Pink Floyd e meus anelos culturais.


O genial Pink Floyd por 40 anos me acompanha.

Every year is getting shorter
Never seem to find the time
Plans that either come to naught
Or half a page of scribbled lines (oh, oh)

Descobri o Pink Floyd há quarenta anos, estava mudando do interior do Ceará para Fortaleza, era um garoto, de uns 12 para 13 anos, não entendi nada, meus primos da capital, ouvia uns LPs do Led Zeppelin, Pink Floyd, um deles era um exímio desenhista e reproduzia as capas, ou criava algo sobre elas e aquelas músicas estranhas.

Um pouco mais tarde, uns dois anos depois, já no ambiente da Escola Técnica Federal do Ceará (ETFCE), voltei a ter mais intenso contato com o Pink Floyd, começava a fazer sentido, nem imaginava que o grupo tinha acabado, ou se dividira por aquela época.

Ouvia as músicas, entendia o contexto, tão distante de minha realidade da periferia de Fortaleza, parecia mais sofisticado, pelo meu bairro, o que rolava nos bailinhos era o “black”, James Brown, Afrika Bambaataa, Kurtis Blow, uns pops de Michael Jackson, Madonna. Muito Raul Seixas, Tim Maia, era o que mais rolava.

No outro ambiente, da ETFCE, uma classe média (média) mais refinada, estava ouvindo Pink Floyd, MPB, Pessoal do Ceará, Elomar, Xangai, Caetano, Gil, Mutantes. Fui aprendendo, abrindo a mente para tantas coisas novas, isso unia minhas perspectivas literárias, regionalismo brasileiro, nordeste especialmente, Jorge Amado, José de Alencar, Graciliano Ramos, Raquel de Queiroz, Machado de Assis e Érico Veríssimo.

Numa terceira descoberta do Pink Floyd, já morando em São Paulo, começou do anos de 1990, a solidão militante de quem perdera tudo, queda do muro, fim do grupo político, sem amigos, conhecidos, trabalhando numa empresa japonesa, viajando constantemente, um “walkman” com as fitas k7 do grupo passaram a ser a minha companhia, meu desafogo.

Por essa época, Pink Floyd, os discos psicodélicos, experimentais, não apenas os “clássicos”, eram minha trilha sonora enquanto devorava Dante, Shakespeare, Boccaccio, Homero, Camões, Gil Vicente, Cervantes, os gregos teatro e tragédias, depois vindo aos séculos mais próximos, Goethe, Molière, Balzac, Victor Hugo, Dostoievski, Tolstói, Pushkin, Gogol.

Era comum saborear essas leituras enquanto ouvia a velha banda, era a maneira de conhecer tantas coisas boas, tudo ao mesmo tempo.

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