As Redes Sociais Destruirão a Democracia?

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As redes sociais e a democracia em queda.

“Oh, da Poltrona” (Aragão, Renato)

O comediante cearense tinha esse bordão para se dirigir ao seu público cativo e passivo em frente à tv, no final de domingo, naquela hora “morta”, melancólica, da segunda que nos ameaçava.

Essa imagem, foi ultrapassada, rapidamente, em pouco mais de 20 anos, para um personagem ativo, o “da poltrona”, largou a TV, passou ao computador e celular e virou o “ativista digital”, com o surgimento e popularização/barateamento da internet e celulares.

A incrível facilidade de comunicação de massa, num ambiente mundial, criou muitas possibilidades, muitas teses e muitos enganos, especialmente a identificação desse sujeito, o ativista, como o novo revolucionário. Esse embate sobre a cultura digital venho travando tem 25 anos, desde as primeiras BBS e o acesso discado via modem.

A velocidade e transformação foram enormes, difícil até de acompanhar para o cidadão comum, que apenas consume sem refletir o que recebe, cada vez mais sofisticados sistemas e facilidades proporcionados pela tecnologia digital

Claro que esse ambiente quebrou uma série de conceitos e paradigmas, mas principalmente se construiu um meio de fácil manipulação e de intensa confusão conceitual, em que as verdades históricas e científicas passam a ser questionados por qualquer um, em qualquer lugar, sem precisar demonstrar que seja verdade ou tenha fundamento aquilo que escreve.

Pouco antes de morrer, o grande escritor italiano, Umberto Eco, vaticinou um duro alerta sobre as redes sociais, pois ela deu voz a uma “legião de imbecis” que antes falavam “em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade”.

Disse mais: “Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel”, arremata que o “idiota da aldeia”  se colocou em um patamar no qual ele se sentia superior, sendo maior “O drama da Internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”,

As Primaveras Digitais

 

O maior impulso “político” das redes sociais, com caráter de massa e de modificar uma realidade nacional se deu com o advento das primaveras Árabes. Logo se especializando com os fenômenos dos “indignados” europeus, e “occupies” dos EUA, culminando com os Golpes na Turquia e principalmente na Ucrânia, sempre fomos críticos desses fenômenos

Havia um centro de inteligência para eles, nada espontâneo, bem arquitetado o que se provou aqui no Brasil, com as jornadas de junho e a captura pela direita das ruas e redes, essencialmente, dos mecanismos das redes sociais.

Aqui, no Brasil, essa lógica não venceu as eleições presidenciais, em 2014, mas manipulou os sentimentos do país entre 2015 e 2016, algo científico e eficaz. Ajudando a derrubar um governo eleito, tornando surdo o “da poltrona”, mandando-o a bater panelas, para não ouvir o contraditório. Ele foi para rua, saiu de casa, vestiu-se orgulho (ou vergonha alheia) no verde-amarelo ou de simples Pato.

O sentimento de ressaca moral, baixou o faixo, mas os bits e algoritmos não ficam quietos, ainda que seus direitos sociais, trabalhistas, humanos e econômicos tenham sido duramente atacados, foram capazes de produzir uma realidade paralela de culpa aos governos “comunistas”, ainda que neles tivesse tido mais liberdades e significativos ganhos sociais e econômicos.

Em 2016, nos EUA, a sensação de que as eleições foram fortemente manipuladas pelos algoritmos das redes sociais, especialmente o Facebook, que respondeu por processos em comissões do senado. A campanha de Trump é um exemplo de desinformação e distribuição de fakenews, preconceitos, que venceu num pleito muito questionado.

Por que ficariam longe das eleições de 2018?

 

O centro controlador de corações e mentes, chama “o da poltrona” para mais uma “intervenção”, superados, orkut, msn, hotmail, facebook, a era é dos comunicadores diretos, o mais importante deles, o Whatsapp (zap zap).

O que assistimos hoje é o aprimoramento de um Método de fazer POLÍTICA, não é uma tática comum, corriqueira, mas um trabalho muito bem planejado e executado. Adaptado à realidade local, a relação direta das pessoas com a comunicação de massa, mais simples e direta. Campo fértil para uma instituição Nacional: A fofoca. Quem não curte?

A inocente Fofoca, vira um boato gigante, que ninguém precisa provar NADA, apenas existe, alguém falou, deve ser verdade, ou “se não deve, não teme”.

O nosso pensamento estruturado, lógico, criado numa cultura política de embates de ideias, fundamentada pelo convencimento de teses e posições políticas e éticas, não dão conta de responder, ao simples e rasteiro. As instituições formais, jurídicas e policiais, também não d’ao vazão ao mundo ‘líquido” de uma realidade móvel e incerta.

Esse uso indiscriminado, de fácil manipulação, teve ação destruidora recente, agora se repete a história, não como farsa, mas com o risco de virar uma imensa Tragédia.

 

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

One thought on “As Redes Sociais Destruirão a Democracia?

  1. Prezado Arnóbio, infelizmente não sabemos jogar com as mesmas armas. Utilizamos o blog como principal fonte informação. Assim o fazemos porque a realidade é complexa e uma simples frase não seria capaz de sintetizar. Então, para explicar uma realidade é preciso escrever um texto com muitas linhas.

    Mas existem pessoas que não lêem, e estas preferem se informar pelo Zap, através do meme.
    Um texto bom como esse seu, jamais será lido por quem realmente precisaria ler para se enxergar dentro do mundo atual.
    Uma pena. Dias difíceis se aproximam.

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