Arnobio Rocha Literatura A Resistência da Livraria Martins Fontes e o Fim das livrarias e dos livros!

2265: A Resistência da Livraria Martins Fontes e o Fim das livrarias e dos livros!


A bela livraria Martins Fontes resiste na Paulista.

A Avenida Paulista é a mais importante avenida de São Paulo, entre as mais importantes do Brasil. A Paulista foi eleita um dos símbolos da cidade, seus prédios e calçadas largas, destacam-se, em grande relevo o MASP, a sede da Gazeta, a Casa das Rosas, entre tantos outros, o que dá a dimensão da sua história, não apenas pelas sedes de bancos, empresas e da FIESP.

A Paulista é também símbolo cultural da cidade, os museus, os centros culturais, os institutos, os teatros, os cinemas, além de seus bares, restaurantes, botecos, até dois parques ela abriga e a praça das ciclistas, sua ciclofaixa pioneira e as suas calçadas largas permitem mesas e todo tipo de comércio e interações, o que gera um ambiente especial e único na cidade.

Não obstante a tudo isso, a Paulista vem empobrecendo com o fim das livrarias, grandes e pequenas, tanto as de lojas, quanto as de shopping, praticamente todas fecharam, numa rapidez impressionante. Belas Artes, FNAC, Saraiva e Cultura, apenas a Martins Fontes, que era basicamente jurídica, sobrevive, não se sabe até quando, nesse ritmo.

A Livraria Martins Fontes mantém um ambiente de antigas livrarias, passagens e prateleiras, com o cheiro dos livros, as escada de caracol, dão charme à subida e descida. O excelente café Mestiço com seus doces, bolos e café, atraem público dos escritórios, que eventualmente entram pelo café, mas é impossível ficar indiferente ao cheiro e sabor dos livros.

Essa crise das livrarias tem vários fatores, como os econômicos, sociais, políticos e culturais. O desprezo à Cultura é o mais evidente, que se materializa em primeiro plano pelos altos preços dos livros, o custo proibitivo da cadeia produtiva, os impostos e nenhum incentivo para tornarem mais acessíveis ao público em geral, o que não cria uma geração de leitores e consumidores.

Tem a questão tecnológica como as vendas de livrarias virtuais, os livros em formato digital, a falta de atrações dos ambientes físicos, até mesmo a localização que se torna restrita. Talvez aproximar os dois mundos num mesmo espaço, para que possa atrair os vários leitores, fazer valer o encanto e a magia de se abrir um livro.

A responsabilidade pública é do Estado, mas também do ente privado, para criar um ambiente de negócios sustentável e de compromisso com a cultura, com a leitura, a educação e do lazer.

Andar pela Paulista e não ter livrarias é um desastre, uma tristeza, é perder um dos maiores prazeres que ela proporcionava, nesse sentido, é maravilhoso que a Livraria Martins Fontes resista ali, firme e bela.

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