Brasil É Proibido de Torcer?

A volta por cima de Paulinho, bom sinal para as próximas fases.

É certo que não vivi o clima das copas de 1958, 1962 e 1970, então não sei se era pesado, quanto agora. Exceto 1982, talvez 2006, TODAS as demais seleções viviam um inferno na terra, acossadas pelas críticas de mídia (que contamina a todos), muitas justas, mas boa parte não se sustenta, apenas vazias e por má vontade, típica atitude de quem pouco entende o que é o Futebol.

O clima hoje, merece uma reflexão mais racional, o que tentarei fazer nessas linhas.

Apenas para recordar, quando Tite assumiu em agosto de 2016, a seleção estava no fundo do poço, a confusa relação de Dunga com a mídia e com os jogadores, a ressaca moral dos 7 x 1, pressionou de uma forma insustentável, pela primeira vez, era real a chance do Brasil ficar fora de uma Copa do Mundo.

Tite vinha de grandes trabalhos no Corinthians, tirou o time da desgraça de não ter ganho libertadores, até que ele montou o célebre time sem estrelas, campeão em 2012. Além disso, ele fez trabalho excelente de 2015, com o mesmo Corinthians. Já em em 2014, pós-copa, era o nome certo que a CORRUPTA CBF se negou a contratar, por medo de não controlar 100%.

O desastre se avizinhava e Tite foi chamado. Chamou praticamente os mesmos jogadores de Dunga, somando a eles, Paulinho, Renato Augusto, que tinham jogando com ele no Corinthians, mas estavam jogando na China. Em 3 partidas, o clima já era outro, até o contestado Paulinho, tinha mostrado que a aposta era certa.

Nas eliminatórias, cheia de bambalas, com Tite, a seleção passeou, teve momentos excelentes como as goleadas, na mesma rodada, contra as melhores seleções: Argentina e Uruguai. A seleção saiu da UTI dos 7 x 1. Mas a sombra da CBF, do clima neofascista do país, sempre esteve à espreita, havia uma torcida surda dos críticos, mas com receio de peitar Tite, falavam baixinho, envergonhados, doidos por uma oportunidade para detonar.

O hiato pós-eliminatória, várias contusões graves como a de Neymar, Gabriel Jesus, Filipe Luís, Paulinho, Renato Augusto e finalmente o corte de Daniel Alves, colocou a comissão técnica na berlinda. Aqueles críticos se aproveitaram para malhar Tite, especialmente pela extrema exposição (o que concordo também, mas não é decisivo para nada) que teve com as CHATAS propagandas antes da copa.

Todo o serviço prestado por ele, virou dúvida e críticas covardes, até as contusões de jogadores pelo final de temporada, foram debitadas na sua conta, como se isso fosse novidade em Copa do mundo ou exclusivo do Brasil. Fez bons amistosos, mas a estréia nervosa, levou ao inferno, a condenação antecipada.

Há um clima geral de animosidade, o que reflete a situação do Brasil, do Golpe de Estado, dos mais corruptos no governo, na broxada dos coxinhas, mas também na recusa da esquerda em entender o que é o futebol e sua vinculação com o povo, com as pessoas simples, com a nossa cultura. Muitos camaradas se viraram contra a seleção como se ela fosse a expressão dos coxinhas ou do governo bandido.

Essas questões estão intimamente ligadas, personagens controversos como nosso maior craque, Neymar, sua postura narcisista, irresponsável, faz com que esqueçamos seu potencial futebolístico, cobram dele uma postura social e política, como se no passado os nossos maiores craques tivessem. Uma mentira, raros são os cidadãos que foram craques, contaremos nos dedos de uma mão, difícil chegar a 10.

A seleção passou para oitavas, mas há uma necessidade de crucificar, nem sei se vencer ou fizer uma participação digna, Tite sairá reconhecido como alguém que mudou uma realidade terrível, para algo bem melhor do que antes, que trouxe a respeitabilidade depois de 2014. Somos por natureza, destruidores, acabamos de derrubar uma vitoriosa experiência política, por que não faremos o mesmo com a nossa maior paixão, o futebol?

Também não pretendo convencer ninguém sobre o que penso, mas continuarei torcendo, respeitando o Tite, criticando e admirando o Neymar. Gostando cada vez mais de Paulinho, torcendo para que Coutinho seja o craque da Copa. Que a seleção ganhe ou que faça o melhor, que dê alegria a uma país tão triste, mergulhado nas fezes fascistas. Que tenhamos um pouco de alegria.

É castigo demais, para quê?

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

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