Amor à língua portuguesa


A amada língua portuguesa e sua fortaleza cultural.

E aqui, trem das cores, sábios projetos: Tocar na central
O céu de um azul, celeste celestial!
(Trem das Cores – Caetano Veloso)

De vez em quando preciso declarar meu amor à nossa língua, o Português, com sua enormidade de palavras e sentidos. A beleza de encontrar velhas palavras, garimpadas ao acaso, por um vício antigo de ler dicionário, hoje tão mais difícil com os meio digitais, antes, um simples folhear, encontrava uma série de palavras “mágicas”, que pareciam dar sentido ao dia.

Hoje, li um pequeno tweet do querido companheiro Lênio Streck em que ele usa duas palavras linda, como alternativa, ao adjetivar nosso velho imigo, Sergio Moro, com: Inépcia ou Inópia, já lhe respondo, fico a a segunda qualificadora, lhe cabe melhor, o sentido é mais apropriado e não deixa dúvida quanto à condição jurídica e caráter.

Ora, Lênio Streck, o grande jurista (e grande goleiro) gaúcho com sua vasta cultura, tem me ensinado muito, não apenas no Direito, mas com essas palavras essenciais que tanto me encantam, seus textos cheios de humor refinado, uso apropriado de cenas literárias, típico dos que realmente “queimara pestana” para ler os grandes clássicos e cita-os para que nos aproximemos deles, não para intimidar ou por mera vaidade.

Letícia, minha filha, adorava palavras ou expressões, e dizia que quando as descobria cuidava de usar em seus textos, redações, uma dessas, foi “não obstante” que ela usou na sua redação da Fuvest, orgulhosamente me mostrou o texto e como coube tão bem o uso da expressão, realmente ficou muito bem colocado, o que lhe rendeu pontos para sua aprovação.

As palavras têm poder de sedução em nossas mentes, muitas delas, ficam escondidas para os eruditos, estudiosos, uma dinâmica própria nos mais variados idiomas. Conhecer bem nosso idioma pátrio é uma obrigação e uma forma de afirmação cultural, soberania e respeito ao país, sem desprezar o aprendizado de outros idiomas, que são importantes para toda a vida.

O idioma português é extremamente rico, há palavras precisas, que definem situações e sentimentos, mas também é flexível e dinâmico, quando uma mesma palavra é usada em vários casos e criam uma poesia própria, uma beleza sem fim, uma sensualidade e a capacidade de exprimir tantos sentidos secretos e belos.

A franja da encosta cor de laranja, capim rosa chá
O mel desses olhos luz, mel de cor ímpar

A canção Trem das Cores, Caetano Veloso, traz uma série de referências de cores, gestos, corpos, que de tão bela é um delírio de sabores e amores, é a transformação de palavras de um idioma pungente e que permite tantas viagens.

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