Arnobio Rocha Filmes&Músicas Viajando com Gil

2402: Viajando com Gil


A Família Gil em turnê, talento, beleza e trocas intensas de sentimentos.

Não adianta nem me abandonar
Porque mistério sempre há de pintar por aí
Pessoas até muito mais vão lhe amar
Até muito mais difíceis que eu pra você
Que eu, que dois, que dez, que dez milhões
Todos iguais
(Esotérico – Gilberto Gil)

O documentário sobre Gilberto Gil e sua família, já resenhado nesse post (Em casa com Gil), teve uma majestosa continuidade, a turnê da família toda pela Europa (e Marrocos, norte da África), um projeto incrível de 36 dias e 15 shows, Alemanha, Dinamarca, França, Suíça, Itália, Espanha, Eslovênia e Inglaterra, quase todos os trajetos feitos de ônibus, quase um road movie.

Ora, na temporada I (Em casa com Gil) me remeteu aos encontros de minha numerosa família, especialmente na fazenda do meu avô paterno, em julho, dia 26, dia do avô, era o aniversário dele, então os 13 filhos e suas famílias, iam viver uns dias juntos, em volta dele, mesmo depois que ele partiu, em 1990 (já não morava em Fortaleza), eles mantiveram essa tradição, com a pausa pandemia, alguns filhos já se foram, a prole cresceu e os netos não seguem tanto.

Obviamente são dimensões distintas, mas como diz Gil, a família é uma instituição, as mais diversas formas delas existirem, se celebram, brigam, se abraçam e vivem por vários instantes, em memória dos que passaram e dos patriarcas e matriarcas, quando vivos.

Nessa nova temporada, fabulosa, a família Gil não só sobe aos palcos, todas e todos, mas conviveram em hotéis, grandes deslocamentos de ônibus, o cansaço, os compromissos de uma agenda apertada e dura, ensaios, Gilberto Gil com 80 anos e Flora Gil, comandando filhos e filhas, noras e genros, netos e netas, até bisnetos. Uma farra, mas muito profissionalismos, conflitos, alguns perrengues, mas uma viagem/turnê icônica.

Isso me emocionou profundamente, lágrimas e lágrimas de choro, de saudades, de sentimento bons, de redescobrir músicas e entender o ser, o avatar, Gilberto Gil, sua força e serenidade, um sorriso e uma calma que desarma qualquer um, mas quando precisava, usava do privilégio de sua autoridade para dizer por onde ir e por que ir em frente.

Novamente, vem minha família à mente, o núcleo mais próximo, dos meus pais, que entre 2011 e 2014, fizeram uma longa turnê de despedida (inconsciente) do nosso pai, Pedro Rocha, meu cunhado, José Francisco, de certa forma, da minha filha Letícia e do meu amado sobrinho, Juninho.

Eles passaram a viajar muito, em grupos grandes, entre 12 e 21 pessoas, foram para Belém, 2011, depois, em setembro de 2012, para os 15 anos da Letícia. Na copa, 2014, minha família foi para SP, 19 pessoas, Alugamos uma Van, fomos para Aparecida do Norte, depois Campos do Jordão, em seguida São José dos Campos. Além dela, meus dois carros, uma farra maravilhosa, foi a última vez que saímos todos.

Inesquecível, falem o que quiser, mas os governos Lula e Dilma, trouxeram bonança, viagens, dignidade, reencontros, todos tiveram chance de viajar de avião, de ficar bons hotéis. Nossa família migrou, no começo dos anos 80, para Fortaleza, periferia, dureza. Porém, ali, em 2014, todos estavam bem, inclusive de saúde. Em 2014, foram por prazer, quase uma despedida para alguns. Meu pai se foi em 2016, meu cunhado, em 2017, Letícia em 2018 e meu sobrinho ano passado.

A emoção de ver esse documentário é recortar parte de nossas vidas, identificação, longe de mim comparar as “turnês”, mas em essência, é o mesmo sentimento, todos em volta dos nossos pais, filhos e filhas, noras e genros, netos e netas, e, naquela um bisneto.

É uma minissérie leve, para cima, muita arte, talento e o prazer de ouvir Gilberto Gil, cantando ou contando histórias (essa parte identidade com meu pai), é um dom de sabedoria dos mais velhos, que tanto nos encanta, será que teremos essa oportunidade?

A terceira temporada, a turnê pela Ásia e Oceania, está em curso.

Viva a família Gil!

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