Por que Bolsonaro não tem Limites?

A crise do Coronavírua veio para demonstrar o tamanho do estrago causado pela eleição desse inepto

A resposta é quase sempre: “Ele é Louco”. Outros sofisticam: “Ele é um sociopata”. Alguns vão além: “Ele se finge de louco para melhor passar”.

Sinto dizer, mas ele não é louco, esse conceito vago, além de preconceituosa, atrapalha a compreensão da enfermidade. Bolsonaro não é CID 10-F13, o que precisamos entender é que ele age com absoluta consciência do que faz, seu comportamento é uma vingança aos que o desprezavam, por anos a fio, na câmara federal, aquele deputado bufão, histriônico, quase folclórico que só aparecia por sua inconveniência ou atos sórdidos.

A trajetória monotemática, “defesa”, abstrata, dos militares, até estes não gostavam de associação à ele, pelos arroubos e modos, mesmo assim, na sua nula efetividade parlamentar, conseguiu construir uma marca, Bolsonaro,, que ajudou a eleger, Huguinho, Zezinho e Luisinho, digo, 01,02, 03, quase elegeu até uma das suas três ex-mulheres, e vai eleger o 04, com jeito, até a “fraquejada”, terá vaga.

Parêntesis, repete as elites políticas do país, que se tornam “donas” dos assentos do poder, Sarney e seus filhos, Fernando, Roseama  e Zequinha. ACM, com Luiz, ACM Jr e ACM Neto, os Ferreiras Gomes. A marca Covas, a família Tato, os Tumas. Como se todos fossem vocacionados ao Poder por relação sanguínea que o peso do sobrenome, cria uma “meritocracia”, esse mal que impede a renovação de ideias e de política.

Voltando ao Presidente, diria que ele age assim, porque sempre contou com conivência do congresso, com a incapacidade de enfrentamento, desleixo dos adversários. Suas falas defendendo ditadores, assassinos, torturadores no máximo lhe rendeu condenações pecuniárias ridículas e uma cusparada, do Jean Wyllis, nada mais, passou incólume, pois nunca representou uma ameaça concreta, nos 30 anos no parlamento.

Os ventos do país tinham mudado em 2013, para pior, não era apenas o questionamento do petismo, no governo, era aos políticos em geral. Uma crise da Democracia representativa, na sua maior expressão, a Política. As tais jornadas urdidas pelo Kapital, varreu o Egito, Ucrânia e o Brasil, o resultado é que a atividade política ficou vista quase como criminosa, aliás, a lava jato tratou de fazer o serviço sujo final.

“Apolíticos” foram eleitos num crescente, 2014, 2016 e seu auge seria 2018. Bolsonaro acabou encarnando essa “Negação” da Política. É como se essa maioria simplesmente desconhecesse quem era a figura, os seus maus modos, sua irrestrita coleção de bizarrices.

Bolsonaro galvanizou o apelo da antipolítica, mesmo sendo um dos mais medíocres políticos da história, incapaz de formular uma ideia coerente, aliás até nisso deu “sorte”, suas falas são coleções de pequenas formulações absolutamente de senso comum, elementar, o ajuda a ser “popular”, não apenas nos de baixo, mas na classe média e na burguesia, é palatável e compreendido pelo Lumpenzinato Político, verde-amarelo, CBF.

No governo, Bolsonaro, como se esperava, por não representar uma corrente política, preparada para governar, mas um amontoado de gente medíocre que se associou dele, quase todos, na última hora. Do juiz mediano ao economista abutre, passando pela fauna geral de Damares, Araújo, Weintraubs e tantos outros, sem deixar de contar todo aquele generalato que demonstra a baixa formação intelectual militar.

O que se assistiu nesse último mês é apenas a consequência da tragédia nacional. As falas cada vez mais distantes da realidade/necessidade do presidente diante do quadro gravíssimo mundial, acabam sendo didáticas, de alguma forma desperta um setor, envergonhado pelo que fizeram em 2018 e antes, como puderam aceitar que Bolsonaro e sua família chegassem ao governo, ainda se perguntam como.

Especialmente a mídia, todos eles foram fundamentais para essa cavalgadura, jamais enfrentaram as mentiras, as fakenews, os disparates da campanha difamatória e sem nenhum projeto de Bolsonaro, pois só interessava derrotar o PT. Assistir aos Mervais, Miriams, Camarottis da vida, criticando Bolsonaro, dá embrulho no estômago, assim como ler o Estadão, o jornal do editorial eleitoral “A Difícil Escolha”.

Por fim, não há mistério algum em Bolsonaro, ele é básico, é um “zé ninguém” que o Reich descreve na Psicologia de Massas, que pelo ódio e mediocridade, trata de impor pela força, seus mais baixos e íntimos instintos.

A responsabilidade por Bolsonaro é coletiva, dos de cima e dos de baixo, as instituições correm riscos por vontade própria, pois eleito o monstro, não pensavam que ele aceitaria um guizo, certo? Ele se torna mais faminto e quer mais poder e só pela força conseguirá.

O povo, é mero detalhe, “pelo menos tiramos o PT”.

 

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

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