O Brasil Sacana

O País que se sabota porque é legal dar errado.

“Quanta gente aí se engana
E cai da cama
Com toda a ilusão que sonhou
E a grandeza se desfaz”
(Pecado Capital – Paulinho da Viola)

É preciso saber que somos o suprassumo da calhordice, já dizia nossa primeira carta, escrita por Pero Vaz Caminha: “Nessa terra, tudo que se  planta, dá”.

Os fundadores, os portugueses, cedo perceberem que o negócio por aqui era só espoliar, nada de pensar no futuro, levar o que desse, exportar de lá o que não prestasse.

Inclusive a fugitiva família real aportou aqui com o peso de suas fanfarronices, seus costumes de corte pequena e cheia de apaniguados, aspones e vícios, todos ávidos para serem servidos pela colônia perdida no Atlântico.

Partiram, mas na dúvida, deixaram um príncipe para tomar conta e ficar, “antes que um aventureiro” usasse a coroa. Entre muitas farras e diversão, ele próprio foi-se para a terrinha tomar posse da sede, deixando um herdeiro infante.

Nada foi sério no longo reinado de um dândi, eis que de repente um general lhe toma a coroa, criando um novo vício nacional, o da tutela militar, entre uma ditadura e outra, uns respiros de democracia.

A vida democrática aqui é sempre com medo, e criou-se um desejo, quase uma tara, por uma governabilidade, essa desculpa “republicana” para deixar como estar e ver como fica.

É impressionante como temos a capacidade de nos sabotar, parece que é melhor conviver com o fracasso ou na meia boca, pelo risco de sucesso, é pecado vencer.

De tantas contradições do nada ,de vez em quando algum filho (a) da terra ganha o mundo, um Santos Dumont, uma Maria Ester Bueno, um Guga.

Até um deus , como Pelé. Gênios como Garrincha, Zico, Sócrates, mas sempre haverá um 7 x 1, no entanto, sempre um pilantra mediático para nos lembrar que o mais importante é fracassar, pisar na bola, cair e farrear, sem demonstrar seriedade, apenas com “parças”.

Claro que tem um Noel Rosa, uma Maria Bethânia, a genialidade maior de Chico Buarque, de Tom Jobim, da Elis e do Cartola. Vozes divinais como as de Milton Nascimento e Tim Maia. Violões e bandolins de Raphael Rabelo, Jacob, Valdir Azevedo.

Entretanto caímos nuns esgotos tão nossos, como Figueiredo, Bolsonaro e Jânio, frutos daquela  caravela que trouxe Sarney, ACM, Ademar, Malufs e outros menos afamados.

Infelizmente descemos ao último estágio do inferno, porque gostamos do inusitado, como estas seitas neopentecostais, os extremistas religiosos, essa extrema-direita que baba e morde, vestidos de camisas falsas da CBF. Que conseguiram em pouco tempo apagar uma pequena possibilidade de sair do destino cruel.

A tragédia é transformada em memes, pois somos espertos e rir de nós é uma saudável forma de não querer sair do destino reservado pela coincidência da chegada de Cabral.

Ah, naus errantes cabralianas, depois os navios negreiros, por que aportastes aqui?

Que pesadelo.

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

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