A forte repressão da PM de SP é o sinal de que não haverá liberdade alguma (PEDRO CARAMURU/JORNALISTAS LIVRES)

Forte repressão em SP,  é o sinal de que não haverá liberdade alguma (Pedro Caramuru/Jornalistas Livres)

“Liberdade!, Liberdade!
Abre as asas sobre nós
E que a voz da igualdade
Seja sempre a nossa voz”

(Samba-enredo Imperatriz Leopoldinense, 1989, Niltinho Tristeza, Preto Jóia, Vicentinho e Jurandir)

Ontem, com a queda do Governo Dilma, se encerrou o período petista na gestão do Estado, o Kapital rompeu a última amarra que o segurava, para sua recomposição, no Brasil. A LIBERDADE de agir como melhor lhe convier é condição fundamental para um novo ciclo de reprodução ampla. A análise não pode ficar no marco “legal” ou na política local, ou ampliamos os horizontes ou ficaremos numa guerra fratricida, entre nós, buscando um  (a) Culpado(a) pela queda.

A Crise de superprodução é um problema-solução, toda uma nova ordem pode advir dela, inclusive a Revolução.Mas, descartada a Revolução de ruptura, o Capital faz a sua própria revolução, ou melhor, impõe uma dura mudança dentro do sistema que lhe mais favorece, em detrimento dos trabalhadores e da sociedade. A face mais visível é a repressão aberta, ou a sutil, a do controle de tudo que acontece na sociedade para melhor dominá-la.

O que o Kapital exigiu no Brasil era não ter mais nada que, mesmo tão timidamente, atrapalhasse seu movimento, não tendo que repartir, nem que fossem as “migalhas” sociais. A Liberdade total de controle e ação. Aliás, a atração/fetiche é exatamente a questão da Liberdade, um valor intangível, volátil, até nas palavras do usurpador que,  proíbe ser chamado pelo que é; Golpista.

Esta “LIBERDADE” não é valor para todos, mas para o Capital(K), porém, ideologicamente, é preciso que a sociedade comungue plenamente com este valor, cada vez mais abstrato, a tal Liberdade. Em nome dela, e por ela, se sacrifica qualquer valor anterior como solidariedade, comunidade e humanidade. Tudo se resume numa formulação simples e inteligível, queremos força para que você tenha mais liberdade, um contrassenso que não é jamais questionado. O movimento que melhor expressou estes conceitos ultraliberais foi o Tea Party, na extrema-direita.

Contraditoriamente, na Esquerda, este valor principal, a “liberdade”, foi assimilado de forma sutil pelos movimentos de “Indignados” e “Occupies”, no Brasil, pelo tal “Gigante”. É inegável que se liberou novas energias políticas, com as imensas manifestações de junho de 2013, aqui no Brasil, cujas origens foram os insurgentes da Praça de Tahir, Cairo (Egito), ou na Plaza de Mayo, Madri (Espanha), na Praça Maidan (Ucrânia).

Chegamos ao fim de um processo, no Brasil, que foi aberto com as jornadas de junho de 2013, iniciado pela esquerda, mas em seguida, completamente capturada pela Direita. A situação do governo, após junho de 2013, se tornou complexa e com poucas certezas, exceto a que todos os inimigos antipetistas se uniram numa guerra sem trégua, com farto espaço para atacar visando derrubar o Governo Dilma, apostaram, primeiro, em manifestações violentas, que criem a sensação de Caos.

Depois na tentativa de desmoralização da Copa como preparação ao processo eleitoral, por fim, com a derrota nele, foi quebrar a âncora da Economia, o Pleno Emprego. Todos os males da economia (a maioria são reais) foram colocados à mesa como se fosse a responsabilidade única por séculos de desmando, sem levar em consideração que o mundo ainda está mergulhado em Crise desde 2008,a Europa claudicando, o voo solitário dos EUA, mas sem expectativa de longo prazo.

O Terceiro, Quarto, Quinto Turno eleitoral, sem calendário, transformou o Brasil num país inviável, ingovernável, não apenas para Dilma, agora deposta, mas os próprio Golpistas terão que arcar com os custos de tamanho desarranjo. Acossada pela mídia e pelos opositores no parlamento e nas redes sociais, com uma coleção de absurdos sendo transformados em verdades definitivas, cristalizando uma visão de que o “mal” para o Brasil seria Dilma e/ou o PT, como ficarão agora se não derem respostas imediatas?

Aliás, o remédio apresentado nesses meses de interinidade foram amargos, mas a cobertura midiática na forma de escandalização seletiva, contra Dilma e o PT, não deu tempo de que as pessoas percebam, o que realmente irão receber em breve, o discurso de Temer ontem foi cínico, cheio de inverdades, que não vai colar, falou de deficit fiscal de 170 bilhões, quando na verdade era 89 bilhões, que ele cuidou de elevar para essa marca.

Mas o pior sentimento será aquele de que tudo não passou de uma farsa. Aliás, insisto sempre neste ponto, a Democracia virou um Estorvo para o Kapital, a saída da Crise 2.0 nos parece que é sem Democracia e sem exercício da  Política.

Espertamente se destampou a Caixa de Pandora e espalhou o mal e as frustrações para toda sociedade, sem que se chegue a lugar nenhum, causando mais confusões, inviabilizando governos, partidos, por fim, a própria Democracia. É este o rumo que estamos trilhando?

A luta contra a Corrupção é apenas um mote, até velhas raposas corruptas foram vistas  protestando ontem, ou mesmo aquele tradicional fraudador anual do Imposto de Renda compareceu para falar mal da Presidenta. Como também tanta gente de boa-fé que compareceu e gritou contra o PT, que virou a personificação do “mal”, ou quem sabe, o espelho que não desejamos olhar, mas repudiamos assim mesmo.

Num último ato de vergonha, os golpistas passaram recibo de que era Golpe, cassaram o mandato, mas não tiveram coragem de inabilitar os direitos políticos de Dilma, ou seja, aquela que cometeu tão graves crimes, foi imediatamente absolvida.

Para lacrar, é proibido falar que é Golpe, sob pena de ser perseguido por Alexandre de Moraes e sua PF, o Estado de Exceção mandou um beijo, de língua.