Ditadura: A ajuda dos padres aos exilados na Europa


Monsenhor Assis Rocha fala sobre o acolhimento de brasileiros exilados da Ditadura militar.

Assisti emocionado ao programa “Diálogos pela Democracia“, com o tema: Sobrevivência de cearenses no exílio e apoio à luta pela anistia, apresentado por Francisco Leunam Gomes, com o Monsenhor Assis Rocha (meu amado tio) e com o médico João de Paula Monteiro Ferreira. 

O Monsenhor Assis e João de Paulo se tornaram amigos nos de 1970 na Alemanha. O Monsenhor Assis e um amigo, Padre Zé Maria, estudavam no Colégio Pio Brasileiro, em Roma, montaram uma rede de acolhimento aos exilados da Ditadura Civil-Militar, aos brasileiros na Europa, começaram com uma celebração de Natal, em 1973, em Paris e depois fizeram um importante trabalho com esses exilados.

Num desses encontros, fizeram amizade com João de Paula e sua ex-companheira, Rute, que viviam na Alemanha, antes tinham se exilado no Chile, com o golpe foram acolhidos pela ACNUR (ONU) e conseguiram sair do Chile para morar na Alemanha.

Eles contam histórias saborosas sobre a rede de comunicações paralela que estabeleceram, com a ajuda de D. Hélder Câmara, D. Francisco Astregésilo, D. Antônio Fragoso e outros bispos e padres que levavam fitas (de rolo) com mensagens de suas organizações e/ou de parentes, que demoravam até dois meses do Brasil à Europa, além de comida brasileira, ingrediente, cachaças, doces ou muitas vezes apenas palavras de carinho e voz.

No programa entre muitas histórias, o Monsenhor Assis contou sobre os contatos que teve com Frei Tito Alencar e a defesa dele dentro da própria igreja em Roma.

São lembranças de um homem lúcido com quase 82 anos, com ricos detalhes, que defendeu os brasileiros na Europa e no Brasil. Falou da imensa coragem de Dom Helder nos enfrentamentos com a Ditadura e as artimanhas para proteger os “comunistas”.

Uma aula de história, humanismo, a importância da Igreja e de padres na luta pela Democracia no Brasil e trazer ao debate no momento em que se tenta relativizar a Ditadura e a tortura, como se nem tivesse acontecido.

Vale assistir.

 

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