democracia Corinthiana, participar ativamente do movimento pelas Diretas Já, subindo em palanques, comícios, em shows de artistas, levando faixas aos gramados.

O Dr Magrão já se destacara no Botafogo de Ribeirão Preto por jogar e fazer faculdade de medicina, uma coisa rara, mesmo hoje. Um acerto dele com os dirigentes faziam com que ele apenas se apresentasse nos dias de jogos e treinos, permitindo que ele concluísse um curso dificílimo como Medicina.

Quando estava tudo certo entre Botafogo e São Paulo para que Sócrates fosse jogar no Morumbi, o lendário Vicente Mateus vai até Ribeirão Preto e procura diretamente o jogador e o convence que seu lugar é no Corinthians, que recém saíra da fila, mas que carecia de um grande ídolo como fora Roberto Rivelino. Ele acertou em cheio.

Sócrates chega em 1978 ao Corinthians e faz dupla com Geraldo, depois com Palhinha e é campeão paulista em 1979, que na verdade termina em 1980, numa joga de mestre Vicente Mateus se opões as semifinais em rodada dupla adiando-as para ano seguinte.  Mas a grande mudança mesmo acontecerá em 1982.

A Democracia Corinthiana: A Revolução do Parque São Jorge

 

O Corinthians já tinha experimentado uma primeira revolução democrática com o surgimento da Gaviões da Fiel em 1969, que nasceu como forma de combater Waldih Helu, presidente do time e um dos comandantes da Arena o partido da ditadura. Com os métodos do regime perseguiu torcedores com repressão aberta e cacetetes policial. Alguns membros fundadores da Gaviões foram vítimas do regime militar.

(Anistia Ampla Geral e Irrestrita )

Esta centelha de clube/torcida contestador, terá grande desdobramento no começo dos anos 80.  Depois de péssimos resultados em 1980/81 caiu a gestão Mateus e sobe Waldemar Pires, o sociólogo Adilson Monteiro Alves vira Diretor de Futebol, em abril começa uma pequena revolução de costumes no futebol brasileiro: A Democracia Corintiana. Em plena ditadura, quebrou paradigmas, time era bom demais, ganhava títulos, tinha compromisso social e político. As decisões do futebol eram discutidas e votadas pelos jogadores, comissão técnica, roupeiro, massagistas.

 

Sócrates, Vladimir, Zenon, e o jovem Casagrande, eram os maiores expoentes da Democracia Corinthiana, fruto das célebres greves do ABC, movimento pela anistia, o país começava a respirar novos ares pelas liberdades e um dos maiores times de massa, no estado mais rico do país entra em plena sintonia com este momento, as célebres mensagens nas camisas, ou faixas carregadas na entrada ao gramado pedindo, por exemplo, Diretas já ou Eu quero votar para Presidente, ou ainda o lema do time: “Ganhar ou perder, mas sempre com Democracia” foi revolucionário demais.

Os gols de Sócrates comemorados com punho cerrado, símbolo da esquerda, da necessidade de se insurgir contra os milicos, festa da Democracia, aqueles tempos de 1982 a 1984 foram os mais importantes da história do Corinthians, o time foi capaz de galvanizar o sentimento social e o Doutor Sócrates com sua maestria e genialidade se tornou um líder natural. A participação dos maiores ídolos do Corinthians nos comícios das Diretas Já, a faixa prendendo os cabelos de Sócrates até me emociona, quase leva às lágrimas.

Esta liderança de Sócrates o levou a ser capitão da maior seleção brasileira de todos os tempos, o time comandado por Telê em 1982, jogava por música, eram craques do 1 ao 11, e tinha pelo menos três gênios no meio de campo: Falcão, Zico ( o maior deles) e Sócrates. Os deuses do futebol não permitiram o título mundial, mas jamais esqueceremos os seus feitos.

 

Sócrates, Presente, Hoje e Sempre!!!

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